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domingo, 30 de junho de 2013

EU, DA POLTRONA - Seleção já começou vencendo no canto do Hino


Cláudio Messias*

Fácil, agora, falar que a Espanha encontraria dificuldades para tocar a bola contra o Brasil. Também, dizer que o predomínio espanhol absoluto não ocorreria. Mais difícil, ainda, antever que Felipão repetiria contra a Espanha o que já tinha feito contra a Itália na fase de grupos dessa mesma, e já encerrada, Copa das Confederações.

Vi na Seleção de Dunga um Daniel Alves jogando como volante, naqueles três anos de preparativos para a Copa da África do Sul. Às vezes, no Barcelona, o lateral brasileiro também joga assim, mas é difícil analisar por essa ótica, pois naquele time até goleiro não tem posição fixa. Hoje, contra a Espanha, Felipão precisava de um jogador que fechasse pelo meio, na frente, com competência de marcador. Assim é Daniel Alves.

Jogador que faz o que Felipão pediu a Dani Alves nesse domingo não aparece na tela da TV. Mas, destaca-se nas estatísticas. Não as vi ainda, mas não tenho dúvidas de que Daniel Alves foi um dos que mais tocaram na Cafusa durante os 90 minutos. E, o que é melhor, quando a Espanha se fechava para os toques rápidos do Brasil, quem surgia aberto e com espaço pela direita? O próprio Daniel.

Fazer um gol logo a dois minutos desestrutura qualquer time. Até o melhor time do mundo. Ou melhor, ex-melhor do mundo. Comentava com amigos desde quinta-feira que, pra mim, a Espanha tende a despencar do topo até onde chegou. Nesse ínterim, tivesse o Brasil feito um gol a mais e, com 4 a 0 inquestionáveis, confirmaria o placar que nesse primeiro semestre de 2013 encerrado exatamente no domingo, dia 30 de junho, sepultou a hegemonia espanhola de Barcelona e Real Madri diante, respectivamente, de Bayern e Borussia Dortmund.

A Espanha volta ao lugar das seleções internacionais que jogam futebol burocrático. Eles não têm um gênio e carecem disso para confirmar o que Real Madri e Barcelona fazem pelos mais ricos e importantes campeonatos de clube do planeta. Por quê? Simples. Porque Cristiano Ronaldo é português e Messi, argentino. Os melhores jogadores do mundo, pertencentes aos melhores clubes do planeta, não têm naturalidade da melhor seleção do universo na atualidade. Daí ser questão de tempo a queda da máscara espanhola.

Na Eurocopa do ano passado eu fiquei indignado. Vi a Espanha enfiar os 4 a 0 que o Brasil podia ter repetido hoje. E em uma Itália que, pra mim, era melhor que a Espanha um ano atrás. Disse isso, aqui, após o jogo de quinta passada. Iniesta e companhia são, sim, comportados, porém pragmáticos demais para o meu gosto futebolístico. Não tinha dúvidas de que Neymar, Huck e Oscar brilhariam hoje e, com isso, clareariam Fred. Melhor que isso, todos jogaram perfeitamente bem, em harmonia. Até Luiz Gustavo, o homem que balbucia, e não fala.

Muitos não acreditavam que a Seleção não chegaria até onde chegou. Não me incluo nesse grupo, nem naquele que acreditava que o Brasil seria campeão da Copa das Confederações, em cima da Espanha. Minha crítica ficou, nessas três semanas de futebol de excelente qualidade, em alguns vícios táticos de Felipão, e na sua teimosia de apostar nos Luis Gustavos da vida. Deu certo, parabéns a ele, mas ainda há detalhes a resolver. Daqui até a Copa do Mundo, em 2014, esse time tende a passar por modificações. Mas, o mais importante, nós temos: a base. Estávamos havia 3 anos sem uma base, um referencial. Quando Mano Menezes começou a dar cara nessa Seleção, caiu. E o que Felipão fez foi manter 95% do time que Mano transformou em barro. As mãos de Felipão moldaram esse barro. O resultado é mais uma taça na galeria de títulos.

De uma coisa, contudo, eu não tenho dúvidas. Tudo começou, a cada jogo, nas arquibancadas. Em todos os jogos da Seleção nessa Copa das Confederações a torcida não interrompeu o Hino Nacional, compactado pelo padrão pobre da Fifa. Talvez reflexo do clima de cobrança que o país passa na atualidade, a massa cantou o que há de mais sagrado desde a nossa Independência enquanto Nação. E esses jogadores, que vão pra fora e conhecem a mordomia e retornam, em férias, para deparar com o caos, sentiram a força das ruas. Sabiam que o momento era esse e que a hora de mudar tudo havia chegado. Atenderam recomendação da Fifa uma vez, contra o México, mas já contra a Itália todos mantiveram-se abraçados, cantando o Hino da terra onde nasceram. Emocionei todas essas vezes, pois também fui um dos milhares de pais de família que levaram justamente a família às ruas, em protesto, por esses dias.

Nunca, antes, o mundo havia visto o que a torcida brasileira protagonizou sob a lente das câmeras hegemônicas da Fifa. Ficou claro o recado, no grito de um Maracanã lotado: "o campeão voltou". A torcida do Corinthians cantou isso quando do retorno do time à Série A, em 2009, depois de passar um ano na Série B. E o Corinthians, hoje, agora, nesse momento, é o atual campeão do mundo, depois de deixar perplexos japoneses e demais estrangeiros com o comportamento de sua torcida, nas arquibancadas, em dezembro passado. Sim, um brasileiro é o atual campeão do mundo até dezembro. A continuar essa trajetória dessa Seleção, que agora é um grupo, e em 2014 ninguém tira daqui a taça de campeão. Sim, vamos com calma.

Nesse aspecto, repito, Felipão mostrou-se diferente de Mano Menezes, e tenho de engolir a seco isso. Mano, tal qual Dunga, estava deveras preocupado com ternos de corte de luxo, imagem que carregava para o banco de reservas. Havia a sensação de que ter perfume demais, e suor de menos. A Seleção de Mano Menezes Traje Fino era composta por praticamente os mesmos jogadores de base atuais. Contudo, não era um grupo. Felipão tem Parreira do lado e Murtosa. Se são os três juntos, eu não sei. O que sei é que essa comissão técnica não proíbe nem seleciona jogadores para entrevistas, é cordial com jornalistas e dá autógrafos a fãs em hotel. Dunga impedia isso. Mano não proibia algumas coisas, mas, em contrapartida, os jogadores também não o faziam. Felipão prende, mas solta. Tem, pois, o grupo nas mãos.

Foi a essa base que Felipão tornou-se campeão em 2002, no Japão. Tinha o grupo nas mãos, coisa que seu antecessor Zagalo não tinha. Hoje, Felipão reabre a contagem regressiva para uma Copa do Mundo com o maior índice de aprovação da história. Seria eleito presidente em primeiro turno, e com risco de chapa única. No país dos protestos, a massa ficou fora dos estádios e quando entrou, deu a cara ao mundo. Vaiou presidente, foi chamada de sem-educação por um canalha que preside a Fifa e não deixou de dar seu recado nem na formalidade da cerimônia de encerramento da Copa das Confederações. Jamais, nesses 5 jogos da Seleção Brasileira houve vaias a Felipão. Até Neymar, o craque da competição, ouviu vaias na estreia.

Não ouso dizer que o Brasil saiu favorito na corrida pela Copa de 2014, pois cá não estiveram Alemanha, a atual campeã da Europa na representação de Bayern e Borussia Dortmund, nem Argentina, nem Inglaterra. O que afirmo veementemente é que a Espanha perdeu a hegemonia. Estava faltando isso, para o bem do futebol arte. A Espanha líder do ranking de seleções era a reinvenção do futebol em testes de laboratório. A melhor fórmula para o futebol que enche aos olhos é aquela em que o jogador, quando toca na bola, já sabe, com antecedência de fração de segundos, o que fará com ela metros adiante. Nesse sistema, é o jogador o centro do universo. Na Espanha, o centro do universo é o sistema tático, tal qual no Barcelona. Lá, quem pensa é o técnico. No Brasil há 11 cérebros em campo.

*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

EU, DA CORNETA - Brasil só não pode levar final para os pênaltis


Cláudio Messias*

Aqueles que anunciaram durante um mês o espetáculo espanhol na Copa das Confederações esqueceram de avisar, com antecedência, a Itália. O que vi, hoje, foi uma Itália que fez jus à condição de tetra-campeã de Copas do Mundo e uma Espanha que experimentou esse feito somente uma vez. Confesso que tinha dúvidas da suficiência do futebol italiano, principalmente depois da final de um ano atrás pela Eurocopa. Dúvida, contudo, significa 50% de certeza de sim e 50% de convicção pelo não. Meus outros 50% de desconfiança recaíam sobre a prevalência, sempre, do futebol técnico sobre o futebol tático.

A Espanha, eu já disse aqui, tem um futebol pragmático. É dessa forma burocrática de jogar que o Barcelona dominou o cenário universal do futebol nos últimos anos. Falamos de um futebol Coca-cola, questionado por muitos, mas apreciado por todos. Ninguém sabe entender direito a fórmula do futebol espanhol, seja no campeonato espanhol, seja na UEFA Champions League. Ops... não sabíamos. A queda de Barça e Real Madri perante aos igualmente táticos e burocráticos alemães deu sinais de que a fórmula secreta da Coca-cola vazou.

Já vi uma Espanha com dificuldades na estreia contra o Uruguai, nessa Copa das Confederações. Fez 2 a 1, que poderia muito bem ser 1 a 1, pois o primeiro gol saiu na sorte, em falha lamentável da zaga uruguaia (gol contra de Lugano). E fosse aquele jogo de estreia uma partida com prorrogação e o Uruguai teria vencido, pois já na abertura os espanhóis mostraram que estavam cansados. E olha que nem ido direito à zona e levado as marias-chuteiras ao hotel eles tinham ainda. Chegar cansado de fim de temporada na Europa não era, aqui, exclusividade deles, pois as demais seleções tinham e têm, todas, jogadores que também brilham naquela constelação do futebol universal.

A partida da Espanha contra a Nigéria mostrou bem o quão volúvel é esse atual campeão do mundo e da Europa. Continuo, pois, questionando quem e em que condições é a pessoa que controle o tempo de posse de bola pela Fifa. Naquela derradeira partida da fase de grupos a Espanha não repetiu o sonolento toque de bola que faz dela um Barcelona com jogadores exclusivamente espanhóis. No primeiro tempo, principalmente, o forte e veloz elenco africano foi melhor, teve mais chances, pecando, contudo, pela ingenuidade de atacar em bloco e abrir as laterais para o contra-ataque letal da Fúria. Ali, enfim, vi falhas no sistema tático que tanta posse de bola dá aos campeões da Copa da África do Sul.

Com meia hora de hoje, em Fortaleza, Shakira aparecia mais no telão do Castelão do que o ataque espanhol na defesa da Itália. Segundo a Fifa, eram 6 chutes a gol da Itália, naquele momento, contra apenas 1 da Espanha. O fator decisivo para essa superioridade italiana, a meu ver, estava em um detalhes simples no mundo da bola: a técnica supera a tática. A Itália tem de tudo para disputar o título da Copa de 2014, sim, exatamente porque tem as mesmas qualidades do futebol brasileiro. Se tomou 4 na final da Eurocopa para essa mesma Espanha, é porque não conseguiu impor a sua técnica diante do burocrático sistema de compactação de espaços que os espanhóis conseguem fazer tão bem.

Houve um momento, na semi-final de hoje, que os italianos fizeram a bola girar com toques de primeira, rápidos, e com inversão perfeita de posições. Esse rodízio quem está acostumado a fazer é o time espanhol, apático perante a posse de seu feitiço. Azar da Itália Balotelli ter ido embora mais cedo da competição. Faltou a ousadia dele, que tem requintes de Neymar nas pernas e cérebro de Edmundo, o animal. A Itália, ousou, sim, mas não teve malícia, catimba. Tanto que a Espanha passou 120 minutos sem ceder o maior dos desejos italianos, que era uma falta nas redondezas da grande área, para a consagração de Pirlo.

No segundo tempo prevaleceu a gama de opções táticas que a seleção da Espanha tem na carteira. Sabendo do cansaço italiano os espanhóis compactaram no sistema 3-5-2 e, assim, deram a sonhada liberdade a Iniesta, com Xavi mais recuado. Naqueles momentos finais do tempo normal imaginei que Villa entraria, mas aquilo significaria abrir demais o espaço para as saídas rápidas que os italianos davam nos contra-ataques. Villa não sabe marcar e quando em campo faz reduzir o poder ofensivo de Iniesta, que tem de fechar o espaço aberto pelo meio.

Passada a prorrogação, momento desastroso do mundo do futebol - sou contra esse tipo de prolongamento da igualdade -, deu no que deu. Espanha e Itália não tinham mais fôlego, nem pernas, nem futebol. Mas, têm a qualidade que caracteriza técnica e taticamente o futebol europeu nos últimos anos. São excelentes batedores de penalidades. E quando a bola não entra, vai para fora a partir das pernas de um zagueiro. Castigo para a Itália sair dessa forma, mas o teria sido igualmente injusto se o episódio acontecesse com a Espanha, que tem nas costas o peso de ser a melhor Seleção do século até aqui.

Brasil e Uruguai vão para o Maracanã em vantagem sobre, respectivamente, Espanha e Itália. Os espanhóis chegam na final tendo jogado um dia depois dos brasileiros e, pior, tendo ficado em campo, sob calor de 34 graus, durante 120 minutos, além do estresse emocional das 5 penalidades convertidas em gol. Pior ainda para os espanhóis, que chegarão ao Rio de Janeiro igualmente quebrados e terão pela frente um Uruguai que não economiza nas pancadas.

Arrisco dizer que o Brasil ganha da Espanha, pois o futebol, defendo, tem uma lógica, sim, apesar de muitos a ignorarem. Cada jogo é um jogo, assim como uma coisa é uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Mas, vencemos,e bem, a mesma Itália que tanto sufoco deu na Espanha que encaremos na final. Se foi a técnica italiana o fator que rompeu a hegemonia pragmática da Espanha, técnica é o que não falta para essa jovem Seleção brasileira. Temo, sim, por alguns jogadores que me fazem colocar em xeque a formação que Felipão considera titular.

O contestável Luiz Gustavo é insuficiente para jogar e encarar a velocidade com que Xavi e Iniesta conduzem o meio de formação da Espanha. Ali, a meu ver, tem de estar Fernando, jogando ao lado de Paulinho e, assim, permitindo que este possa ser o elo de surpresa quando o trio Oscar>Neymar>Hulck partir em triangulação para encontrar Fred posto na frente, ora como centro-avante, ora como pivô mediador de distribuição. Na zaga, a luz amarela está acesa para a ainda imatura titularidade de David Luiz, que deveria ter um zagueiro mais experiente para auxiliar-lhe mas encontra um instável Thiago Silva, que nessa Copa das Confederações está falhando demais. Daqui até 2014 entendo que do meio-campo para trás tenha de ocorrer mudanças e mais testes e observações da parte de Felipão.

No ataque, pelo amor de Deus, será a velocidade e a explosão física de Lucas que fará de Neymar e Fred o pilar do sistema 4-4-2 que Felipão tanto tenta fazer dar certo mas que até agora não brilhou. Ele e muita gente continuam iludidos com Bernard, mas no segundo tempo contra a Espanha o Maracanã gritará, com certeza, o nome de Lucas. Velocidade é o segredo para penetrar nessa quadrada defesa espanhola, mas a individualidade prevalecerá. Nesse aspecto, já estou vendo as orelhas de Fred e Neymar ardendo pelas cotoveladas de Sérgio Ramos, um zagueiro sujo, desonesto e que apela para a pancada como forma de intimidação. Basta lembrar o que ele fez para segurar o polonês Lewandovsky, do Borussia Dortmund, pela Liga dos Campeões da Europa meses atrás.

Se for repetida a igualdade de hoje, entre duas seleções, na final da Copa das Confederações, a Espanha pode pegar a taça e levar para a galeria em Madri. Não temos batedores e abrimos uma exceção de conquistas nessa forma de disputa em 1994, e, ainda por cima, naquele sufoco que nos deu o tetra pelos pés de Baggio. Se a Itália não tivesse repetido o erro histórico de Baggio, hoje, a decisão da vaga na final de domingo estaria sendo disputada até agora, pois a Espanha simplesmente não erra cobranças de penalidades.

*Professor univerrsitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

EU, DA POLTRONA - Se a final fosse na China, Felipão colocaria Zizao?


Cláudio Messias*

Semi-final de Copa das Confederações e, dessa vez, não deu para ver cadeiras vazias no Mineirão. Ao menos nos ângulos em que as câmeras pegavam. Seria, pois, o primeiro jogo em que Fifa, COL e CBF veriam um estádio lotado, com as tais 57 mil pessoas pagantes/convidadas.

Em campo, duas seleções que a história mostra como muito mais rivais do que o tão propagado Brasil x Argentina. O Uruguai é nosso espinho na garganta, o pedaço de jenipapo e o pequeno notável sul-americano que tenta ser alguma coisa no futebol. Só tenta. Mas que dá trabalho, isso dá.

A questão é que o Brasil tem uma Seleção cujo técnico é cabeça dura. Felipão ouviu de alguma cigana que conseguiria repetir contra o Uruguai a pressão dos minutos iniciais contra a Itália. Fez planos, que mirraram logo que a bola rolou. Comprovação de que esse marcador de posse de bola que Fifa, UEFA e Globo colocam no rodapé da tela é tão furado quanto os internautas que só têm nome, e não sobrenome, moram em cidades que sequer aparecem nos mapas de geografia e fazem perguntas cujas respostas até Carla Perez saberia responder ali pelos 30 minutos de cada etapa. Digo isso porque a posse de bola no primeiro tempo foi pau a pau, e jamais naqueles 63% que a Fifa creditou ao Brasil depois de passada meia hora de jogo.

O Uruguai foi melhor no primeiro tempo. Não por acaso sofreu aquele pênalti infantil de David Luiz, o zagueiro brasileiro que curte uma de Cristiano Ronaldo e só falta arrumar a cabeleira quando se vê nos telões de estádio. Tudo bem, depois da cagada de cometer o pênalti ele só fez cara de bunda quando o rosto-de-nariz-quebrado aparecia nas telas grandes. Júlio César, ali, calou a boca daqueles que, como eu, achavam que suas luvas haviam sido penduradas na eliminação brasileira, frente a Holanda, na Copa da África do Sul.

De novo, o sistema tático de Felipão não funcionava. Queria eu saber o que fez ele, o técnico padrão Série B, tirar Hulck da direita e deslocar para a esquerda. O gaúcho comandante da esquadra canarinha vive dizendo que não é hora de fazer testes. E na semi-final, dentro de casa, muda de função um jogador que ao menos na prancheta tem a função de jogar ao lado de Neymar e Oscar e, vez ou outra, ser opção junto com Fred na frente. Não por acaso tem o apelido de Hulck, com fôlego para ir e voltar na frequência que o futebol brasileiro exige.

Mas o problema do Brasil, hoje, não estava só na função equivocada que Felipão atribuiu a Hulck. Com a pressão uruguaia ele voltou os laterais e passou a jogar com a formação 3-5-2. Avançou demais Neymar e Fred, recuou Paulinho como volante legítimo e deu a Luiz Gustavo as vezes de terceiro zagueiro. Só sobrou criação para Oscar, que olhava para o lado e só tinha Hulck para tabelar., Daniel Alves e Marcelo, quando iam para a frente, avançavam em diagonal, forçando o recuo de Hulck e Paulinho.

Já o Uruguai jogava no tradicional 4-4-2, dependendo em demasia de bolas que sobrassem para Forlan ou Suarez. Era pouco, porém o suficiente para que o meio-campo ficasse guarnecido, dificultando a penetração em velocidade de Oscar e Neymar, que pouco pegaram ou produziram nos primeiros 45 minutos. Por sorte, quando tudo parecia ser modificado somente nos vestiários, durante o intervalo, Paulinho deixou de lado o fracassado sistema tático de Felipão e fez o que aprendeu com Mano Menezes e Tite, assumindo a responsabilidade de criação pelo meio. Dali saiu o lançamento perfeito para Neymar, que trombando com a zaga e dividindo com o goleiro fez a bola chegar à canela de Fred..

Para o segundo tempo eu imaginava que Felipão surpreenderia fazendo uma alteração pelo meio. Oscar estava, sim, apagado, apático. E a Seleção carecia de velocidade. Imaginei ver o rosto de Lucas no telão, mas o que vi foi ele e os demais reservas, todos de colete, dirigindo-se para trás do gol uruguaio. Felipão não surpreende. Nem a nós nem aos técnicos adversários, que sempre armam seus times, e bem, nos intervalos contra nós. Técnico teimoso, que não ensina o be-a-bá direito e dá no que deu quando Thiago Silva quis ser craque na hora em que ter de ser igual a Fred, tirando nem que seja de canela. Empate e, para mim, uma agonia, pois não via naquela formação da nossa Seleção uma expectativa de furar o forte bloqueio adversário.

Felipão não surpreendeu quando manteve o pendurado Luiz Gustavo, que para mim é fraco, tendo a opção de Fernando para fechar mais o meio-campo e soltar Paulinho nas mesmas condições em que saiu o primeiro gol. Claro, ele manteve Paulinho recuado e, pasmem, em alguns momentos soltou foi Luiz Gustavo para a frente, abrindo totalmente o meio-campo para os contra-ataques. Nossa sorte foi dupla, pois o Uruguai voltou no fechado sistema 3-5-2, forçou o nosso 4-4-2 e cansou primeiro. Percebendo essa canseira, Felipão mostrou sua legítima teimosia ao tirar Hulck e colocar Bernard, um ensaio de gente que mistura homem e lombriga. Parece o Zinho da Copa de 1994, girando, girando, girando... correndo, correndo, correndo... e nada.

Cansado, o Uruguai quis esperar a prorrogação. Sorte nossa, pois perdemos a marcação de Hulck e ganhamos somente o tal do brilho das pernas de Bernard, que, sei lá, deve raspar os pelos de coxas e canelas e passar cera. Para mim, Felipão quis fazer moral com a torcida mineira, em especial a do Galo, dando demonstração de que se o jogo da final, domingo, fosse na China, colocaria Zizao em campo.

Depois, Oscar saiu para a entrada de Hernanes, substituição com a qual concordo, pois Hernanes marca mais, cria pelo meio e tal qual Paulinho, tem poder de finalização. Àquela altura o Brasil estava prestes a fazer o definitivo segundo gol, de Paulinho, fruto da majestosa cobrança de escanteio de Neymar, um craque que cala a minha boca cada vez mais, ganha personalidade e, convenhamos, ignora provocações na hora certa e revida igualmente em momentos adequados. Com direito a beijinho àquele que teve cãibras de tanto marcá-lo e teve de sair do jogo.

Fechada a cortina, agora é esperar que a Itália faça a sua parte e permita que Brasil x Espanha façam a final. Italianos não são páreo para os espanhóis desde a Eurocopa e, creio, não será amanhã que aprontarão. Do lado da torcida brasileira fica a expectativa de Neymar mostrar aos colegas de Barcelona que o topo do ranking da Fifa tem dono, está somente emprestado e que a partir de domingo volta a ser conquistado até que o hexa chegue, dentro de casa. Até porque, do risco de Mineiraço que corremos hoje contra o Uruguai aprendemos que tem a hora de jogar bonito, a hora de jogar feio e a hora de errar. Hoje, erramos duas vezes e tomamos um gol. Domingo temos de olhar para o mesmo Uruguai e perceber que eles erraram as mesmas duas vezes contra a Espanha na primeira fase dessa mesma Copa das Confederações, e deu no que deu.

*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Revitalização do Mercadão depende do Dono do Mundo



Cláudio Messias*

Só Deus sabe quando uma mão humana, mortal como toda criatura criada por Ele, fará uma intervenção e impedirá que o Mercado Modelo Municipal feche integralmente as portas. Sim, sou cristão, tenho minha fé, desenvolvi devoção a Nossa Senhora em 2010, mas, peço perdão ao Criador e desculpas a você, raro e exceto leitor, para tirar a letra “d” maiúscula da frase que abre este texto, este parágrafo, e substituí-la por uma minúscula. “Só deus sabe quando uma mão humana fará uma intervenção e impedirá que o Mercadão feche integralmente as portas”.

Quem está aí, do outro lado da tela, e tem mais de 20 anos de idade viu o Mercadão em pleno funcionamento. Aqueles nascidos em 1983 puderam testemunhar uma das tantas reformas por que aquele espaço passou sob intervenção pública, especialmente nos anos 1990. Já os nascidos até 1980 sabem que o eixo central de Assis, por muito tempo, foi aquele centro comercial que com o tempo, dado o abandono, virou sinônimo de boemia. Chegamos ao ponto de pejorativamente criar o jargão “fazer ponto no Mercadão”.

A maior desgraça da história do Mercadão foi o incêndio que na segunda metade dos anos 1980 destruiu quase que totalmente as instalações. A necessária reforma descaracterizou totalmente o prédio, eliminando o vão livre interno e, com paredes de alvenaria, dando aspecto de shopping ao que nasceu para ser mercadão. Tanto é verdade que não temos vocação para shopping que até hoje vimos três projetos nesse sentido fracassarem na cidade. E ainda tem um quarto projeto que é lindo, moderno, tem requintes de faraônico, mas não consegue sair do papel há anos.

O fogo desestabilizou e destruiu famílias que tinham sólidos negócios no Mercadão. A mais popular loja de calçados da cidade era a São José Calçados, do não menos popular Baianinho. Tudo o que se precisasse para a casa era encontrado bem em frente ao Mercadão, no Laurindo, dono da Casa das Variedades. Peixaria nenhuma na cidade conseguia concorrer com os preços e a qualidade dos pescados do Mercadão. A feira livre sequer era uma tradição, tamanha era a qualidade de verduras, legumes, secos e molhados encontrados em variedade infinita no Mercadão.

Ouso dizer que na época áurea do Mercadão havia duas Assis. A primeira funcionava de segunda a sexta-feira. E sexta-feira até o meio-dia, pois a partir da tarde de sexta começava a funcionar a segunda Assis. E essa outra cidade de Assis girava em torno do Mercadão. Em uma época em que 75% da população da cidade era rural, os sitiantes e trabalhadores rurais cá vinham fazer compras. E não era só de alimentos. Comprova-se de tudo. Daí a variedade de mercadorias que caracterizava o nosso Mercadão. Ouvi testemunhos do saudoso Maurício Nucci de que havia propostas milionárias por pontos, por menores que fossem, naquelas quadras que ficavam no entorno do Mercadão, nos anos 1960 e 1970. Ter sucesso nos negócios era manter um ponto comercial naquelas imediações.

Posso falar, aqui, da experiência que tive com o Mercadão. Coincidência, mas hoje, 25 de junho, faz 19 anos que casei-me com Rozana, a quem comecei a namorar quando éramos colegas de trabalho na loja de discos A Sertaneja, no Mercadão. Era 1989 e havia um ano o complexo de lojas havia sido reinaugurado após o incêndio de dois anos antes. Passávamos sonolentos dias de baixo movimento, de segunda a quinta-feira. A partir da sexta começavam a chegar os consumidores que vinham de sítios, fazendas e outros pequenos municípios da região. Fechávamos a loja ao meio-dia de domingo, mas se ficássemos abertos com certeza venderíamos ainda mais.

Naquele final da década de 1980 já se confirmava a inversão de realidade da densidade demográfica não só de Assis, mas do país como um todo. Passamos a ter 75% da população residindo na cidade e, ainda assim, os 25% da população rural passaram a ser essencialmente trabalhadores. Talvez tenha sido esse o golpe maior no Mercadão, que já tinha perdido, dez anos antes, o referencial do terminal rodoviário, que passou para o final da avenida Getúlio Vargas. Aliado a esse fator, o setor de supermercados deu um salto de remodelação, ampliando a gama de produtos e tornando-se muito mais atrativo para as necessidades, sejam elas urbanas ou rurais.

Mas, se o setor de supermercados modernizou-se, isso não deveria ter afetado o Mercadão. Afinal, dentro dele sempre houve uma filial da rede Avenida. E isso procede, pois a reforma pós-incêndio mostrou um mercado depende de um supermercado. Sem o perfil de mercadão, o nosso Mercado Modelo Municipal mais parecia, internamente, um camelódromo, com todo respeito que esse segmento merece, pois sou consumidor confesso dos camelôs, aqui em Assis e nas cidades por onde passo. Mercadão, a meu ver, tem de vender feijão, arroz, amendoim, enfim, grãos a, com o perdão da redundância, granel. E tudo distribuído em bancas abertas, visíveis, para facilitar a concorrência saudável.

A arquitetura do Mercadão com paredes internas foi, a meu ver, mais um fator determinante para que os usuários perdessem a identidade anterior. Quem frequentou o Mercadão anterior ao incêndio vai saber entender o que vou afirmar: o Mercadão perdeu cheiro de mercadão. Aquele Mercadão anterior a 1987 tinha um cheiro característico, que misturava odor de fumo de corda, maçã, laranja, mexerica, grãos, chulé, enfim, uma variedade de origens que somada resultava na fragrância “cheiro de Mercadão”. Com o passar dos anos pós-reabertura o que prevaleceu foi um cheiro de mofo, por dentro, com o odor de urina, por fora. Era a simbologia do abandono.

Com a inauguração do Avenida Plus, na rua José Nogueira Marmontel, o movimento de consumidores dos arredores do Mercadão foi todo concentrado naquela nova loja, que tinha ar condicionado e se resumia no mais moderno supermercado da cidade. Veja bem, raro e exceto leitor, estamos falando de 1999 e não tínhamos, ainda, Amigão, nem Max, nem São Judas Tadeu e Wallmart na cidade. Perdia sentido, pois, manter a loja da rede Avenida no Mercadão, uma vez que menos de 1 quilômetro dali havia outra loja da mesma rede, na avenida Dom Antônio. Foi assim que o golpe de misericórdia foi dado no movimento do Mercadão, perdendo o fundamental fluxo da Casa Avenida.

A teoria existente é que o movimento de consumidores da filial da rede Avenida favorecia os demais estabelecimentos comerciais instalados no Mercadão. Não tenho números sobre isso, mas creio que o espaço antes ocupado pelo supermercado deva corresponder a quase 1/3 da área interna total. Um espaço cuja concessão pertenceu ao grupo empresarial que administra a rede Avenida e que não é cedido para outra finalidade que não sejam feiras beneficentes esporádicas e depósito. Obviamente que se aquela própria filial podia ser vista como concorrente da própria empresa, o espaço não seria nem será repassado a outro supermercado.

Dez anos atrás o Mercadão ganhou novo espaço agregado, com considerável movimentação de usuários. O terminal urbano chegou a ser anunciado como estratégia de revitalização do Mercadão, mas os responsáveis não atentaram-se a um detalhe: terminal é usado para embarque e desembarque de passageiros, que em sua maioria faz baldeação, também conhecida como escala de transição, entre uma linha e outra da empresa de ônibus circular. E na ida e volta ao trabalho, em uma cidade cujo tempo de permanência no transporte coletiva não ultrapassa meia hora, praticamente não se consome. Desce-se de um ônibus e, em questão de minutos, sobe-se em outro.

O terminal urbano é, sim, de uma logística fundamental para a cidade de Assis. Chegou-se a cogitar sua transferência para a Praça Arlindo Luz, mas, creio, uma luz de sabedoria e inteligência indicou que aquilo tornaria ainda mais caótico o trânsito anterior à implantação do sistema de mão única da avenida Rui Barbosa. O que o terminal não consegue e nunca vai conseguir é dar movimento ao Mercadão. Resta, somente, a opção anterior, implícita nesse texto e agora explícita: ocupar o espaço que antes recebia a loja da rede Avenida.

Li e ouvi entrevistas do novo presidente da Associação Comercial e Industrial de Assis, João Antônio Binato, com compromissos que contemplem o comércio da cidade como um todo. Ora, pois, que maravilha isso. João Binato é da família proprietária da rede Avenida de supermercados e, como tal, foi responsável por aquele espaço valioso dentro do Mercadão. É no mandato dele à frente da Acia que a cidade recebeu o Wallmart, concorrente direto de seu principal negócio. E, vejam que coisa mais linda, é sob a égide de sua gestão que Assis pode ter uma solução para o problema do Mercadão.

João Binato é suplente de deputado estadual e já teve irmão e filho vereadores. Entende o suficiente de política para chegar ao comando da mais importante instituição representativa do comércio de uma cidade reconhecidamente pólo regional. E, não tenho dúvidas, cederá para que o Mercadão, um patrimônio histórico de respeitável apreço daquelas pessoas que compram na sua rede de supermercados e nas lojas associadas à Acia que preside, saia do ostracismo e deixe de ser problema das políticas públicas. Afinal, pretenso deputado já faz, sim, parte dessas mesmas políticas públicas, não é mesmo? Faz parte como deputado suplente e fez, no passado recente, com a presença de um representante da família na Câmara Municipal nos últimos longos anos de nossa história. Vereadores que, por sinal, podiam ter feito algo pelo Mercadão cujo espaço maior lhes pertence ao menos na representação histórica de um passado recente.

Publiquei, aqui no Blog, sobre mobilização dos comerciantes instalados no Mercadão. Foi há um ano e meio. Reunidos, fizeram uma vaquinha e pintaram o prédio. E também foram à Prefeitura, cobrando ações das políticas públicas. Mas, ouviram o que é certo: aquele espaço do Mercadão é uma concessão e, portanto, para o município, ali, trata-se de um recinto de fundo privado. Mais um lindo e maravilhoso motivo para que a rede Avenida, que é empresa e, portanto, integra a iniciativa privada, ajude a dar uma solução na parte que lhe compete historicamente, não é mesmo?

Nas últimas semanas fala-se na possibilidade de instalar, no Mercadão, uma unidade do Poupatempo, do governo do Estado. Tem-se muito medo de fazer referência àquele espaço dentro do Mercadão, mesmo em se tratando de uma proposta que tramita na Câmara Municipal, um poder constituído e autônomo. Fala-se, inclusive, de visita recente ao Mercadão e surpresa com o estado em que o estabelecimento encontra-se. Ora, isso é comprovação de que vereador que se surpreende com o estado atual do Mercadão não passou ali nem o priorizou na campanha eleitoral de, pasmem, somente 7 meses atrás. Não esteve lá na campanha nem, pelo jeito, nos últimos 7 meses. E se chamado não fosse, também não teria ido?

Sou a favor da vinda do Poupatempo a Assis, claro. Mas, em um dos espaços mortos da cidade, como, por exemplo, o galpão que situado ao lado da incubadora de empresas, no antigo Depósito da Fepasa, está abandonado desde a privatização da Fepasa. Mercadão é do comércio, de compra e venda de mercadorias, de consumo. O Poupatempo tiraria totalmente o perfil do local e até compreendo que alguns comerciantes o entendem como passível de salvar o Mercado Modelo Municipal. Desespero, sim, pois é melhor ter, ali, o Poupatempo do que continuar com o espaço vazio, ocioso, acumulando fantasmas.

Prefiro entender que o Mercadão seja um ponto de comércio e que, portanto, a Associação Comercial e Industrial de Assis tenha um projeto para o local. Afinal, muitos comerciantes que ali um dia estiveram instalados ou que ainda estão já tiveram condições de ser associados à Acia e hoje, suponho, sequer condições financeiras de manter essa representatividade ativa têm. Basta relembrar que na ação conjunta Prefeitura/Acia, dez anos atrás, toda a campanha de Natal da cidade ficou centrada no Mercadão, que recebeu, inclusive, a simbólica Casa do Papai Noel. O Mercadão ficou lotado, ganhou vida, porém tornou a morrer quando aquele circo temporário foi desarmado.

Somos, em casa, consumidores de especiarias que antes eram encontradas no Mercadão. De cereais a frutas cristalizadas e defumados, fazemos mensalmente o circuito que passa por lojas como Temperos & Tentações, Feijão & Cia e Casa Norte, além de outras. Os próprios supermercados têm, hoje, um setor que vende esses tipos de mercadorias, em especial a granel. Com incentivo e compromisso público por uma revitalização que contemple medidas severas de segurança e de vigilância sanitária, é esse o segmento comercial que precisa ser levado para lá. E se tem um órgão público que falta, em espaço autônomo, à cidade e que poderia ir ao Mercadão, aí sim, é o Banco do Povo Paulista, canal direto de subsídio a um setor de serviços contemplado pelo Mercadão com funcionamento pleno.

Tenho amigos que mantêm comércio no Mercadão e nas adjacências. E monitoro a mobilização que todos fazem há pelo menos dois anos, em busca de uma solução que passa, necessariamente, pela ocupação do maior de todos os espaços ociosos no interior do prédio. O desespero, entendo, favorece a cegueira branca, uma vez que não se enxerga outra opção que não seja a política. Do lado de cá, admitindo estar confortavelmente sentado para analisar o caso, teorizo que a solução continue sendo comercial. O Mercadão, sempre defendi, faz parte da história do comércio de Assis, mas, infelizmente, fica bonito somente nas fotos antigas impressas em tamanho gigante e expostas em estabelecimentos que sobreviveram hegemonicamente no tempo. E se o Mercadão é comércio, compete à Associação Comercial, que é fundo privado, traçar ações de viabilização comercial do local.

Prefiro acreditar que temos o privilégio de ainda poder contar com um Mercado Modelo Municipal que abocanhe uma quadra inteira do coração da cidade. Marília tem um Mercadão que ocupa meia quadra, na XV de Novembro, e continua sendo lá que volta e meia como o melhor pastel da cidade. A vocação, ali, é do setor de floriculturas. E quer saber? Sempre ouvi dos comerciantes com quem fiz amizade, lá, que seria a glória, para eles, ter um espaço de Mercadão como o de Assis. Eles, lá, sonhando com o nosso Mercadão e nós, aqui, querendo transformar nosso mercado em Poupatempo.

Sei lá... de repente, a instalação do Poupatempo dê ao Mercadão, de volta, o movimento que a Casa Avenida historicamente deu. Queimarei, sim, minha língua, não vendo perfil consumidor no público que sai de casa especificamente para resolver problemas formais de documentação nos mais variados aspectos. Preferia ver, ali, naquele saguão fechado ao fundo do Mercadão, um vão livre em que fossem armadas barracas tipicamente de mercadão, com bacalhau, roda de fumo de corda, jabá, carne-de-sol, grão-de-bico, alface e demais verduras e legumes plantados aqui mesmo nos arredores e, assim, o nosso Mercadão voltar a ter cheiro de Mercadão. Ou talvez isso tudo seja besteira e eu esteja querendo, mesmo, sentir cheiro de Mercadão, ouvir o passar das rodas de trem na linha férrea e a cada hora do dia já claro escutar o apito do Depósito da Fepasa chamando o povo para trabalhar.


*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O discurso pacífico é um, até que agridam seu filho



Cláudio Messias*

Quem me conhece sabe que meu discurso e minha prática são do diálogo, jamais do apelo físico. Briga, mesmo, só conheci uma na vida, e ainda assim levei a pior, justamente por não saber brigar quando tinha 13 anos de idade, discutindo com um colega de jogo de futebol de rua e levando um senhor soco na cara, desprevenido, carregando para casa um troféu em forma de corte interno, na boca, que levou semanas para cicatrizar. Fui, pois, o agredido, e não o agressor, apesar de reconhecer que a rispidez da discussão juvenil levou àquela circunstância.

A pior cena de briga que testemunhei na vida remete à minha infância. Não sei exatamente o que eu estava fazendo em um churrasco que, à noite, ocorria em um estacionamento de veículos – à época chamavam-se esses estabelecimentos de “garagem” -, nas proximidades do cruzamento entre a rua Santos Dumont e a Marechal Deodoro. Eu tinha 9 anos de idade e recordo-me de dois adultos aumentarem o tom da voz, até que um deles levanta bruscamente da cadeira de metal, dessas de armar, típicas de festas, e derruba tudo o que estava sobre a mesinha igualmente de armar. O outro debatedor também se levanta e dali saem socos dados com violência extrema, pois tratavam-se de dois homens fortes. Fiquei acuado em um canto de onde, se tentasse sair, entraria no raio dos socos e das agressões dos briguentos, ou seja, fui obrigado a ver, durante infinitos minutos, aquela cena deprimente, a questão de centímetros dos meus olhos.

Aquela cena muito me impressionou, principalmente pelo fato de ninguém apartar a briga. A separação dos briguentos só foi feita quando o que enfim apanhou rendeu-se e não esboçava reação debaixo do agressor. Ou retirariam o vencedor da luta ou haveria, ali, um homicídio, tamanha era a ira do que estava batendo. Igual ou maior indignação eu tive, e ainda carrego comigo, ficou relacionada ao argumento dos demais adultos que assistiram à briga e não intercederam. Segundo eles, o briguento que apanhou estava merecendo, mesmo, uma surra. E terminada a luta, cadeiras e mesas foram postas no lugar e voltou a ter cerveja e carne em abundância. Como se nada tivesse acontecido.


Dos 9 anos em diante passei a observar atentamente as brigas. Na saída da escola, por exemplo, sempre havia acerto de contas. Daí a conhecida intimidação presente na rotina estudantil dos mais nervosos e temperamentais: “vou te pegar na saída”. E os estudantes se pegavam e se pegam na saída, com o agravante, hoje, de as meninas também integrarem esse lamentável cenário de selvageria. Cito esse exemplo porque quando estudante e, depois, como professor dos ensinos fundamental e médio, testemunhei circunstâncias em que dois sujeitos brigam e uma multidão assiste passivamente. É o espetáculo da briga, que tem antecedentes históricos, quase jurássicos. Dá audiência uma briga depois de horas enfiado em uma sala de aula, e prevalece a premissa de que “não me mete na briga dos outros”. Daí, pois, a não intervenção da audiência, que prefere ser meramente espectadora. Não fosse a presença de pais que buscam filhos ou passam pelos portões de saída das escolas, ou, ainda, a presença de funcionários dessas escolas, e correríamos o risco de ter mortes nessas circunstâncias. Em sala de aula, no dia seguinte, ouvia do alunado a mesma premissa de que uma ou outra parte envolvida na briga do dia anterior “merecia apanhar mesmo”.

Duas semanas atrás, no jogo Assisense 2 x 2 Grêmio Prudente, pela Segunda Divisão do Campeonato Paulista, testemunhei uma discussão que também me fez sentir aquele frio na barriga que prenuncia, no meu imaginário, dois adultos brigando à base de socos e pontapés. E os dois caras eram grandes, fortes e exigiriam a intervenção de mais algumas pessoas para apartar. Tudo porque uma das partes gritava para que o técnico do time da casa retirasse de campo o camisa 5, volante, segundo ele um perna-de-pau. Essa vociferação durou uns 5 minutos, até que um sujeito que estava sentado atrás desse bocudo, e à minha frente, levantou-se, cutucou o falador e pediu para ele ficar quieto, pois, na sua opinião, o jogador mais brigador (no sentido de disputa de bola) era justamente o camisa 5. O outro torcedor boquejou, disse ter o direito de falar o que quisesse, mas ouviu do interlocutor a determinação “aqui você não vai falar mal do 5, não”. Ninguém, simplesmente ninguém (nem eu), intercedeu na discussão. O máximo que fiz foi, quando o defensor do camisa 5 olhou para trás e buscou apoio moral para sua posição, dizer “deixa isso quieto”, como recomendação de que aquilo não valia a pena. Ao passo que, imediatamente, outro torcedor que estava ao meu lado disse: “vale a pena, sim, pois aquele cara (o que criticava o camisa 5) merecia mesmo levar uns tapas”.

Se duas pessoas decidem eventuais diferenças nas agressões físicas o olhar coletivo predominante é que uma das duas partes merece sair perdedora. Já relatei, aqui no Blog, minha experiência de 3 anos e meio como jornalista que foi conhecer o regime prisional trabalhando como agente penitenciário. Foram inúmeras as experiências que tive naquele universo em que predomina a presença de pessoas que praticaram violência nos mais variados níveis de gravidade. E lá, no cárcere, prevalece a cultura do acerto de contas. Muitas mortes que ocorrem dentro das muralhas resultam de circunstâncias em que fulano estava merecendo, prevalecendo o parâmetro de um código interno em que existem dominantes e dominados. Se um dominado fere as regras, paga. Nada diferente do que fazemos aqui fora, em liberdade, nos mais variados aspectos sociais.

Nesses quase 30 anos em que trabalho formalmente, parte do tempo fiz ‘bicos’ na noite. Trabalhei como DJ em danceterias e vi jovens da minha idade brigando periodicamente. Muitas daquelas brigas terminaram em morte na porta das discotecas de Assis e região. O capital da discórdia, ali, eram as mulheres. Sangrentas formas de dança do acasalamento. Mas, com um detalhe que também identifiquei, talvez influenciado por aquela experiência lá da infância, dos 9 anos, quando vi aquela briga de adultos no churrasco. Muitos jovens apanharam e apanham sem ter ofendido ninguém. Sem sequer ter discutido. Pior, apanham tentando fugir da discussão e da própria briga. São cercados pela audiência, ou seja, por aquelas pessoas que querem assistir à cena a qualquer custo e fazem da muralha humana uma arena da qual o inocente não tem chance de escapar.

Esses jovens que apanham na noite muitas vezes sofrem agressões na frente de namoradas. Via de regra, não sabem brigar, nunca deram um soco na vida e simplesmente descartam a hipótese de voltar a determinada casa noturna ou balada justamente para evitar novas agressões. Não tenho dúvidas de que essa seja a explicação para que alguns pontos comerciais da cidade tenham alta concentração de público, porém pouco faturamento, muitas vezes fechando as portas em meio à surpresa coletiva que lamenta “poxa, como pode fechar se sempre teve movimento?”. Consumidor bom é aquele que vai em grupo, consome de bebidas a lanches e pratos quentes e é formado por casais. Uma abordagem em mesa que contenha esse perfil de frequentadores da boemia permite facilmente identificar pessoas com formação sólida e vida profissional estável. Jovens que sacrificaram a futilidade da vida nas ruas e priorizaram foco nos estudos ou mesmo no crescimento profissional, por mais humilde que seja a função. Basta um deles ter a namorada que determinado briguento, truculento, que desfocou dos estudos e priorizou a futilidade das ruas, inventou de paquerar e dali poderá sair a circunstância que acabará em violência. É só um dos inúmeros exemplos de agressões que testemunhei algumas décadas atrás, suficientes para que aqueles casais de amigos simplesmente não frequentassem mais o local. E quem continuou frequentando? Sim, claro, os briguentos, que pouco consomem e quase nada de lucro levam para os pontos comerciais.

O rapaz boa pinta é, via de regra, educado. E educado no sentido informal, ou seja, leva para a vida os bons modos que aprendeu dentro de casa. Sabe falar, que tom de voz usar em determinadas circunstâncias, tem semblante sereno, come de modo adequado e não precisa de uma roupa cara ou de moda para ficar atraente. Sua personalidade é o seu cartão de visitas. Atrai, claro, a atenção do público feminino. De mães, tias e avós de suas amigas, esse tipo de rapaz agrada coletivamente a todas as mulheres. Na balada, obviamente, esse rapaz atrairá os olhares de moças; das jovens da mesma idade até as jovens mais experientes. Sorte no amor, desde que uma dessas mulheres não esteja pretendida por outro jovem, homem, que tenha a personalidade avessa a tudo o que foi elencado de qualidade pessoal anteriormente. Sim, na selvagem vida noturna já vi jovem apanhar só porque a paquera de determinado briguento estava olhando, admirando, determinado rapaz boa pinta presente em referida festa. Briguento, claro, que não leu os mesmos livros do agredido, nem dedicou parte de seu precioso tempo a ouvir os conselhos de pais ou adultos mais próximos para que saísse um cidadão que respeite outrem.

É claro que tem muito rapaz boa pinta e briguento, que caça confusão, ofende e dá origem a agressões. Não tenho dados que comprovem isso, mas acredito que se essas estatísticas existem, devem mostrar que tais brigas nasçam envolvendo pessoas que não se encaixam no perfil desses rapazes que citei e que agradam de mães e tias a avós em geral. Sim, você dirá que muitos dos agressores são uns dentro de casa e na vida social como um todo, e outros na selvagem disputa que geralmente envolve a busca pelo sexo oposto. Concordo com isso, mas ainda defendo que esses truculentos, no bojo geral, não têm a qualidade geral do rapaz – e da moça também – de bem, da paz. O que quero dizer, enfim, é que algumas pessoas saem literalmente de casa dispostas a brigar, enquanto outras não têm essa predisposição.

Em muitas das circunstâncias que figuram como nascente de uma briga o controle é perdido em meio ao diálogo. Em 2002, abastecendo o carro quando retornava, à noite, de Marília, onde trabalhava, enfrentei uma fila. Estava no posto Aster, na avenida Dom Antônio, e havia três veículos à minha frente, na bomba de álcool. Quando o carro da frente avançou para ser abastecido eu estava trocando o CD do aparelho e em questão de segundos ficou um espaço vago entre mim e o carro da frente. Havia, àquela altura, outros veículos atrás do meu. Mas, um Corcel II que tinha o porta-malas repleto de ferramentas de pedreiro entrou em velocidade até certo ponto excessiva no posto. Seu condutor, passando devagar ao lado da fila, viu o pequeno espaço à minha frente e colocou o “bico” do carro, cercando meu acesso. O frentista, depois de abastecer o veículo da frente, ignorou o Corcel II e veio até mim, perguntar se eu queria álcool ou gasolina. Era álcool e, então, eu teria de abastecer na bomba da frente, obstruída pelo carro do pedreiro que, por sinal, já estava estacionado e posicionado. Apaziguador, o frentista perguntou se eu permitia que ele abastecesse primeiro o Corcel II. Ao que eu respondi que sim, completando que aquele pedreiro deveria ter motivos maiores e melhores do que o meu e dos outros proprietários de veículos que, atrás de mim, revoltados e vociferando, não concordavam com aquele “fura-fila”. Ressaltei que ele, o pedreiro, poderia ser uma pessoa muito importante ou mesmo estar a caminho de uma casa cuja esposa e filhos fossem mais importantes que os nossos, uma vez que ao menos eu estava fora de casa desde a madrugada, tendo, com certeza, pulado da cama muito antes dele. Não terminei de falar e fui interrompido pelo pedreiro, que desistiu de abastecer o carro mas não saiu antes de enfiar o dedo em riste na minha cara e sentenciar: “você pode ser mais inteligente do que eu, mas eu te quebro a cara”.

Essa é a realidade da violenta sociedade contemporânea. Cessam os argumentos e surge a brecha para o acerto de contas no braço. As próprias redes sociais, que são exclusivamente discursivas, levam a desentendimentos que saem do controle pacífico e surpreendem igualmente. Cito o caso de um “amigo” que conheci pessoalmente e que mais velho que eu, inclusive, é pai de um ex-companheiro de trabalho. Já até viajamos juntos em algumas ocasiões profissionais, de maneira a ter aquela amizade como sólida. Essa pessoa é torcedora do São Paulo e a cada postagem minha, ano passado, sobre o Corinthians, meu time, no Facebook, ironizava com comentários que são típicos, e normais, para assuntos relacionados ao futebol. O alvo dele era o sonho corintiano de conquista da Libertadores, motivo para o que definia como “eterno motivo de riso”. Quando o Corinthians foi campeão da Libertadores, claro, foram infinitas as piadas que correram as redes sociais, dando início a movimentos como “os anti piram”, etc. Jamais fiz qualquer postagem àquela pessoa em específico, em forma de ofensa ou qualquer outro tipo de provocação. Tudo, sim, dentro do movimento de resposta dos corintianos, e sabendo distinguir o que era pesado demais e o que não era. Semanas atrás vi uma postagem futebolística dessa pessoa no mesmo Facebook e fiz um comentário, recebendo como resposta que nem deveria estar, ali, dialogando, pois havia sido excluído da lista de amigos daquela conta. Não questionei, obviamente, pois se existe algo sobre o que não temos propriedade é a vontade alheia pela nossa amizade. Esforço-me, sim, para fazer e ter amigos, mas se da outra parte não há o mesmo interesse, que ao menos fiquemos em paz. Contudo, como tratava-se de rompimento relacionado à virtualidade das redes sociais, imaginei que a amizade real continuasse, literalmente com os pés no chão. Mas, reencontrei essa pessoa no estádio Tonicão, duas semanas atrás, e não houve recíproca para o que defino como esboço de cumprimento de minha parte. Vi, então, que algo realmente aconteceu nas leituras e interpretações de postagens no Facebook, suficiente para acabar com uma amizade de mais de 15 anos, mesmo sem que eu entenda necessariamente o que ocorreu de ato.

Jamais vi risco de briga com esse amigo, que me tem como ex-amigo. Até porque jamais discutimos e, pelo contrário, dele só tenho as lembranças das vezes em que nos reencontramos e falamos, sim, de futebol, seja do Vocem, do Assisense, da Seleção, do Corinthians, do São Paulo, enfim, da vida. Mas, com certeza, faltou diálogo, que é o principal recurso que esclarece e finda desavenças. Uma conversa atravessada, mal esclarecida, e lá estão amigos, familiares, colegas de trabalho, vizinhos, enfim, uma infinidade de grupos sociais com representantes em conflito. Bobagens, claro, mas espelho de uma sociedade contemporânea cada vez mais pavio-curto.

Escrevi tudo isso para chegar ao episódio que nesse final de semana nos desestruturou em família. Um de meus filhos foi agredido por outros dois jovens no final da noite de sábado. Foi durante uma festa? Não. Meu filho consome bebida ou tem qualquer outro tipo de vício? Também não. Estava paquerando a namorada ou paquera de outra pessoa? Igualmente, não? Então, em que circunstância ele foi agredido? Simplesmente, ele aguardava que eu e minha esposa o buscássemos, de carro, em frente ao residencial Renascence. Havia ido à festa junina do colégio Xereta e, terminado evento, desceu com amigos até o condomínio, que fica nas proximidades e é morada de um colega que estava no grupo. Nosso trato era busca-lo à meia-noite e quando deu 23h50, por telefone, anunciei que estaria indo para lá. Enquanto eu saía de casa e ia para o outro lado da cidade dois jovens abordaram meu filho, já sozinho, em frente à rotatória, na porta do residencial. Estavam, segundo ele, trajando roupas costumeiramente usadas por pessoas de classe média. Primeiro, perguntaram se ele residia ali, no Renascense. Quando respondeu que não, meu filho ouviu de um dos bandidos que deveria passar o “radinho”, ou seja, o celular. Percebendo que poderia ser roubado, ele precaveu-se segurando celular dentro do bolso da blusa de frio e tentou correr de volta para o condomínio. Um dos bandidos chutou-lhe as pernas, derrubou e desferiu chutes na cabeça e pelo corpo todo. O outro marginal assistia a tudo e ria da cena. Cheguei ao local e deparei com meu filho todo sujo, zonzo, com sangramento nos cotovelos e, com palavras confusas, tentando definir o que ocorrera.

Optamos por leva-lo para casa, coloca-lo em observação e, se fosse o caso, leva-lo depois ao hospital. Não foi necessário, pois a dor no quadril devia-se à queda ao chão que teve quando suas pernas foram chutadas na corrida. A dor na cabeça era o que mais preocupava, porém passou quando remediada com analgésico que temos em casa. E você, raro e exceto leitor, deve estar perguntando por quer optamos por não fazer boletim de ocorrência nem acionar a polícia militar. Explico.

Em 2010, nossos dois filhos, ainda crianças, retornavam da catequese, na comunidade, e foram abordados por um bando de marginais adolescentes, um deles portando revólver. Levaram, deles, camisa e blusa, além, também, de agredir com socos e pontapés. A PM foi acionada, chegou muitos minutos depois, fez rondas pelas imediações, mas o herói daquela noite, mesmo, foi um motorista a quem nunca tive oportunidade de agradecer com um abraço de reconhecimento. Um proprietário de carro de luxo que viu a cena de dois inocentes sendo assaltados, ignorou o fato de haver arma de fogo em punho por parte de um dos bandidos e partiu para cima. Além de interromper o assalto ele colocou meus filhos no carro e os trouxe até a porta de nossa casa, saindo em alta velocidade na tentativa de ainda reencontrar os bandidos. Foi, e não mais voltou. Fomos conduzidos pelos policiais militares até o plantão, registramos ocorrência e, ainda por cima, submetemos os filhos à constrangedora situação de testemunhar o flagrante de diversos jovens, detidos sob as mais variadas suspeitas. Quase seis horas entre o assalto a meus filhos e o desfecho da ocorrência e, até hoje, ninguém preso, apesar de meus filhos já terem reencontrado, nas proximidades de casa, os mesmos jovens autores daquela ação criminosa, um deles, inclusive, trajando a camisa roubada. Nesse erro, de ficar horas no circo do plantão policial, não caímos mais.

Meus filhos foram educados, em casa, para dialogar e jamais entrar em briga física. E assim fazem, e muito bem. São da paz, do bem, como nós, adultos, costumamos definir. O resultado disso é que o perfil da roda de amigos deles, que é muito grande, por sinal, define um grupo de jovens com rotina de lazer sem vícios nem extravagâncias. Todos têm suas paqueras, namoradas, enfim, suas vivências típicas de jovens, adolescentes, que os definem como aquele rapaz que agrada aos olhos de mães, avós e tias que citei anteriormente nesse texto. Estão aprendendo a encarar o que é a vida, mas, somado a uma rotina que exige firmeza nos estudos e foco na formação universitária que advém, passam por situações em que incomodam pelo simples fato de não representarem ameaça alguma. Digo isso porque meu filho, sábado, ficou menos de 5 minutos em frente ao residencial Renascence até ser abordado por dois bandidos que muito provavelmente estavam na mesma festa junina do Xereta minutos antes. Dois jovens que não foram até lá nem passavam por ali especificamente para assaltar alguém. Tanto que não levaram o celular do agredido. Simplesmente, encontraram um cara do bem e de maneira criminosa, bandida, delituosa, o espancaram. Poderiam tê-lo matado, pois golpes na cabeça esse risco permitem. E custo de quê? Com que fundamento? Qual o motivo?

Estamos, em um grupo de amigos, iniciando uma investigação independente. Sabemos que roupas trajavam e quais características físicas aqueles dois bandidos têm. Há imagens filmadas em três pontos por onde pedestres passaram naquele final de noite de sábado, no prolongamento da avenida Rui Barbosa. A agressão, em si, nem precisa ser mostrada. Basta identificar os autores, lançar suas caras nas redes sociais e chegar aos responsáveis. Aí, sim, os elementos serão juntados e apresentados diretamente à Justiça em forma de denúncia, com processo. Não entendo aquilo como agressão, mas tentativa de latrocínio, uma vez que meu filho, agora, poderia estar engrossando a estatística que faz de Assis uma cidade muito mais violenta do que a Assis da minha juventude. Ainda é cedo para dizer que tratam-se de novos playboys assisenses agindo à base da certeza da impunidade na cidade, mas de uma coisa em tenho certeza: o sossego, deles, acabou, pois se menores se confirmarem, será com os pais (ir)responsáveis a minha conversa de acerto de contas. Conversa e diálogo, pois a única punição virá, não tenho dúvidas, da mesma Justiça em que sempre confiei em 43 anos de vida.

 Atualização 1  - 20h37: Já foi feita a identificação do principal agressor, em fotos tiradas no interior do colégio Xereta, sábado. Igualmente, as imagens de câmeras foram cruzadas. Próximo passo, confirmar o nome do indivíduo, seu endereço e, assim, localizá-lo para as providências legais. 


*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

sábado, 22 de junho de 2013

EU, DA POLTRONA – O que, enfim, Felipão tem contra Lucas?



Cláudio Messias*

A Arena Fonte Nova engrossou, hoje, a furada estatística que Globo/Fifa usam para maquiar o sucesso de público dessa Copa das Confederações. Desde o horário do almoço os repórteres globais entram falando de estádio lotado para o jogo Itália x Brasil e o que se vê, na execução dos hinos nacionais, são cadeiras verdes vazias. E não foram poucos os lugares não ocupados. Medo dos protestos? Com certeza, não. Então as copas das Confederações e do Mundo não foram feitas para os padrões da economia brasileira? Com certeza, sim.

Quando a bola rolou tive a sensação de que poderíamos terminar o jogo com menos de 22 jogadores em campo. Duas contusões pelo lado italiano, uma pelo lado brasileiro e uma série de cartões amarelos que é bem a cara de Felipão. Neymar, claro, não sabe marcar. Mas Felipão ensina em questão de minutos e, igualmente em minutos, lá vai o atacante ficar pendurado. Batemos, e muito, na Itália. Mas, a recíproca foi mais que verdadeira. A Itália não só bateu, mas, principalmente, foi desonesta. Parecia jogo do Baixadão, em que a canela fica situada no pescoço.

Taticamente, a Seleção de Felipão tinha Ernanes no lugar de Paulinho. O volante que entrou jogando havia falado para a Globo que suas características fogem da de Paulinho. O substituído joga mais avançado, Ernanes joga mais na criação pelo meio. Na prática, Paulinho é um volante que faz as partes de meia atacante, enquanto Ernanes é um volante que se dá bem criando como meia de armação. Isso na fala de Ernanes, pois na prancheta de Felipão Ernanes foi, sim, um primeiro volante, uma vez que o fraco Luiz Gustavo ficou recuado como terceiro zagueiro, principalmente com a saída de David Luiz e a entrada do contestável Dante.

Hoje Felipão ousou começar com um 3-5-2 que avançou os laterais Daniel Alves e Marcelo. O técnico quis fazer pressão na Itália e inverter as coisas. O Brasil, sim, jogou em linha e forçou a marcação italiana em linha. Ficamos atrás da linha da bola nos minutos iniciais e demos a impressão de que faríamos um gol logo. Só esquecemos de avisar a comissão técnica italiana, que rapidamente inverteu o sistema 4-4-2, armou um 4-2-3-1 e, plantando Balotelli na frente, forçou o recuo em linha do time brasileiro. Foi nessa condição que o futebol de Ernanes desapareceu nos 90 minutos, pois era dele a função de neutralizar a ligação meio-campo>ataque dos italianos.

Fizemos o primeiro gol com Dante em uma das poucas falhas da boa zaga italiana. Aliás, a Itália merece o nosso respeito no aspecto físico, pois fez, contra o Japão, um jogo muito mais cansativo e desgastante que o nosso, contra o México, e não afrouxou um momento nos 90 minutos. E pouco falhou, pois os gols tomados neste sábado foram fruto, é de se reconhecer, da qualidade do jogador brasileiro.

Qualidade do futebol preciso e em franca evolução de Neymar. Tenho a sensação de que a melhor coisa que aconteceu para esse rapaz foi ter saído do Santos. Não pelo ex-time em si, mas pela prisão que mantinha encarcerada a sua vontade de explodir para o mundo do futebol. Santos era pouco demais para Neymar. Um atacante ligeiro, ousado, que já não cai, mais, com tanta facilidade. E quando sofre falta, torna-se a continuidade de perigo de gol. Perigo que transforma-se em redes balançando como no segundo gol de hoje contra a Itália. Neymar sofreu a falta, Neymar cobrou a falta, Neymar fez o gol.

Minha desconfiança sobre Neymar estava centrada no fato de ele talvez não saber jogar entre zagueiros europeus, suspeita essa que ganhou corpo com o sumiço dele diante de adversários como russos e ingleses nos amistosos preparatórios para a Copa das Confederações. Hoje, contra a Itália, Neymar disse, na linguagem do futebol, “prazer, europeus; eu sou o Neymar”. Jogou muito, mas, pendurado pelo cartão amarelo que a estupidez tática de Felipão produziu, nossa maior estrela teve de sair.

No universo do futebol, hoje, existem duas estrelas brasileiras brilhando. Uma delas é Neymar, que ainda vai mostrar-se ao mundo através da Europa, de Barcelona. A outra já brilha há um ano e talvez ganhe destaque igual ou maior à de Nerymar na temporada 2013/2014: Lucas. E se Lucas brilhou, dia desses, no trio com Oscar e Jô, por que, então, Felipão fez o teste de seus sonhos colocando o imaturo Bernard no lugar de Neymar aos 24 minutos do segundo tempo? Estava 2 a 1 no placar e muita água passaria por baixo da ponte. Se estou errado, raro e exceto leitor, me diga qual foi a importância de Bernard no resultado final do jogo? O que ele fez nos demais 21 minutos de tempo normal em que esteve em campo?

Minha elucubração mais tácita é relacionada a o que Felipão tem contra Lucas. O melhor jogador do campeonato francês na temporada passada é discreto, fala pouco e somente o necessário, dá o sangue em campo, brilha mais que muita estrela titular de Felipão, mas amarga a certeza do banco. Hoje, terceiro jogo que só valia a primeira colocação do grupo, todo mundo fez testes. Até o México, no insignificante confronto com o Japão. Mas, nem nos testes Lucas entrou. Era hora de vê-lo jogando com Oscar na armação e Fred na frente. Assim, nosso 4-3-3 ficaria perfeito, pois Ernanes avançaria para a criação, serviria Oscar, que abasteceria Fred e Lucas. Fred, então, , poderia jogar fixo na frente, puxando para trás a marcação italiana e, assim, dando mais respiração ao nosso setor defensivo.

Mas, não. Felipão teve a capacidade de tirar o guerreiro Huck e colocar o ótimo Fernando. E comprovou que depois de Ronaldo-comentarista-de-corrida-de-tartaruga Casagrande é amem a tudo. Os dois concordaram que recuar o time antes dos 30 minutos era bom, pois aquilo garantiria a primeira colocação e eliminaria o pesadelo de enfrentar a Espanha nas semifinais. Fernando, volante, joga mais que Luiz Gustavo e Ernanes juntos. Entrou e fez a Seleção ter a sensação de que Paulinho estava em campo. Forte na marcação e rápido na armação, facilitou para que a bola chegasse com mais rapidez a Oscar, que ora avançava pela direita, ora pela esquerda. Com isso, os italianos ficavam sem saber o que fazer, pois tanto Marcelo quanto Daniel atacavam em linha com o meio e permitiam a Fred ser o referencial de frente.

Fred, hoje, fez dois gols e em 90 minutos igualou o que Jô fez em dois jogos que entrou. Ótimo isso, pois eu já defendia que Jô, um ótimo auxiliador de marcação, estava merecendo entrar como titular. Dizia e digo isso porque, pra mim, qualquer um dos dois é titular e reserva do outro e resolverá os problemas da Seleção quando entrar no segundo tempo, ou seja, se Jô for titular, a Seleção passar por problemas táticos que culminem em dificuldade de fazer gols e precisar de modificação, é Fred a alternativa, com a certeza de que entrará e resolverá. Dois centroavantes legítimos como o é, também, Leandro Damião. Estamos bem; muito bem, na oposição.

Os dois gols feitos pela Itália resultaram de falhas de marcação que considero normais. No primeiro gol prefiro acreditar que com David Luiz no time não teríamos cometido a falha de marcação. Já o segundo gol, pasmem, teve a participação de um árbitro que é a cara da Fifa, uma instituição que adora fazer moral com países nem tão desenvolvidos no futebol. Bizarrice aquele homem de preto apontar a marca do pênalti e, na sequência, apontar o meio-de-campo validando o gol italiano. Um gol que deveria receber placa no Fonte Nova, com o nome de Josef Blater.

Admito que vejo maturidade nessa Seleção Brasileira e avanço, muito avanço, em relação ao que vi nos amistosos que marcaram o início de trabalho de Felipão. Hoje, contra a Itália, apanhamos, mas também batemos. Fomos agredidos, e também agredimos. Atacamos e fomos atacados. Fizemos gol, tomamos gol e soubemos manter o ritmo de balançar as redes. E você pode estar perguntando: e isso não está bom, não é suficiente? Sim, é suficiente, para a realidade desse jogo contra a Itália. Estamos todos prenunciando a final Brasil x Espanha e, convenhamos, essa mesma Itália acostumou-se, na Eurocopa, a tomar pancada dos espanhóis.

Concordo com Felipão que não temos tempo para testes e que daqui por diante buscamos o homogêneo futebol brasileiro. Temos um craque que desequilibra, que é Neymar, um zagueiro xerife chamado Thiago Luiz, um volante que avança, ou seja, Paulinho, um cérebro criador chamado Oscar e um centroavante marcador de nome Fred. Nossos dois laterais são os melhores da posição no mundo. Isso, em si, já basta para mostrar que uma eventual final contra a Espanha fará o futebol espanhol estranhar a falta de hegemonia. Não tenho dúvidas de que os humilhantes 70% de tempo de posse de bola não irão se repetir contra nós. Dividiremos, pois, a bola com equidade. Mas, a meu ver, carecemos de uma opção de velocidade, que faça triangulação com Neymar e Oscar e chegue, em trio, na cara do gol espanhol. Essa opção é Lucas, que sacrificaria Huck. Dada a força física e o poder de marcação de Huck, contudo, a opção de Felipão tende a ser manter mesma formação dos últimos jogos. E, nesse aspecto, dou um pouco de razão a ele.

Antes da Espanha deveremos ter o Uruguai, time ligeiro e que tem características semelhantes à do Brasil. Não será, porém, páreo para o nosso futebol, ainda mais se tivermos como parâmetro os convincentes 4 a 2 sobre a Itália. Será, aí sim, o jogo para Felipão voltar a dar oportunidade a Lucas. Se der, é porque, hoje, ele tratou o jogo contra a Itália apenas como confronto para definir posição na chave. Se não colocar, é porque continua, sim, o mesmo marrento que só coloca a própria unanimidade em campo, em detrimento do consenso público.


*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela EC/USP.

FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA



BIG

Sai, enfim, do projeto a franquia de Assis da rede Mc Donalds. A cidade, que recebeu o primeiro selo da rede norte-americana quando da inauguração do Assis Plaza Shopping, com restrição somente à venda de sorvetes, legaliza o projeto na Prefeitura. A pendência que pode demandar tempo de espera está no fato de o empreendimento ficar situado ao lado de área de preservação permanente, na rotatória da avenida Rui Barbosa, em frente à estátua de São Francisco de Assis.

PRESERVAÇÃO

São trâmites documentais que igualmente seguram o lançamento daquele que é considerado o mais ousado e requintado projeto de condomínio de luxo da cidade. Com espaço para mais de mil residências, será praticamente um novo bairro na cidade, com direito a quality center completo e acesso controlado por portarias monitoradas. No prolongamento da avenida Rui Barbosa.

TALENTO

O produtor assisense Faustinho Nóbile acaba de finalizar dois projetos encomendados pelo SBT. Com estúdio em São Paulo, o ex-DJ do Porão e da Cultura 2 FM participou diretamente da produção da segunda trilha sonora da novela Carrosel, segunda colocada na audiência do horário nobre, segundo o Ibope. O outro projeto também envolve trilha sonora da emissora de Sílvio Santos.

PEQUENEZ

Parece que a torcida está acreditando mais no Clube Atlético Assisense do que a própria diretoria. No jogo Assisense 2 x 2 Grêmio Prudente a cerveja vendida no bar situado abaixo das cabines de imprensa do estádio Tonicão acabou no intervalo. O mesmo problema, de falta de bebida, vem sendo registrado desde o primeiro jogo, contra o Presidente Prudente, na estreia na Segundona.

AVANTE

Meu ex-aluno Diego Faustino recebeu e aceitou proposta da Nestlé,  empresa pela qual seria, nos próximos dias, promotor de vendas na regional de Assis. Faustino é formado pela Jornalismo pela Fema e quando o conheci, em sala de aula, era repositor de gôndolas no Hiper Center Amigão. Ultimamente, trabalhava para a Johnson & Johnsons, onde destacou-se como promotor.

DIVERSIDADE

Com a mudança de estilo de programação da Cultura FM para Interativa, emissoras alternativas têm ganhado espaço. Dia desses, comprando ração e medicamentos em um pet shop na avenida Dom Antônio, ouvi “Endless Love”, versão com Lionel Ritchie e Dianna Ross. O locutor que entrou em seguida era Nelinho Moraes, que durante anos trabalhou na Difusora AM, atuou no jornalismo impresso e hoje comanda o programa “Memória” na rádio Cidade FM. A emissora, de propriedade de outro locutor tradicional, Tapera, pode ser ouvida em muitos estabelecimentos comerciais da Dom Antônio e adjacências. Com antena no Jardim Paraná, a rádio Cidade é comunitária, pode ser sintonizada em 107,9  e tem uma programação diversificada.

NADA MUDOU

O programa Giro da Manhã continua no ar. Jornalístico produzido pela rádio Cultura AM, o Giro concorre em horário com o “Jornal da Manhã”, da Interativa FM. Ambos vão ao ar às 7h00. Na Cultura AM, o Giro tem apresentação do competente André Luiz, locutor que não foi mantido pela Interativa no FM. Somam-se a ele: Reinaldo Nunes e Alves Barreto, equipe que manteve, mesmo no AM, a boa audiência do programa criado há mais de dez anos pelo jornalista André Thieful, hoje em Americana/SP.

ESCURIDÃO

Quinta-feira, dia 20, após o protesto “Vem pra rua Assis”, as mais de 2 mil pessoas puderam conferir, na prática, as falhas no sistema e iluminação pública da cidade. Só na quadra onde estão Pernambucanas e Hotel Santa Rosa havia quatro postes com lâmpadas queimadas. O problema se repete em ruas laterais.

DE OLHO

Viaturas da Polícia Militar têm sido vistas diariamente no Parque Buracão. Policiais chegam a percorrer as ruelas do parque com os veículos, principalmente no início da manhã. Abordam jovens que, com idade escolar, deveriam estar estudando, e não ali, vagando. Concomitante a isso, a administração do parque providenciou o fechamento dos alambrados de cercamento, antes destruídos e, assim, permitindo o acesso ao local durante a noite.

INCÔMODO

Na semana passada a presença de outra viatura da Polícia Militar no campus da Unesp provocou reações que acaloraram o debate relacionado à paralisação deflagrada por parte dos alunos. A invasão, por manifestantes, a uma aula que reunia professor e estudantes não simpatizantes ao movimento estudantil , fez com que alguém – ainda desconhecido – acionasse a PM pelo serviço 190. O histórico do campus local da Unesp, em especial no tocante ao período da repressão, nos anos 1970 e 1980, deixa reservas eternas para a presença da instituição Polícia Militar naquelas dependências.

INCÔMODO II

Um vídeo publicado no Youtube, na internet, registrando as circunstâncias em que a aula foi interrompida e, assim, levou uma das partes a acionar a Polícia Militar, dividiu a opinião pública. Na gravação, manifestantes invadem a sala de aula, impedem o andamento das atividades, tocam instrumentos musicais, dançam e ironizam os colegas que queriam ter aulas. Adiante, apagam o conteúdo passado à lousa pelo professor responsável pelas aulas e ocupam o espaço, até inviabilizar a aula.

INCÔMODO III

As reivindicações dos estudantes paralisados são reconhecidas pela comunidade acadêmica e vinham ganhando apoio. As gravações, contudo, mostraram um lado arbitrário que, mesmo não representando a maioria dos estudantes que participam do movimento em Assis, remetem à mesma arbitrariedade com que a Unesp é acusada de, entre outras pautas, diminuir uma das parcelas de bolsas de auxílio discente.

CÁ ENTRE NÓS...


... onde estão as provas do rombo de R$ 25 milhões nas contas da Prefeitura de Assis?