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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

No Walmart de Assis,SP litrão não é retornável

Cláudio Messias*

Na noite dessa terça-feira fiz meu rotineiro rodízio e, assim, me dirigi ao Walmart para a compra de poucos itens. Com cerveja em lata em estoque para o reveillon, optei por comprar quatro embalagens de 'Litrão' de cerveja, em especial a Antártica Subzero, de minha preferência. Se você, raro e exceto leitor, me perguntar por que somente 4 litrões confessarei não saber, exatamente, responder. Mas, sei lá por que, quis comprar quatro litrões de Subzero, mesmo tendo latas na geladeira e fora dela.

Quando os litrões chegaram ao mercado, alguns anos atrás, adquiri meus primeiros vasilhames no hiper center Amigão. Lá, compravam-se litrões Conti e pagava-se somente o conteúdo líquido; o vasilhame vinha de brinde. E nesse tempo todo ganhei até camisinha para litrão, da Skol, nessas promoções comumente feitas nos verões. Meu objeto de desejo maior, porém, eu nunca consegui, mesmo procurando em supermercados, junto a promotores de venda, pontos de revenda e até mesmo na distribuidora 'sobrenomônima', minha, local: uma caixa plástica que acomode os litrões e favoreça no transporte.

Mas, voltando à minha ida, agora há pouco, ao Walmart, cheguei àquele estabelecimento na iminência de um temporal. Mesmo assim, optei por deixar os 4 vasilhames no porta-malas e, primeiro, perguntar se haveria um setor específico para deixar as garrafas vazias e, então, pegar as cheias, correndo o risco de ter de voltar ao estacionamento debaixo de chuva. Logo na portaria uma funcionária identificada com crachá me informa que não, não há setor de troca de vasilhames no Walmart de Assis. Ali, segundo ela, eu compro a cerveja litrão e já levo o vasilhame. Deduzi, pois, que repetia-se a promoção de veraneio em que paga-se somente o conteúdo e ganha-se a embalagem.

Desconfiei daquela, digamos, proposta. Mas, reconheci ter feito bem deixar os 4 vasilhames de litrão no porta-malas do carro. Esposa para um lado, marido para o outro, lá fui eu para o corredor de bebidas. Eis que deparo com os litrões na prateleira, intactos. Consumidores pegavam as latinhas e latões, mas preteriam as garrafas. Também, pasmem, um latão de 550 ml de cerveja Skol era vendido a R$ 3, enquanto o Litrão da mesma marca tinha estampado na etiqueta o valor de R$ 6,25. Claro, estava-se pagando pelo conteúdo mas também pela embalagem. Para não precisar desenhar: 2 latões = 1,1 litro. Logo, se paga-se R$ 3 por 550 ml, logo, tem-se 1,1 litro de Skol por R$ 6. Sai, pois, mais barato e mais cômodo levar os latões, sem o inconveniente do peso do vasilhame e o incômodo da embalagem a ser guardada.

Peguei 4 latões de Skol, paguei, mas deixei os litrões na patraleira. No caixa, perguntei ao funcionário sobre a política de retornáveis da empresa e ele confirmou que não, não há setor para isso no Walmart. Devolvi a pergunta, com ironia, claro, se o Walmart, depois, compraria os mesmos litrões, pagando a diferença entre o que vale o conteúdo e o que é cobrado pela embalagem e ele, compreensivelmente, apenas riu.

Consutlei, nas redes sociais, alguns amigos que trabalham com o setor de bebidas, não só em Assis, mas na região e também em Campina Grande. Fui informado de que não há uma norma para a comercialização de bebidas com embalagens retornáveis no Brasil, mas que o pressuposto de que a venda forçada do vasilhame, sem opção de troca prévia, fere o Código de Defesa do Consumidor. Ou seja, o Walmart pode, sim, vender líquido e vasilhame retornável de qualquer bebida, desde que, na entrada e todos os seus jornais de ofertas, especifique que não detém setor para a troca de embalagem e, portanto, ninguém seja forçado a levar, sem necessidade, a embalagem que já tem em estoque. Também,, é necessário especificar o preço do conteúdo e o da embalagem, separadamente.

O que me causa mais estranhamento é que Walmart e Bom Preço fazem parte do mesmo grupo empresarial. O primeiro tem lojas no Sudeste e o outro, no Nordeste. E em Campina Grande compra-se cerveja em garrafa, igualmente retornável, como no caso do litrão, sem a venda forçada que constato em Assis.

Não deixarei de comprar no Walmart, uma vez que lá encontro produtos e itens que via de regra os outros supermercados de Assis não oferecem. Mas, sinto cada vez mais que determinadas empresas, especialmente do setor supermercadista, fazem e refazem na cidade, ignorando que consumidor tem, muito mais do que direitos, poder consciente de compra. Somos seres com um mínimo de inteligência. E, uma hora ou outra, simplesmente decidimos não comprar mais em determinado estabelecimento. E quando isso acontece e determinada loja ou filial fecham, saem por aí dizendo que Assis é uma cidade ruim de negócio. Ruim de negócio é quem vei aqui, se faz por arrogante e enfia produtos goela abaixo, sem a mínima premissa de respeito.



*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA - 29DEZ


FUTEBOL FORTE

O Vocem vai precisar gerar receita de R$ 100 mil mensais 'úteis' em 2015 para concretizar o plano inicial de ficar entre os 8 melhores clubes da Segunda Divisão do Campeonato Paulista de Futebol. Metade das despesas referentes a esse orçamento será consumida pela comissão técnica, capitaneada pelo competente Sérgio Caetano, o melhor treinador que já vi passar por Assis nessa trajetória de 31 anos pelo esporte profissional da cidade. Entenda-se por meses úteis o período de disputa oficial da Segundona, de abril a novembro.

FUTEBOL FORTE II

A receita de R$ 100 mil condiz exatamente aos custos com as peças-chave que agregarão ao denominado Projeto Vocem Forte em 2015, lançado semanas atrás pela diretoria. Nesse caso, as verbas também serão específicas, advindas, por exemplo, de outro projeto complementar, o Sócio-torcedor Mariano, que está nas competentes mãos de Fábio Manfio, hoje vice-presidente da agremiação. Trata-se, pois, de uma ação de marketing complementar ao que o Vocem já custaria para disputar a Segundona em 2015.

FUTEBOL FORTE III

Soube diretamente de Edson Fiúza, o troglodita, a lista de contratações já acertadas para a disputa da Segundona 2015. A pedido da fonte primária, contudo, não posso listar nomes, uma vez que os contratos começam a vigorar entre o final de janeiro e o início de fevereiro, após os exames médicos admissionais. Claro que a coceira jornalística fala mais alto e, contrariando Fiúza, vou ao menos revelar um contratado certo, uma vez que já passou por Assis e, agora, troca de camisa. Jaílton, o Jailgol, apalavrou com a diretoria e teve o nome aprovado por Sérgio Caetano. Será um dos cartuchos que o Vocem queimará com jogadores acima de 23 anos.

FUTEBOL FORTE IV

Não passei o calendário futebolístico de 2014 em Assis e, assim, não tive oportunidade de conferir nomes que, tendo enfrentado o Vocem na temporada passada, foram contratados pelo Esquadrão da Fé. Uma coisa, contudo, me acalenta. Sérgio Caetano chegar para a diretoria e confirmar que o time montado terá uma das 4 vagas do acesso à Série A-3 de 2016. Treinador tem o meu respeito por não falar em títulos, mas, sim, de acesso. Ser campeão da Segundona será mera consequência de um trabalho profissional organizado com antecedência. Ele quer o acesso, eu quero o título. Razão e emoção trilhando nesse maluco universo do futebol.

DERBY

Além de Vocem e Atlético Assisense o Médio Vale terá outro representante na Segunda Divisão de 2015. O Esporte Clube Paraguaçuense reconstituiu diretoria, formalizou documentação na Federação Paulista de Futebol e está apto a ir ao Conselho Arbitral, previamente programado para a semana de 26 a 30 de janeiro. Duas outras cidades mobilizam igualmente as políticas para retornar: CAC, de Cândido Mota, e o PAC, de Palmital. Nesses dois casos, porém, as notícias saídas da FPF não são nada animadoras, uma vez que o investimento necessário fica totalmente fora das possibilidades financeiras de agremiações que ainda não têm projeto estrutural pronto.

DERBY II

Estive em Paraguaçu nesse final de semana e ouvi de cronistas esportivos de lá, amigos de longa jornada futebolística desde os tempos de cobertura da Série A-2, que o projeto do Azulão começa modesto. Ou seja, disputar a temporada 2015 reestruturando a agremiação e pensar em disputa racional de vaga na A-3 somente em 2016. A explicação para a política de precaução deve-se a fatores que não dependem do clube, como a regularização do estádio municipal "Carlos Affini", que dificilmente se enquadrará, de imediato, às novas normas de segurança impostas pela CBF e rigorosamente fiscalizadas pelo Corpo de Bombeiros a partir de 2013.

DERBY III

Para que haja o tríplice derby regional entre Azulão, Falcão do Vale e Esquadrão da Fé será necessário, em 2015, que os clubes apresentem situação regularmente formalizada na Federação Paulista de Futebol. Um simples débito em uma das circunstâncias julgadas no TJD em 2014, por exemplo, deixará uma agremiação de fora, de maneira que, diferente do ano passado, não sejam mais dados prazos para tais regularizações. E, sim, há clube da região devendo na Federação. E é esse o tipo de amadorismo que condeno no universo do futebol. Clube que quer subir precisa parar de ter pensamento de quem só desce.

TRÂNSITO LIVRE

Dia desses um representante da diretoria do Vocem esteve na sede da Federação Paulista de Futebol. Foi fazer o que é de praxe para um procurador de clube que tem projeto profissional: fazer a política da boa vizinhança e saber de eventuais novidades. Chegou à portaria, apresentou-se e foi aos departamentos costumeiros. Surpreendeu-se quando foi chamado para um café no andar da diretoria executiva. Dialogou com o alto escalão, trocou cartões de visita e apresentou, depois, aos diretores de Assis a melhor das impressões. Não por acaso, esse mesmo procurador tem a documentação integral do Vocem referente a 2014: todas as despesas pagas, quitadas, bem como os acertos trabalhistas e com impostos. Clube assim, claro, é bem recebido em qualquer lugar.

AGREGANDO

Já foi aberto o segundo grupo do Vocem no Whatsapp. Idealizado por Roberto Credin, o palmeirense mais chato do chiqueiro, o clã do Esquadrão da Fé tinha, até ontem, 108 membros. A meta é fechar cinco grupos iguais a esse até o início do campeonato. Estratégia de marketing, pois o Vocem usará as redes sociais para comercializar o programa Sócio-Torcedor, projeto que Fábio Manfio mantém sob segredo a várias chaves.

MANTOS

Recebi nesse sábado, 27, a camisa oficial do Vocem. O rebatismo, como foi chamado, foi motivo de conversas nas redes sociais. Ironias à parte, vestir a camisa do Vocem tem um significado importante. Primeiro, significa que passei a conhecer, em detalhes, o projeto de Edson Fiúza para o clube mais tradicional da cidade. Em segundo lugar, Fiúza e parte da diretoria puderam confirmar que no meu papel de blogueiro e jornalista, o que fiz em 2014 foi acompanhar o passo a passo de um tumultuado ano vocemista. Querer ser mais engraçado que a piada, definitivamente, não é meu papel.

MANTOS II

Mas, como Assis é a Sucupira do Vale, claro, não faltaram torcedores do Atlético Assisense a me criticar pela decisão de, em 2015, torcer pelo Vocem. Fui tachado de vira-casaca, traidor e oportunista, como se quisesse usar o Vocem para atrair audiência para o Blog. Li, ouvi e aceitei as críticas, pois cada lado tem lá sua razão. O que posso dizer, apenas, é que a única camisa do Atlético Assisense que tenho recebi das mãos de Fábio Manfio, que trouxe-me e recusou-se a receber os R$ 60 que a peça valia à época. Fábio, como eu, acreditava, naquela época, em um projeto que, mesmo amador, podia ser estruturado para ganhar profissionalismo. Pois é Fábio Manfio, meu compadre, quem protagonizou o episódio definitivo que fez-me rever o apoio futebolístico em Assis, antes mesmo do findar da temporada 2014. Estamos juntos no Vocem, e por uma causa justa.

EM TEMPO...

... não faço a mínima questão que o Blog tenha 100, 1000 ou 10000 acessos. O que aqui escrevo tem, sim, de agradar a alguns e a desagradar a outros. Não escrevo para agradar ou desagradar. O que não faço, reitero, é tolerar mentiras. Talvez isso atraia os mais de 110 mil curiosos que por esse espaço passaram desde que o reativei, um ano atrás.

NAS ONDAS

Com a força comercial com que Vocem e Atlético Assisense mobilizaram a Sucupira do Vale em 2014 surgiram ações otimistas de cobertura do futebol profissional de Assis em 2015. A novidade Rádio Assiscity Online deve ser repetida, mantida, ao passo em que a rádio Cultura já começa a revisar os equipamentos para reativar a equipe de esportes. José Camargo, o Zé Pecado, tem apalavrado acordo de apoio à diretoria do Vocem e anuncia para a temporada a contratação de uma nova equipe de transmissão. O objetivo é dar oportunidade de revelação a uma geração de jornalistas formados pelo extinto curso de Jornalismo da Fema. Nestário Luiz, um dos maiores talentos do jornalismo esportivo local, merece uma chance.

NAS ONDAS II

A Rádio Assiscity Online tende a continuar com a dupla Augusto César e Carlos Perandré no comando.

MAQUIAGEM

O mercado imobiliário de Assis continua a assustar. A bolha provocada por investimentos não completos integralmente começa a preocupar quem é do ramo. Há famílias da cidade que mantêm propriedade em terrenos de quatro condomínios de luxo locais e já acumulam perdas patrimoniais importantes. A explicação continua sendo um só fator: o cidadão vai lá, acredita no projeto de um empreendimento, compra sua área e ali investe algumas centenas de milhares de reais. Surge outro empreendimento e o mesmo sujeito muda, comprando nova área, construindo e mudando-se. Só que o investimento anterior não volta, de maneira que gere custos com condomínio, tributos, além da desvalorização natural implicada do envelhecimento do imóvel e da incompletude estrutural do empreendimento. Só que vem, nessa sequência, o terceiro condomínio de luxo e aquele mesmo cidadão muda novamente, investindo tudo de novo e gerando um ciclo em que seu poder de aplicação, além de esgotar, inicia um caminho contrário de tentativa, geralmente vã, de cobrir os custos com o que ficou para trás.

MAQUIAGEM II

Na prática, o que se vê na cidade são condomínios não totalmente urbanizados, no sentido da ocupação integral das áreas disponibilizadas. Exemplo disso é um dos mais propalados dos últimos 10 anos, que acaba de ter a casa número 90 integralmente concluída e entregue pelo construtor, para que o mais novo condômino passe o 'reveión' na casa nova. Tudo seria lindo e maravilhoso não fosse um detalhe: o empreendimento prevê 250 casas de alto padrão e vê, na primeira década, 90 construções concluídas. Haveria, pois, chão para completar integralmente o loteamento, desde que a cidade não estivesse recebendo dois novos condomínios de altíssimo padrão. E essa sinérese só aumenta o abismo existente entre o que se projeta de prosperidade econômica para a cidade e a real situação daqueles que ao menos no discurso retêm a concentração de capital flutuante no município.

UM FAZ DE CONTA...

Um dos principais empresários do setor de construção civil de Assis, ranqueado como um dos destaques do país nos últimos 20 anos, tirou de foco mais um empreendimento que daria à cidade um mega center empresarial. Mais completo que shopping center, esse tipo de centro comercial reúne centro de convenções, área para grandes shows aproveitando o setor de estacionamento, centro de gastronomia, cinemas e, claro, lojas. Mas, para quem ainda não entendeu o enunciado, o projeto, que já estava pronto, foi engavetado. O motivo: não há comerciantes e empresários com inteligência de negócio suficiente para adotar em conjunto um mega projeto dessa magnitude. Prefere-se brincar de casinha em condomínios de luxo.

... QUE ACONTECE.

E enquanto a acefalia comercial paira na cabeça mediana a visão empresarial próspera vem de fora. O grupo catarinense que responde pela Havan no Brasil vem, contrata a construtora assisense cujo proprietário é rankeado nacional e, entre uma visita e outra à cidade, decide bater o martelo. Deve, pois, fazer em 2016 o que a falta de ousadia tipicamente assisense inibe: fazer um megainvestimento na cidade. Duas áreas pertencentes ao engenheiro civil assisense estão sendo analisadas. Por ordem prioritária, estão: na saída da avenida Rui Barbosa para a SP-270 e no trecho em reformas da SP-333, entre o trevo da Unesp e o trevo do Cabral.

VAZIO

Chegando a Assis fui ao Plaza Shopping tomar um chope. Não havia, ainda, subido ao segundo piso após a reforma. Como era véspera de Natal, imagino que os cinco boxes fechados naquela praça de alimentação correspondam, realmente, a espaços disponíveis. Mesas lotadas, pessoas em pé esperando a liberação de lugares. E a cidade que sonha em ter 100 mil habitantes contentando-se com uma loja de departamentos adaptada para shopping center, sem espaço sequer para estacionamento. Ironias à parte, a rede Giraffas's também querendo tirar proveito de um perfil de consumo que só quem é de fora reconhece. Existe, pois, uma cegueira branca, como definiria Saramago, que paira sei lá por quanto mais tempo na visão comercial dessa cidade.

RESTOS

Recebi um desaforado e-mail, 'anônimo', acusando-me de ser desconhecedor da rotina da Câmara Municipal de Assis para, no "cá entre nós" da coluna anterior, ter sugerido que o Legislativo local subtraia do orçamento de 2015 o equivalente aos R$ 372 mil que 'sobraram' em 2014. Entre outras provocações o 'corajoso' autor da mensagem eletrônica, que diz me conhecer mas preferiu não revelar a própria identidade, afirmou, com razão, não ter visto a minha pessoa nas sessões da Câmara de 2014. Não só nas sessões de 2014, mas também nas de 2013, 2012, 2011. E certamente, não me verá tão cedo naquele espaço Legislativo, que não elege presidentes; apenas os define por convenção de clãs de poder.

RESTOS II

Não estive em corpo presente nas sessões, mas volta e meia, quando posso, vejo as transmissões online. E cada vez que abro a conexão com o espaço de transmissões das sessões da Câmara Municipal de Assis confesso que prometo a mim mesmo ter sido a última vez. Daí a minha retórica de que não por acaso não elegemos um deputado daqui, pois, não tenho dúvidas, não temos, mais, um político formal com perfil de quem nos representaria com a força necessária em uma Assembléia Legislativa ou na Câmara dos Deputados. Nossos políticos de Assis vão, por muito tempo, continuar saindo bem na foto somente ao paparicar os políticos de fora que eles mesmos trazem para roubar preciosos votos daqui. Devem olhar para os figurões de PT, PSDB e outras legendas, para quem mendigam emendas e verbas, e pensar: "um dia quero ser assim, igual a ele". Mesmo sabendo que tratar-se-á de mais uma das tantas utopias da Sucupira do Vale.

ATENDENDO A PEDIDOS

Haverá prefeitos felizes em 2015 no Médio Vale. O DER define no primeiro trimestre do novo ano, derradeiro mandato do PSDB no governo do Estado (pelo sangue do cordeiro, amém), os novos lotes de privatização de estradas paulistas. Na macro área que compreende os DERs de Assis, Marília, Bauru e Presidente Prudente, um dia chamada de Concessão Caipira, a iniciativa privada reinará. E quem faz trechos como Assis-Marília, Assis-Florínea e Assis-Paraguaçu Paulista pode colocar ao menos mais R$ 3 nas despesas de viagem para as próximas férias de verão. Prefeito bom é assim: pede pedágio e o governador, que é 'melhor ainda', atende.

CÁ ENTRE NÓS...

... em quem você votou para deputado estadual dois meses atrás mesmo? Sim, a provocação é uma ironia.


 CAUSOS DA SUCUPIRA DO VALE 

À base do 'perco o amigo mas não perco o causo', o episódio foi revelado por meu amigo Edmar Frutuoso, o eterno Zico da Santa Cecília, o craque que teria deixado Raí no banco da Seleção. Fábio Manfio, meu padrinho de casamento e companheiro de longas jornadas, desde uma infância em que rivalizávamos o meu Corinthians de Zenon, Casagrande, Biro-Biro e Solito, com o Palmeiras dele que tinha Luis Pereira e... bom, só Luis Pereira. Fabião e eu estudamos juntos no Clybas e jogamos futebol nos mais variados buracos da cidade. Não bastasse isso, fizemos Tiro de Guerra juntos e, que coisa!, trabalhamos juntos na Rádio Cultura. Afora muitas outras peripécias de molecagem, feitas em comum para um período em que ser criança e ser adolescente combinava com ser livre e, principalmente, ter juízo na cabeça.
Mas, vamos ao episódio narrado por Edmar e confirmado por Fabião. Eis, pois, que o protagonista comprou uma filmadora. Ele, Fábio Manfio, sempre foi fascinado por filmes. Era na casa dele que íamos assistir filmes de terror na novidade da época, o video-cassete. E íamos em uma cambada que reunia Iraí, Marcinho Zé da Faca, Tilim, Osvagner, Joelson Branco de Moraes, Márcio Fofão, Altair, entre tantos outros. Mas, já adulto e pai de família, Fabião comprou uma filmadora. Barato não pagou, pois queria uma câmera completa, com alta definição e tudo mais. Aquele bem precioso não podia ficar 'dando sopa'. Logo, quando viajasse, Fabião, em vez de levar o equipamento para rergistrar os momentos, preferia mantê-lo seguro, menos exposto. Mas, e se entrasse um ladrão na casa e levasse a máquina? Claro, o jeito era escondê-la.
Naquela viagem com a família, tão esperada, meu amigo não teve dúvidas. Pegou a máquina e a colocou dentro do forno elétrico. Afinal, que ladrão leva formo elétrico de uma casa quando a invade? E lá ficou a máquina, guardadinha.
No retorno da viagem não teve invasão alguma de ladrão. Casa intacta, todos cansados e exaustos dos longos quilômetro percorridos, nada melhor do que descongelar uma pizza e devorá-la. Forno pré-aquecido, pizza colocada por 20 minutos e, quando servida, o acompanhamento de um cheiro de plástico queimado. E a lição de que ser criativo é uma coisa, mas ser esquecido é outra, bem pior.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Coração vocemista


O estranho calor que chegou, hoje, na madrugada de Assis

Cláudio Messias*

Nas últimas décadas Assis, a Sucupira do Vale, acostumou-se a ver algumas figuras locais anoitecerem mas não amanhecerem na cidade. Pois nesse último final de semana de 2014 a história voltou a repetir, porém envolvendo, digamos, 'alguém' não muito materializado. O clima ameno dos últimos dias, atípico, desapareceu na madrugada desse 27 de dezembro.

Os 97 mil habitantes de Assis, a cidade que sonha ter 100 mil moradores, tiveram uma noite de sexta-feira, 26 de dezembro, com temperatura agradável. Fazia 19 graus às 23 horas de ontem. Alguns, como eu, foram dormir sem necessidade de uso de ventiladores, aparelho de ar-condicionado e outros apetrechos. Bastava deixar janelas e portas abertas, mérito que ainda temos, apesar dos crescentes índices de violência urbana dos últimos meses.

Por volta das 2h00, já na madrugada de sábado, a novidade. Os termômetros da Estação Experimental mantida pelo Ciiagro em Assis denunciavam: a temperatura começava a subir. Estranhamente, mesmo sem sol o calor aumentava. Sem vento, os 20 graus permitiam sensação térmica de 24 graus. Com o nascer do sol a situação piorou. Às 8h00 os termômetros já registravam 21 graus, escalonando para 23 uma hora depois e atingindo os surpreendentes 31 graus agora há pouco, às 13h00.

O que agravou a sensação de calor foi a umidade relativa do ar, favorecida pelo excedente hídrico no solo resultante das abundantes chuvas que antecederam o Natal. O paradoxal nessa situação é que durante uma semana as madrugadas de Assis marcaram temperatura média de 17 graus, exigindo, entre os mais friorentos, o uso de lençol para dormir. E durante o dia os termômetros marcaram no máximo 28 graus, com casos atípicos como o do dia 24, véspera de Natal, que não registrou mais do que 21 graus.

Na madrugada de hoje a umidade relativa do ar marcava 97% em Assis. A forte nebulosidade que caracteriza o tempo nesse sábado impede que esse índice baixe. Agora, por exemplo, a umidade do ar é de 57%. Isso faz com que aumente a probabilidade de chuvas para o final da tarde. A agência Climatempo, por exemplo, no início da manhã anunciava essa probabilidade como sendo de 85%. Agora, o índice já passa dos 90%. E, pior, com risco de trovoadas, o que é sinônimo de alagamentos e destruição em uma cidade pessimamente planejada desde sua fundação.

*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

Município de Assis


Dados meteorológicos das últimas 12 horas da estação de Assis
Data e HoraTemperatura do ar (° C)Umidade relativa do ar (%)Precipitação (mm)Radiação solar
27/12/2014 13:0031570,0888
27/12/2014 12:0030620,0820
27/12/2014 11:0028710,0714
27/12/2014 10:0025840,0510
27/12/2014 09:0023940,0172
27/12/2014 08:0021970,062
27/12/2014 07:0020970,04
27/12/2014 06:0020970,00
27/12/2014 05:0019970,00
27/12/2014 04:0019970,00
27/12/2014 03:0019960,00
27/12/2014 02:0020950,00

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

MUNDÃO AFORA - A condição inconsistente do anonimato

Cláudio Messias*

Final de semana passado fiz o trajeto de retorno a Assis. Estou, pois, no sentido inverso de uma tendência migratória que caracterizou principalmente a primeira metade do século passado.Um paulista que sobe até o Nordeste para terminar de construir a vida. Ou, como definem alguns provocativos amigos que fiz na minha Campina Grande, um 'sudestino' metido a besta, visse?!

Estou em terras paraibanas desde abril. Para lá vou, em pesquisa científica, desde 2010. E nesses últimos 8 meses o que mais tenho feito em se tratando de gestão da vida pessoal é buscar meios alternativos (leia-se opção de baixo custo) nas minhas vindas e idas. Sim, éramos um país emergente, cuja classe C descobria o transporte aéreo, antes da Copa do Mundo. Depois, fomos fisgados e nos tornamos reféns de preços absurdamente incompatíveis com a realidade sócio-econômica de determinadas regiões.

Se antes eu embarcava e depois desembarcava em Campina Grande, quando muito deslocando voo até Presidente Prudente, agora faço uso do veio turístico que leva passageiros do Sul para a mais procurada praia do Nordeste, ou seja, o trecho Londrina-Recife. Sair do Aeroporto Internacional de Guararapes e descer em Londrina custa, em média, R$ 400. Sair de Campina Grande e descer em Marília, R$ 1000.

Partir por Recife custa alguns, digamos, inconvenientes. Se o voo parte à tarde, tenho a opção do transporte alternativo que por R$ 50 leva-me da porta de minha casa, em Campina Grande, ao portão principal do aeroporto de Recife. Mas, se o voo sai de madrugada, aí só resta chegar à capital pernambucana de ônibus, pagar táxi (R$ 50, em média) até o aeroporto e por lá pernoitar à base do improviso, nem que isso custo torcicolos e demais lesões de coluna cervical. Ok, você, raro e exceto leitor, deve estar perguntando por que, então, não hospedar em um hotel em pernoite. Explico: a questão é reduzir custos e, se hotel eu pagar fosse, aproximaria dos R$ 1000 que representam o valor da passagem partindo de Campina.

Aos poucos a família vai conhecendo minha rotina paraibana, que alguns definem como saga. Nos últimos 15 dias compartilhei meu dia a dia com Júlio César, meu filho mais novo. Primeiro, fomos a São Paulo, onde participei de evento que reuniu pós-graduandos da ECA-USP, onde faço doutorado. De lá, partimos para Campina Grande, uma vez que as passagens foram adquiridas em rara promoção da Azul Linhas Aéreas. Julião foi, então, comigo à universidade, assistiu parte de minhas aulas, conheceu essa nova realidade de meu mundo e provou da culinária e da cultura campinenses, além de sentir literalmente na pele a complexidade de um clima em que à tarde sofre-se com calor de até 35 graus, mas à noite acalenta-se corpo e alma com uma brisa que muitas vezes faz sudestinos como eu dormir ao menos com um lençol em pleno mês de dezembro.

No retorno de Campina Grande a viabilidade de preços fez com que partíssemos de Recife. Com atividades na universidade encerradas, nos deslocamos para a capital pernambucana na quinta-feira, 18. E no dia 19 reservamos um dia para fazer turismo em Olinda. Faço questão de levar familiares e amigos a Olinda, falando mais alto meu lado de historiador. Ali está o legítimo surgimento de tudo no Brasil, pois em 1525 já havia o primeiro mercado de mão-de-obra escrava da nova terra, recém-'descoberta'. Somos um país, uma nação negra, e infelizmente resistimos a essa herança não só genética, mas, principalmente, cultural. Em Olinda eu sinto-me no meu berço de origem.

Subindo a Ladeira da Misericórdia, rumo à matriz da Sé, eu e Júlio avistamos, no meio do caminho, uma figura que, sentada à calçada-escada, à direita da ladeira de pedras seculares construída com a força e o suor de negros, tocava violão. Um homem com óculos de lentes redondas e escuras, à Johnn Lennon, vstindo macacão marrom, de veludo, fazia do pedaço o que definia como sua loja. Era Plínio Varjão, um desses sujeitos que o mundo acolhe por conveniência, rejeita por protocolos. Um artista da vida, que nega ao capitalismo mas não deixa de vender CDs de autoria própria por R$ 20. Uma figuraça dessas com quem você, aproveitando para descansar as pernas que 'formigam' pós-escalada da ladeira, conversaria horas a fio, desde que a entendesse, claro.

Plínio não vive nesse mundo de Deus. Somente seu corpo está aqui presente. À base de representações, vê uma realidade distante, porém interessante. Na presumível condição em que compôs as 12 músicas de seu CD, o segundo de sua carreira, encontrou-se principalmente com Raul Seixas, em sua própria definição. Mas, suas divagações mostram outros encontros e reencontros surreais, como Janes Joplin, Bob Marley, Cazuza e Renato Russo. Passa um guia turístico por nós, acompanhado por um grupo de desinformados sujeitos que não são dali, e lança a provocação de que Plínio Varjão é um primo não reconhecido de Alceu Valença, o olindense famoso por ter banheiro que, sem telhado, permite contemplar o céu na mais comum das condições humanas. E eu acredito.

Plínio visivelmente mente sobre algumas circunstâncias de sua vida. Mas, a mentira só é proferida quando o protagonismo abre brechas sobre eventual desconhecimento do tema em questão. E o assunto, naqueles minutos de conversa, giraram em torno de uma representação da realidade que realmente não condiz aos parâmetros que eu tracei e traço para o meu caminho. E, como diz meu professor de ECA-USP, Adílson Citelli, é nesse momento que prevalece a ironia, contexto em que uma das partes não pode, completamente, compreender o enunciado provocativo. Plínio fingia dizer a verdade, eu fingia acreditar.

Na companhia de Júlio fui até um restaurante de nome Art Grill, para comer o melhor camarão alho-e-óleo do planeta. Não pelo prato em si, mas pela vista para a baía de Recife, tendo ao fundo as 'torres gêmeas', o porto e, mais próximo, o cenário que permanente e eternamente serve de inspiração para as composições de Plínio Varjão. Um negro que não vive nessa realidade e busca fuga a partir das representações de estado de arte. Um homem que carrega o orgulho nordestino no sangue, uma vez que baiano de nascença é. Um artista que só conhece o hoje, mente sobre o ontem, mas que, não tenho dúvidas, é um sério parâmetro sobre o que pretendemos, por opção, ser amanhã. Porque anônimo,mesmo, é aquele não é conhecido por si mesmo.






*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA - 16DEZ2014



O RETORNO I

Para a alegria de poucos e frustração de muitos, estou retomando o Blog. Planejei fazê-lo após 100 dias desde a última postagem. Só que esse prazo esgotou em outubro, período do ano em que mais fui sacrificado pelo excesso de atividades envolvendo universidade, pesquisa de doutorado e família. O faço agora, em momento que julgo oportuno.

O RETORNO II

Ausentei-me das postagens no dia 10 de junho, ocasião em que um pico de pressão arterial levou-me ao setor de emergência de uma clínica daqui de Campina Grande. Ataque hipoglicêmico agudo, uma isquemia parcial e lá se foram minhas condições de controlar razão e emoção. Nessas circunstâncias, o melhor a fazer é parar um pouco. Até porque, acessar os arquivos da memória vinha sendo atividade das mais difíceis.

O RETORNO III

Nesse período de ausência vi, ouvi e li de tudo, vindo da Sucupira do Vale. Nada comparado às estapafúrdias e covardes análises políticas relacionadas ao primeiro turno das eleições na cidade. A incompetência e a falta de capital político são jogadas debaixo do tapete e candidatos derrotados nas urnas verborragizam contra os eleitores, acusando-os de responsáveis pelo fato de Assis não ter, de novo, um representante nem na Assembleia Legislativa, nem na Câmara dos Deputados. Pasmem. Primeiro, convençam-me de que há político sério em uma cidade que faz 7 candidatos a prefeito, elege o chefe do Executivo com menos de 16 mil votos e vê 1/4 de seu eleitorado, desanimado, recusar-se a ir às urnas. Logo, eleitor não tem culpa de nada. Culpada é a inexpressiva classe política de Assis. Vai ter de mudar muita coisa para que tenhamos um deputado eleito.

DADOS

Durante os 5 meses em que não foram feitas atualizações de postagem o Blog recebeu, ainda assim, 13 mil acessos.

CONQUISTAS

Em meus retornos mensais a Assis vi, nos últimos meses, confirmarem-se conquistas anunciadas exclusivamente pelo Blog. As mais recentes delas são as franquias locais de Burguer King, da rede de hotéis Ibis e do Habib's. Não esquecendo, claro, do condomínio de alto padrão Dhamas. Isso, sem contar a novidade, agora, da bandeira Graal, que chegará no início de 2015 no trecho reformado da SP-333, na saída para Tarumã.

CONQUISTAS II

De todas as novidades, porém, tem gente que considera como sendo a maior conquista de assisenses em 2015 a linha São Paulo/Barra Funda>Assis no horário das 18h55, pela Andorinha. Para quem não sabe, antes os passageiros que descem em Assis tinham de pegar a linha São Paulo>Presidente Prudente, às 19h00, disputando os escassos lugares disponíveis com os prudentinos. Agora, os lugares do horário das 18h55 são exclusivos para quem desce em Assis.

BOCA NO TROMBONE

A professora Ana Maria Oliveira, do departamento de Literatura da Unesp-Assis, publicou no Facebook seu repúdio contra a empresa Andorinha. Ela, a exemplo de muitos passageiros, adquire as passagens online, no site da empresa. Nessa semana, a docente, que tem apartamento no litoral paulista, retornava a Assis e soube que sua passagem havia sido trocada para outro horário, sem nenhum comunicado prévio. Detalhe: não bastasse não ter sido avisada, Ana foi colocada em um ônibus que iria para... Ourinhos, saindo antes do que ela havia programado.

BOCA NO TROMBONE II

Ana Maria não estava indignada somente com a alteração de horário e de destino de seu ônibus. A professora da Unesp não se conforma com o fato de, nos últimos meses, os usuários de serviços online para aquisição de passagens rodoviárias no país serem obrigados a fazer ou refazer cadastro, informando, além de todos os números de documentos pessoais, endereços e telefones para contato. Logo, se a Andorinha tem essas informações, então por que não usou seu próprio banco de dados para informar à usuária sobre a arbitrariedade de alterar detalhes da compra efetuada?

SUSTO

A lorota de que os preços das passagens aéreas cairiam no país após a Copa do Mundo só enganou a trouxas. Faço uso quase mensalmente desse tipo de transporte, de Assis a Campina Grande, e nunca mais encontrei os preços praticados pelas companhias aéreas antes do Mundial de futebol. Como meu salário de professor de universidade federal não aumenta na proporção das passagens, tenho de fazer peregrinações para não inviabilizar meu projeto profissional. Por exemplo, se antes saía de Campina Grande e descia em Presidente Prudente ou Marília, agora tenho de ir a Recife e descer em Londrina.

SUSTO II

Mesmo considerado o meio de transporte mais seguro que existe, o voo em aeronaves reserva sustos. Dia 11 de novembro saí de Recife a São Paulo no voo 9933 da Gol, às 6h10. Era uma terça-feira e eu havia pago R$ 227 pela passagem. Pela Azul, saindo de Campina Grande, esse valor iria para R$ 1.040,00, ainda assim descendo em Viracopos, Campinas. Mas, não é a esse susto que me refiro.

SUSTO III

Quando o piloto havia comunicado à tripulação sobre o início do procedimento de aterrissagem no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, o Boeing 737 deu uma sacolejada parecida com turbulência. Mas, que turbulência seria aquela se estávamos próximos ao solo e em movimento de descida? Mais alguns segundos e uma 'turbulência' ainda mais forte, causando a sensação de termos, todos, sido jogados ao ar, como se a aeronave passasse imageticamente sobre um obstáculo.

SUSTO IV

Já em solo, muita demora para a liberação dos passageiros e a estranha sensação de que poderia ter havido algo errado na aterrissagem. Até que o piloto comunicou a todos o ocorrido: uma aeronave havia cruzado a nossa frente a uma distância perigosa, sem que os comandantes de voo nada pudessem fazer. Ou seja, mais um desses quase acidentes que nunca chegam à tona e resumem-se a laudos de avaliação do Cindacta, órgão do Ministério da Aeronáutica responsável por investigar incidentes aéreos em território nacional.

SUSTO V

Via Facebook, no trânsito entre Cumbica e a Barra Funda, acionei o assisense Daniel Bergamasco, editor de Veja São Paulo, sobre o ocorrido. O jornalista, que cobriu, entre outros episódios famosos, a queda do Airbus da Tam, em Congonhas, na década passada, manteve contato com as fontes primárias mas, pelo visto, nada foi formalmente confirmado sobre o episódio. Eis, pois, um exemplo prático do abismo existente entre fato e notícia quando o assunto é a comunicação enquanto edição da realidade. Não sabemos, pois, praticamente de nada sobre o que realmente ocorre nesse mundo. E o que sabemos, óbvio, é editado.

SEM CHANCE

A Azul refez, realmente, sua malha aeroviária nacional no mês de novembro. A companhia aérea trabalhava com a possibilidade de instalar um voo em Assis, para desafogar principalmente Londrina e, ainda, ter um plano B para eventuais faltas de teto para descer em Bauru e Marília, circunstâncias em que os passageiros são, muitas vezes, forçados a descer em Rio Preto ou mesmo Prudente. O Novembro Azul, porém, contemplou outras cidades. Assis, com aeroporto politicamente medíocre, que é a cara da força política da cidade, continua fora dos planos.

ATRASO

Com estádios cada vez mais abandonados por suas prefeituras, cidades do interior de São Paulo não conseguem se enquadrar nos padrões exigidos pela Federação Paulista de Futebol e, assim, perdem a condição de sede do mais importante torneio de futebol juvenil do país, ou seja, a Copa São Paulo. Anualmente, em dezembro a Federação sai atrás de cidades que possam substituir aquelas cujos estádios estão vetados.

ATRASO II

Assis foi sondada por mais de uma vez, nos últimos anos. Em 2014 não foi diferente. Seria, pois, a chance de Atlético Assisense ou Vocem disputarem a Copa São Paulo, condição que é propiciada pela cidade-sede. Tudo esbarra, porém, no eternamente inacabado Estádio Tonicão. Anunciado como 'reformado' no início desse ano, o velho "Antônio Viana Silva" não atende aos pré-requisitos exigidos pela Federação. Vergonha municipal um estádio sem cobertura de arquibancada e com sistema de iluminação que nunca fica pronto. Isso, fora outros detalhes estruturais inconcebíveis.

ATRASO III

É nesse momento que volta à tona a necessidade de cobrança dos deputados que, eleitos, tiveram votos em Assis nas eleições de outubro passado. Lanço o desafio e comprometo-me a ajudar a pagar os custos de um banner que deveria ser fixado na entrada do estádio Tonicão, com os nomes de todos os deputados federais e estaduais que receberam a confiança do eleitorado de Assis. Ora, se reformar completamente o Tonicão custa R$ 10 milhões, que esse valor seja rateado entre essas dezenas de paraquedistas que só aparecem uma vez a cada 4 anos na cidade. E que a nota de cobrança seja enviada aos coordenadores de campanha que representaram esses estrangeiros até outubro passado.

DA CASA

O ligeiro Rafael Palma Tomilheiro, o Rafinha, revelado no Clube Atlético Assisense, passou semanas em férias em Assis no final de novembro. Jogando no Trang FC, na Tailândia, o jogador trouxe a namorada, Gemma, para a família conhecer. Recebeu um presente meu, que na realidade é uma retribuição a outro presente que recebi. Explico: quando Rosana, mãe de Rafinha, foi visitar o filho na Tailândia, no meio do ano, trouxe, pra mim, uma camisa oficial do Trang FC, enviada por Rafinha. Via Facebook, ofereci ao jogador, como retribuição, uma camisa de Treze ou Campinense. A opção, dele, foi por um uniforme de treino do Treze, clube onde Fabinho, amigo seu, disputou a temporada 2014. Rosana foi à Tailândia acompanhada da filha, Luisa, namorada de meu filho, Júlio César. Daí a relação familiar de amizade.

VOO ALTO

Aqui em Campina Grande o meu Campinense já fez a apresentação de elenco e comissão técnica para a disputa da temporada 2015. A Raposa já conhece seus adversários para a disputa dos principais torneios do primeiro semestre do ano que chega. Pela Copa do Nordeste estreia contra o Bahia, na Arena Fonte Nova, no início de fevereiro. No mesmo mês, dia 26, recebe o Grêmio pela Copa do Brasil. Alemão, zagueiro que teve passagem, entre outros clubes, pelo Marília, na década passada, continua no time. Ele e outros 21 atletas foram apresentados em almoço por adesão no sábado, dia 6.

GESTÃO

Compus chapa e, no conjunto, fomos eleitos com 96% dos votos válidos para formar o novo corpo administrativo da Unidade Acadêmica de Arte e Mídia da Universidade Federal de Campina Grande. Com os trâmites formais em andamento, é prevista para fevereiro a posse de nosso grupo. Com isso, assumo a coordenação do curso de Comunicação Social>Educomunicação da UFCG, junto com o docente Diogo Lopes. Cá estou, efetivo, desde abril desse ano.


TUDO BEM

O neurologista Luiz Zanini recupera-se, e bem, de saúde. Um dos profissionais mais competentes que conheci e entrevistei em Assis, dr. Zanini é, também, um dos mais ecléticos torcedores de futebol da cidade. Por décadas compôs o banco de reservas de Vocem e Atlético Assisense, em trabalho voluntário. Está, entre outros, sob os cuidados do amigo de medicina Eduardo Andreghetti.

CÁ ENTRE NÓS...

... que tal a Câmara Municipal de Assis excluir de seu orçamento, para 2015, os mesmos R$ 370 mil que 'sobraram' em 2014?


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

SEGUNDONA BRAVA - O Esquadrão voltou. E eu, também


Cláudio Messias*

Em 2015 eu sou Vocem. Clube com planejamento, situação burocrática regularizada e esclarecida. E muita, mas muita vontade colocar Assis, definitivamente, na Série A-3.

Mantenho minha posição de não torcer contra times de Assis. Em 2014 declarei meu apoio ao Atlético Assisense, o Falcão do Vale. Ingressos falsificados, situações de gestão extremamente complicadas e, a meu ver, um amadorismo que desrespeitou diretamente a mim, torcedor, fizeram-me desacreditar do sonho.

Sonho, como assisense, ver minha cidade escalando as Séries A-3, A-2 e, enfim, chegando à A-1. Impossível? Creio que não. O Marília Atlético Clube é prova disso. Está na elite do futebol paulista em 2015, mesmo com dificuldades financeiras extremas. Lá, dificuldade não combinou com gestão não profissional. Foi, pois, o profissionalismo que devolveu o orgulho maquiano de figurar na Primeira Divisão.

Não presto contas nem esclareço nada a ninguém por minha mudança de opção para 2015. Não mudo nem apago uma linha do que escrevi em 2014. Jornalista que sou, fiz prevalecer fatos. Coloquei-me e continuo colocando-me à disposição de quem quer que seja para, via judicial, ser contestado em tudo o que escrevi sobre a Segundona 2014.

Não troco o Atlético Assisense pelo Vocem. Hoje, agora, neste exato momento, acredito no projeto que vejo. Talvez contrariando a vontade de muitos, meu reencontro com Edson Fiúza, o troglodita, transcorreu como sempre transcorreu. Com equilíbrio, esclarecimentos e um consenso: o futebol de Assis é mais importante do que as pessoas. Presidentes são anéis, Atlético Assisense e Vocem são dedos. As instituições têm história muito mais importante do que seus gestores. Afinal, foram e são os gestores que ora erguem, ora rebaixam a reputação das agremiações.

Sentados a uma mesa, no clube em que somos sócios em comum, eu e Fiúza dialogamos, sob o testemunho de membros da diretoria mariana. Naquela noite de novembro soube, da boca do presidente, sobre o estágio, à época, de 90% de chance de contratação daquele que, a meu ver, como cronista esportivo com três décadas de estrada, mas muita estrada, é o principal técnico a passar por Assis depois de Zaparolli: Sérgio Caetano. Zaparolli eu acompanhei como torcedor ainda jovem; Sérgio Caetano, cobri como jornalista esportivo. Um técnico que reverteu inúmeros resultados no intervalo, em 2004, mexendo em três peças principalmente no meio-campo. Somente Tite, em 2012, e Mano Menezes, em sua primeira passagem pelo Corinthians, mostraram essa suficiência, em patamares totalmente distintos.

Disse isso a Fiúza e seus parceiros de gestão. O Vocem colocou a primeira mão na taça da Segundona 2015 quando contrata Sérgio Caetano. Vejamos, pois, que não estou falando apenas em acesso, uma vez que sobem quatro agremiações. O novo treinador não vem barato, custa caro. Mas, o que vejo é um planejamento de futebol que jamais testemunhei em Assis desde que comecei a frequentar os jogos do time Mariano no estádio da Ferroviária, trinta anos atrás. Talvez, as gestões que tiveram figuras como Pedro Buzarosco e Paulinho Calçados possam equivaler ao que está sendo feito hoje. Vocem com o planejamento de Sérgio Caetano é candidato ao título.

Continuo aqui, em Campina Grande, na Paraíba, acompanhando o futebol de Assis a uma distância de 2.800 km. Sou atualizado por meus amigos e sei que o movimento rumo à Série A-3 é forte na cidade onde está minha família. Não estão esperando o ano começar para viabilizar os trabalhos. Pelo contrário, pelo jeito teremos jogadores e comissão técnica plenamente formados e comendo peru de Natal sabendo da seriedade do compromisso que é colocar o Vocem no lugar em que a injustiça histórica impediu que chegasse, qual seja, a elite do futebol paulista.

Sou de um tempo em que jogadores como Marco Brasil, narrador de rodeios que ficou mais famoso nas arenas de montaria do que nas defesas que fez como goleiro do Dracena na década de 1980, relataram para mim, anos depois, o temor que tinham de ir a Assis. Havia dois adversários: o time de jogadores e a torcida. "Vou a Cem Por Hora", entre outras organizadas, apoiavam o Esquadrão da Fé por muito mais do que 90 minutos. Não éramos o melhor time, mas, não tenho dúvidas, éramos o melhor conjunto na tríade time-torcida-inferno. Apavorávamos.

Encomendei minha camisa do Vocem e a pego dia 21, quando retorno, em férias, a Assis. Visto a camisa do clube que frequentei e defendi na adolescência. Não desfaço da camisa do Atlético Assisense, muito menos a deixo de vestir. Queria, e muito, sorrir por completo vendo Esquadrão da Fé e Falcão do Vale subindo para a Série A-3 no ano que vem. Não vendo, contudo, ilusões. Planejamento é tudo. E é planejando e jogando limpo que o Vocem trilhará esse caminho. Está trilhando.

Já há ecos sobre o trabalho antecipado que a diretoria do Vocem está fazendo. Meus contatos de imprensa esportiva e da política do futebol paulista mantêm contato perguntando se procede tamanha especulação de que tudo está se resolvendo com antecedência de pelo menos 40 dias na comparação com o que as demais 45 agremiações que pleitarão disputar a Segundona 2015 estão fazendo. Sim, eu desaponto alguns, mas agora digo que sim, o Vocem está 100% limpo em comparação à turbulenta fase do início de 2014. Tem uma diretoria plena constituída e, na contramão da realidade da maioria absoluta dos demais clubes, já não sabe onde colocar tantas marcas de empresas interessadas em, na forma de apoio, explorar o marketing daquela que é uma das mais fortes marcas da história do futebol do Brasil.

Dou meus pitacos e proponho aos amigos que estão na diretoria a ousadia de investir em ações como as que fazem dos clubes da elite grandes marcas esportivas. Sócio-torcedor é uma dessas ações. Há uma Nação Mariana no mundo, e não só em Assis. Comprovação disso são as encomendas de camisas oficiais feitas por assisenses que estão morando em outros países. Em uma semana esgotaram-se 80 unidades do manto mariano em um grupo criado pelo competente marketeiro Beto Credin, o palmeirense mais insuportável do chiqueiro. Tem muito clube que não vendeu isso no ano inteiro.

De minha parte, torço até o fim. Quero ver o Vocem na Série A-3 de 2016. Que ninguém se passe por enganado, desde já, pois agora há motivos de sobra para elogiar, e quando necessário for criticar, não tenha-se dúvida de que o farei. Torcedor é uma coisa, cronista esportivo é outra. Em Assis, a Sucupuira do Vale, tem muito ignorante que não sabe separar isso. O que, por sinal, em nada me preocupa.

2015, o Ano do Esquadrão.

*Professor universitário, historiador e jornalista, é doutorando em Ciências da Comunicação na ECA-USP.

terça-feira, 8 de julho de 2014

EU, DA POLTRONA - O significado amargo de "fomos tarde"

Cláudio Messias*

Você, raro e exceto leitor, é testemunha de minha ausência por esses dias de disputa do Mundial de futebol no Brasil. Bendito foi o momento em que mudei-me de apartamento (e de região da cidade, em Campina Grande), fique sem internet e forçadamente rompi o protocolo de acordos de colaboração para falar sobre meu pessimismo sobre a Seleção canarinho. Ainda assim, o pouco que postei ainda causou indignação, principalmente de brasileiros que, fora do continente americano, viviam mais arduamente a utopia do melhor futebol do planeta.

Sim, errei em meus prognósticos. No primeiro bolão em que entrei furei 60% dos resultados que chutei na Primeira Fase da Copa. Não tinha dúvidas, contudo, que o Brasil passaria para as Oitavas. Apenas apostei, errado, na Croácia, que continua, a meu ver, em condições de ter feito mais que o México no decorrer do torneio. Mas, isso é um passado mais longínquo e menos tenebroso do que as últimas horas para a história do futebol brasileiro. Estou citando isso, apenas, para ratificar o que venho dizendo desde as Eliminatórias: a Alemanha é, hoje, a melhor Seleção do planeta.

Tivesse a Fifa mudado o regulamento e a política de hospitalidade e valorização do anfitrião e a Seleção Brasileira sequer teria, sob o comando de Felipão, classificado para a Copa que o Brasil hoje sedia. Desde 2002 que digo que o nosso quinto título mundial foi trazido por Ronaldo e Rivaldo, contrariando a vontade de Felipão. Esse técnico é muito ruim, e sempre foi. Construiu uma história no Palmeiras, todos sabemos, mas também determinou o caminho desse meu rival rumo ao segundo rebaixamento, juntamente com Murtosa. Mas, criticar técnico da Seleção é muito fácil; quero ver convocar um time, treiná-lo com suas vaidades e leva-lo ao apogeu do universo boleiro. Nada demais, pois é isso o que o comedor de nhaca de nariz está fazendo com o elenco alemão, e há 6 anos.

Nesse momento, os 65 mil torcedores que vaiaram e hostilizaram Dilma na abertura da Copa, no meu Itaquerão, devem um pedido de perdão. Quem tinha de ser mandado tomar no c* é Felipão. Só que naquele momento a utopia do hexa era mais forte. Melhor atingir quem investiu na infraestrutura da Copa, viabilizou o maior e melhor torneio de toda a história, a colocar em xeque o trabalho de um técnico que foi campeão da Copa das Confederações, aquele torneio que só perde em importância para o campeonato de Solteiras x Casados, realizado, via de regra, em dezembro, sob muita cachaça.

Ninguém viu, mas a Seleção, a cada vez que entrou em campo, começou os jogos perdendo por 1x0. Perdia para as demais seleções que, como a Alemanha, mantiveram, desde antes da Copa de 2010, um planejamento. Ricardo Teixeira pode ser o que for, e o é, mas num momento de ausência de soberba e imperialismo, tirou Mano Menezes do Corinthians, segunda opção a Murici Ramalho, e iniciou o planejamento da Copa de 2014, no Brasil. Mano ganhou autonomia para iniciar a renovação de uma Seleção recém-eliminada pela Holanda, na África do Sul, sob iguais questionamentos sobre a competência de um treinador, naquela ocasião, Dunga.

Mano só não convocou a mim para jogar e, assim, testar a Seleção. Na busca pela renovação, filtrou craques. Primeiro, ouviu o clamor nacional pelo nome de Neymar. E foi coerente, pois Neymar, sob o comando de Mano, tinha a seu lado o jogador que igualmente debutou para o universo futuros dos melhores do mundo na arte de jogar futebol, ou seja, Ganso. No ataque, Hulck, Leandro Damião, Pato, assistidos por Ronaldinho Gaúcho, Lucas e Kaká. Desses, só Neymar e Hulck foram para a Copa. E as opções de banco mostraram, até hoje, o fraco Bernard e o péssimo Jô, que até brilharam pelo Atlético Mineiro campeão da Libertadores de 2013, só que comandados por um Ronaldinho Gaúcho preterido por Felipão.

A troca de Mano por Felipão é de inteira responsabilidade de José Maria Marin. Parte da quadrilha da CBF, ele quis dar pompas de honestidade ao trocar os treinadores e, assim, tentar, em vão, apagar a relação hierárquica e corruptamente genética que tem com Ricardo Teixeira, o capitão do time que o levou à Confederação. Não canso de relembrar o episódio público mais impactante de Marin, qual seja, o furto de uma medalha da Copa São Paulo de Futebol Jr., quando integrava a diretoria da Federação Paulista de Futebol. Aliás, por coincidência, Marin está sendo sucedido, na CBF, por Marco Polo Del Nero, que presidiu a eternamente suspeita FPF durante longo império.

Marin tirou Mano e colocou Felipão, anunciando o retorno do treinador como salvação do trabalho que visava dar ao Brasil o hexa, dentro de casa, corrigindo 1950. Alguma dúvida, agora, de que pioramos 1950. Antes, a história registrava 1 Barbosa. Agora, é uma delegação inteira de Barbosa. E Felipão Barbosa vem a público pedir desculpas e assumir o erro. Ora, que erro¿ E se houve erro e consciência desse erro, por que nosso time, perdendo por 5x0, não passou por alterações nos 45 minutos iniciais¿ Ou estou enganado quando vi Felipão tirar Neymar, contra Camarões, a menos de 15 minutos do segundo tempo¿ Sim, ele faz alterações quando necessário. Só não fez quando o leite derramou. Fique, Felipão, com suas desculpas para ti, seu fraco e péssimo!

Que me chamem de pessimista, sim, pois quando arrisquei palpites em bolões não coloquei o Brasil sequer como finalista nessa Copa. Estranhei termos passado das Oitavas, com a sorte de pegar um Chile apenas razoável. Nas quartas, passamos pela Colômbia, outro Sul-americano azarão. Opa, impressão minha ou só pegamos latino-americanos azarões¿ Vencemos a Croácia no mais árduo combate da Primeira Fase, depois de sairmos em desvantagem no placar. Depois, só babas, e ainda assim tropeçando para não passar carão antes da hora.

A hora da vergonha chegou na véspera da festa. Quem viu aos jogos mais decisivos desse Mundial sabe que a Argélia é muito mais time do que o Brasil. Os argelinos foram os únicos adversários que enfrentaram a Alemanha em condições de igualdade. Tudo bem, a França também foi osso duro de roer. Mas, a Argélia chegou a ameaçar a classificação alemã, não fosse o excelente goleiro Neurer. Na etapa complementar os argelinos estavam com cãibras, mas nem por isso deixavam de marcar a Alemanha no campo dela e, na primeira oportunidade, finalizar. Perderam por suados 2x1, com os jogadores alemães, após o apito final, deitados ao chão e, em vez de comemorar, esticando os nervos das pernas, tamanho o sufoco sofrido.

Nessa semifinal o Brasil de Felipão perderia com Neymar e Tiago Silva. De repente, outro 2x1 a favor da Alemanha, mas bola por bola, o futebol agradece que os alemães estejam na final. O forte sistema de marcação pelo meio de campo impediu que a bola chegasse aos atacantes brasileiros. Em contrapartida, o fraco meio de campo do Brasil deu folga e excesso de liberdade ao setor de criação da Alemanha, cujo ataque chegava a todo momento nas costas da confusa linha de zaga brasileira. Coloquemos as três defesas de Júlio César no jogo e entendamos que poderíamos ter perdido por 10x1.

Nada tenho contra os argentinos e, na prática, só não os quero passando fome. Mas, nessa de o futebol agradecer, a Holanda é mais seleção para enfrentar a Alemanha. Se a Argentina passar amanhã, antecipem o Oktober Fest. E se der Alemanha x Holanda, preparemo-nos para ver a melhor final de Copa da história. Duas seleções que jogam um futebol pragmático, às vezes chato, porém muito eficiente. Igual ao Brasil que papou os títulos de 1994 e 2002 sem ter um futebol brilhante. Ou alguém vai me dizer que o Bayern, hoje, tem o mais belo futebol do mundo¿

Desisto de falar mais da Seleção, pois é chover no molhado. Cada um tem sua opinião sobre o desastre de 90 minutos. Minha opinião, que está acima, advém de um ano e meio de angústia de ver um técnico limitado assumir a Seleção. Mano Menezes também é limitado, mas não perderia por 7x1. Pelo contrário, tanto ele quanto Tite ou Murici Ramalho armariam uma Seleção fechada contra a Alemanha. Se não tomássemos gol, hoje, o mínimo que ocorreria seria levar a decisão para as penalidades, já que nosso meio de campo é imaturo e nosso ataque sempre teve Fred, o poste. Teria muito a falar sobre essa entrada forçada de Fernandinho, que foi o jogador que mais falhou nessa terça-feira. Seria igualmente em vão, pois a carniça estaria a ser chutada.

Dias atrás vimos a Holanda surpreender o mundo ao trocar de goleiros para, após uma densa prorrogação, decidir vaga nas penalidades. Naquele momento, a troca significou os imprecisos 50% de chance de dar certo, 50% de chance de dar errado. Felipão, contra a Alemanha, foi 100% de passividade sobre a superioridade adversária. Quando acordou, já tinha entrado para a história. E da pior forma possível. Logo, guarde para sua biografia, Felipão, o lamento pelo selo de incompetência total.

*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

sábado, 28 de junho de 2014

EU, DA POLTRONA - Felipão, pede para c*g@r e saia

Cláudio Messias*

Você, raro e exceto leitor, é testemunha de meu silêncio. Há exatas três semanas nada posto aqui no blog. Não, necessariamente, por motivos relacionados a Copa do Mundo. Mais precisamente, uma tentativa de livrar minha identidade blogueira do viciante universo do futebol. Não deu. Felipão fez romper o silêncio. Do jeito que está, não dá.

Antes de entrar nos pormenores, vou nos pormaiores. Primeiro, Hulck foi o melhor jogador em campo contra o fraco, mas muito fraco Chile. Que vergonha do Válter, o espanhol, vendo esse medíocre Chile nas oitavas e a Fúria, atual líder do ranking mundial de Seleções, desembarcando em Madrid. Sorte do bigodão sulista, que preferiu vencer Camarões a enfrentar a laranja holandesa. Fosse a Holanda, hoje, e agora estaríamos chorando o suco de laranja derramado.

E, nesse ínterim, que fique registrada a pífia participação da torcida mineira. Meia dúzia de chilenos fez mais barulho do que a ampla e massacrante maioria que, quando muito, cantou o chato e ridículo “eu sou brasileiro com muito orgulho e muito amor”. Pelo amor de Deus, virem o disco dessa merda. Sou brasileiro, tenho orgulho, tenho amor, mas, também, tenho ódio dessa forma única de apoiar a Seleção nas arquibancadas. Que cantem “Brava gente, brasileira, longe vai temor servil...”. Pelo menos, cantaremos nossa comprovada independência do resto do mundo. Nota zero à mineirada, que não perde uma oportunidade de mandar São Paulo tomar no c*, mas vê a paulistada ao menos apoiar a Seleção com mais repertório, assim como o fizeram os cearenses, etc... Quando muito, o Mineirão – pasmem – esbravejou um “eu acredito”. Não, eu não acredito na saída de Felipão, única alternativa para mudar tudo, começando pelo que decidiu o ladrão de medalhas Marin.

Agora, dentro das quatro linhas, o que vi hoje foi a mesma Seleção que venho criticando, aqui, no blog, desde a transição de eras Mano Menezes>Felipão. Quero que um santo torcedor me diga onde está o meio-campo de criação dessa Seleção que está disputando a Copa. Mano tinha Ganso e Ronaldinho Gaúcho. Ah, tá... Felipão tem Oscar. E cadê Oscar contra o péssimo Chile? Sim, a opção seria William.  Ok, William não fez nada na prorrogação e ainda errou uma penalidade de forma infantil, amadora. E a alegria das pernas de Bernard está no meio das pernas de Bernard, para Felipão.

Um festival de incoerências fez o Brasil passar para as quartas de final nessa tarde de sábado. Nós, torcedores, carregamos no rosto o sorriso de velório, naquelas piadas contadas à margem do defunto já em decomposição e só esperando o sepultamento. Comemorar o que com um futebol que tem Jô, o enganador, no ataque. Felipão deve ser míope e, ano passado, confundiu a negra pele de craque de Ronaldinho Gaúcho com a negra pele de perna de pau de Jô, no Atlético Mineiro. Chamou o mais alto, o maior, pois tamanho, no prazer do nosso técnico, parece fazer tanta diferença quanto a alegria que isso proporciona através do meio das pernas.

Parece-me que até ontem Felipão, o burro, tinha dúvidas se colocaria Paulinho, titular, ou Fernandinho, que com sorte fez um gol contra os ‘perigosos’ Camarões. Optou pelo segundo, mas, quando viu que não daria certo, trocou esse por... Ramires. Oras bolas, o que foi aquilo? Se Fernandinho substituiu Paulinho e não deu certo, por que entrou Ramires? E o que fez Ramires no jogo todo quando esteve em campo? Respondo: somou-se a Jô e apenas esboçou um esforço para mudar a realidade em que o Chile, rezando pelas penalidades, administrou o jogo com – pasmem – mais de 60% de posse de bola.

Continuo advertindo que desde a convocação para a Copa Felipão olha para o banco de reservas e vê mais-do-mesmo. Se tira Fred, coloca Jô. Se sacrifica Oscar, coloca William. Se tira um volante, coloca Ramires ou Hernandes. E quando não tem um meio de campo criativo, talvez recorde-se que deixou Ganso, Lucas e Ronaldinho Gaúcho fora de sua lista. Sorte nossa que David Luiz, o ídolo, sobressaiu-se à lesão e entrou em campo, livrando-nos do risco de ver Henrique entrar. Sim, o Felipão de hoje corria o risco de colocar Henrique e não Dante.

O resultado disso tudo pôde ser visto imediatamente após as cobranças de penalidades. Basta olhar as imagens para ver que os jogadores titulares e reservas correram para o centro de campo para comemorar a vergonhosa vitória nos pênaltis sobre o choroso Chile. Ninguém, mas absolutamente ninguém foi abraçar, primeiro, Felipão ou sua bola esquerda chamada Murtosa. Parreira, com aquele sorriso plastificado, ficou com cara de bobo procurando mariposas por abraçar.

Agora, chegou o momento que eu aguardava para essa Copa. Repito, entrei na rotina de reativação do Blog antes, por não suportar essa fraqueza da nossa comissão técnica. Minha intenção era voltar exatamente nas quartas-de-final, uma vez que muito antes do início da competição eu já imaginava que desse estágio não passaríamos. Triste ver a Seleção anfitriã assistir a uma festa de meia dúzia de chilenos em um Mineirão calado. Hoje, torcida e jogadores foram farinha do mesmo saco. Apáticos, sem sangue nos olhos. Nem vou entrar no detalhe de Valdívia, craque, ter ficado no banco e sequer aparecer nos relacionados adversários, o que poderia ter feito a diferença.

Seria acreditar demais que um técnico jogasse a toalha em plenas oitavas de final e deixasse uma Seleção que representa o país que sedia um mundial de futebol. Como isso, eu sei, não vai acontecer, fica aqui a utopia de acreditar que haverá uma mudança significativa. Basta olharmos e vermos quem são nossos destaques no jogo de hoje. Júlio César está quites com o orgulho nacional 4 anos depois, da mesma forma que Hulck, o verde, correu por 9 jogadores de linha nos 120 minutos em que a bola formalmente rolou. Neymar, esforçado, joga isolado e não recebe a bola com qualidade. Seu colega de formação no Santos, Ganso, foi preterido pela comissão técnica, mesmo sendo um dos melhores meias do futebol mundial na atualidade.

Definitivamente, agora entendo que em 2002 foram Ronaldo e Rivaldo que nos deram o penta. E se depender de Felipão e sua comissão técnica, daremos vexame contra Colômbia ou Uruguai. Temos time, temos técnica, mas não temos comandante à altura de um título importante como o de uma Copa do Mundo realizada em nossa casa. Fora, Felipão. E depois não me acusem de oportunismo na crítica, pois por mim o comando ainda estaria com Mano Menezes. Jamais me iludi com a Copa das Confederações nem com as incoerências desse comando das camisas amarelas.


*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.