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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Perdemos para os cães, que de vira-latas passaram a rasga-sacos

27 MAIO 2013


Cláudio Messias*

Nesse sábado, dia 25, o Centro Educacional Sesi, unidade de Assis, promoveu a sua Feira de Ciências. Logo cedinho, dezenas de pais acompanhavam os respectivos filhos>alunos na solenidade de abertura. Com o brilho da apresentação do casal Rosana Mello e Bauer, que muito mais do que cantar deu uma verdadeira aula sobre o reuso de materiais recicláveis, a festa foi completa e passou do meio-dia.

Uma cena, contudo, chamou atenção. Estava, lá, o prefeito Ricardo Pinheiro. Ou, como o vi afirmar em outra ocasião de evento no final de semana, lá estava o cidadão Ricardo Pinheiro, pois a formalidade do chefe do executivo havia sido deixada no Paço Municipal às 17h00 da sexta-feira. À paisana, sem o traje que exige sapato, calça social, paletó e gravata, a representação do prefeito lá prestigiou o evento do Sesi.

Chego, então, à cena que chamou atenção, nada relacionada a qualquer tipo de importância na presença, ali, do prefeito. Uma mulher aproxima-se de Pinheiro e, em tom de voz acima do que todos da roda de conversa praticavam, pede desculpas, licença, e vocifera sobre a situação das adjacências daquela unidade escolar. Repetia, pois, o que a diretora da escola, Edna Romero, já havia ressaltado ao microfone. Ambas referiam-se ao ecoponto situado ao lado do Sesi e que, indevidamente usado pela própria comunidade, gera transtornos principalmente nas estações outono/inverno, quando o ar, seco, é sobrecarregado pela fumaça de queima do lixo.

Não vou entrar no detalhe quanto à maneira abrupta com que aquela mulher invadiu a roda de conversa e fez cobrança – justa, por sinal – sobre as imediações da escola Sesi. Prefiro defender que toda cobrança, seja qual for a causa, tem de ser feita obedecendo a um mínimo de civilidade. Ainda mais quando as partes envolvidas encontram-se, naquele exato momento, em um ambiente de ensino/aprendizagem e, o que é mais importante, sob os olhares de aprendizes formais e informais.

O eixo de minha crítica está no sentido do que é cobrado. Cobrar providências para que o ecoponto funcione adequadamente é justo. No entanto, atribuir ao Poder Público a responsabilidade sobre o uso indevido daquelas imediações é dar tiro no próprio pé. Não, não estou dizendo que aquela mulher é quem joga lixo orgânico no ecoponto e atira fogo. O que quero dizer é que ela, eu e você, raro e exceto leitor, fazemos parte da mesma comunidade que usa, bem ou mal, aquele ecoponto.

O espaço de um ecoponto deve servir para que a população ali despeje resíduos sólidos, principalmente de materiais de construções. Tudo bem, também são admitidos sofás velhos, cadeiras de plástico ou de ferro e até mesmo eletrodomésticos, mesmo não sendo esse o objetivo. Convido um a um dos senhores, raros e excetos leitores, a ir ao local e vir se é esse o tipo de material que várias vezes, a cada hora do dia, nós, da comunidade, ali despejamos. De cachorro e gato mortos a sacos de lixo comum, de tudo há um pouco. Caso vocês tenham um pouco mais de tempo, compareçam por lá, no ecoponto, depois das 17h00. Respirem o ar, sintam o odor e carreguem de razão o esbravejar daquela senhora que fez cobrança ao prefeito de quase 15 mil votos.

Estamos acostumados a cobrar, vociferar, porém não exercemos a cidadania plena de ao menos esboçar o início de uma cultura que dê destino correto a tudo aquilo que produzimos de mais podre, ou seja, o nosso lixo. Nossas lixeiras dos banheiros têm tampas para que membros da família ou visitantes não sejam submetidos ao constrangimento de compartilhar, visualmente, da etapa final de nosso processo alimentar. As mesmas mães e pais que colocam escovinha e desinfetante no banheiro e educam os filhos a não deixar vestígios no vaso sanitário, acomodam o lixo de qualquer forma, sem a devida separação, e dão as costas à forma com que essa parte de seus próprios corpos chegará ao destino final.

Minutos depois do vociferar ao prefeito a Feira de Ciências do Sesi continuou. E lá estavam alunos e os pais, não exatamente nessa proporção, pois, infelizmente, nem todos os pais sacrificam a fria manhã de um sábado de outono para prestigiar o que seus filhos, a representação de uma sociedade melhor, mais justa, mais digna, fazem durante 200 dias letivos a cada valioso ano de vida. Para confortar os estômagos havia salgado, refrigerante e bombom, vendidos a preços abaixo do que é praticado pelo mercado justamente pelo fato de o Sesi conseguir doações da indústria, do comércio, enfim, da sociedade civil.

Estamos falando, já há alguns parágrafos, sobre lixo, também conhecido como produto final da alimentação humana. E se aquelas pessoas ali presentes, no Sesi, comeram salgados, bombons e tomaram refrigerantes, teve lixo. É de se esperar, portanto, que dentro de uma escola que diariamente sofre com a fumaça de lixo queimado irregularmente em suas imediações, depois de um discurso da diretora lamentando tal episódio, que não houvesse lixo jogado indevidamente pelo chão, em cima de bancos, enfim, fora das lixeiras. Ainda mais em se tratando de visitantes que, pais de alunos, sacrificaram a manhã geladinha de sábado, saíram da cama e foram prestigiar os filhos. Entre esperar isso e ter isso como resultado, porém, há uma diferença considerável. Havia lixo espalhado pelo pátio do Sesi após o evento.

Eu lá estava com a esposa e os dois filhos. Não somos melhores do que ninguém e, confesso, repetimos muitos dos erros coletivos, produzimos equívocos e reconhecemos que temos muito a melhorar em se tratando de assuntos relacionados à cidadania. Mas, em um momento isolado, estava sentado em um banco, repousando minha coluna cervical – a escoliose assim exige. Um grupo estava à esquerda, no mesmo banco, dividindo espaço com latinha de alumínio, sacos de papel e embalagens de bombom ali deixados anteriormente. Um rapaz, que aparenta ser pai de aluno, depois de comer o bombom jogou a embalagem no chão. Olhei e não quis acreditar naquilo, pois já estava indignado com a quantidade de lixo que aqueles adultos haviam produzido em questão de horas.

O vento lançou a embalagem de bombom a pouco mais de um metro de nós. E eis que surge um garotinho que, com dois copinhos contendo mudas de planta distribuídas gratuitamente em uma das seções da Feira de Ciências, vem falando sozinho, para em frente à embalagem que estava no chão e, fazendo malabarismos que uma criança de aparentes 8/9 anos de idade costuma lançar em situações assim, tenta colocar o terceiro objeto nas duas mãos já ocupadas. A persistência do garotinho faz o grupo de adultos pertencente ao responsável pela sujeira parar a conversa e observar a cena. Foi bom, pois o menino, depois de conseguir pegar a embalagem de bombom já transformada em lixo, continuou falando sozinho e soltou essa: “esses adultos são todos porcos mesmo!”.

Recado direto e certo, pois o porcão do adulto que jogou a embalagem não só ouviu o garotinho defini-lo enquanto consumidor sem consciência como o viu colocar a embalagem na lixeira que estava ali, a menos de dois metros de suas mãos. As crianças e os jovens, portanto, estão muito mais preparados e abertos à educação ambiental, sustentável, do que os adultos. A mesma categoria adulta que vê-se no direito de abordar um prefeito e cobrar providências sobre o que, em partes, ela própria, a comunidade em sua representação mais legítima, tem o dever de salvaguardar.

A Câmara Municipal de Assis está sendo palco, atualmente, de discussões relacionadas ao que deverá ser feito com o dinheiro público do município no ano que vem. É hora de cobrar investimentos, propor soluções ao que se considera como problema. Como visto, o destino final ao que produzimos em forma de lixo, ponto derradeiro de nosso consumo orgânico, é um problema. Ecopontos e terrenos balidos continuam potenciais pontos de procriação do mosquito aedes aegypti, nome bonito dado ao pernilongo que transmite a dengue, cujos sintomas, bem sei, não são nada bonitos. E cadê o vociferar nessa hora? Fácil, sim, é enfiar o dedo na cara de um prefeito, de um vereador, e cobrar soluções, ainda mais coletivamente, no meio de outros adultos eleitores. Difícil, mesmo, é fazer direitinho o dever de casa, destinar o lixo de forma adequada e comparecer às audiências públicas que determinam os caminhos pelos quais o dinheiro público passará para atender às necessidades coletivas.

Trinta anos atrás jogávamos o nosso lixo doméstico em latas de 20 litros. Cada casa tinha uma, duas e até três latas dessas. O caminhão do lixo passava, os lixeiros pegavam essas latas, as despejavam e as devolviam na frente de cada residência. Sabia-se que o caminhão de lixo estava chegando pelo odor exalado, e não necessariamente pelo barulho característico, hoje, do processamento dos resíduos sólidos feito por esse tipo de veículo. Uma lata que vacilasse na calçada era tombada por cachorros e, então, tchau coleta. Os lixeiros passavam em maratona pelas calçadas e não pegavam, mesmo, lixo espalhado fora da lata. Cachorro de rua, logo, era vira-latas.

De duas décadas e meia para cá a lata foi substituída pelos sacos plásticos. A logística da coleta também mudou. Um coletor de lixo passa, antes, recolhendo os sacos plásticos colocados em frente às residências. Junta-os e amontoa nas esquinas. Assim, quando os caminhões passam, não precisam transitar rua por rua, mas, sim, a cada cruzamento, recolhendo o que está acumulado. Esse sistema dá mais dinamismo à coleta, que em Assis é feita aos finais de tarde e inícios de manhã, dependendo do setor. Esse método é melhor se comparado ao anterior? Não, segundo a mulher que vociferou ao prefeito, sábado passado, na escola Sesi.

Segundo aquela senhora, Ricardo Pinheiro deveria observar o que é feito em Curitiba e tomar como exemplo. Não sei, contudo, qual Curitiba ela conhece. A Curitiba que frequento é tão falha quanto Assis e qualquer outra cidade brasileira onde predomina a cultura de não se dar o destino correto ao lixo, seja ele doméstico, industrial ou comercial. Dois meses atrás, quando lá estive para compromissos em uma segunda-feira logo pela manhã, deparei com uma capital paranaense dominada, no centro, por lixo espalhado pelas calçadas já em plena noite de domingo. Em circunstâncias como a dessa minha última viagem, vou de carro, porém transito por Curitiba utilizando o transporte público que, por sinal, funciona muito bem. No caminho entre o hotel e o ponto de ônibus, lixo por todos os lados e visivelmente sem tipo algum de separação entre o que é reciclável, solido, e o que é orgânico.

O lixo acomodado em sacos plásticos e colocado nas esquinas de Assis ou nas ruas de Curitiba não representa problema algum. Se ficam, ali, minutos ou mais de uma hora, igualmente sem problemas. O problema continua sendo o mesmo que fazia cães tombarem latas: a presença de lixo orgânico. Para esse tipo de lixo a embalagem plástica não pode, obviamente, ser a sacolinha de supermercados que deveríamos, por conta própria, à margem da legislação, ter extinguido do uso há mais de ano. Nem mesmo o saco plástico comprado aleatoriamente nos mesmos supermercados pode ser usado. Tem de haver uma espessura suficiente de plástico que impeça o vazamento do chorume, que é aquele líquido resultante da decomposição dos materiais orgânicos. É essa espessura que impedirá a ação de dois tipos de ser: cães e fuçadores humanos.

Claramente, o que incomoda aquela senhora, que vociferou ao prefeito, é a cena de sacos e mais sacos acumulados nas esquinas. Estive em Lisboa e Paris, recentemente, e por lá vi os mesmos sacos, talvez mais espessos, com o lixo aguardando para ser levado em caminhões. Com a diferença de que, lá, o lixeiro passa de casa em casa. E, convenhamos, algumas casas europeias são generosas no volume de lixo doméstico e/ou comercial produzido. Vi casas com tamanha produção de lixo que muitas esquinas de Assis ficariam bem atrás no comparativo quantitativo. Há, sim, disciplina quanto a horário em que se colocam, na calçada, os sacos com lixo, situação passível de pesadas multas em euro.

O que precisa ser mudado, enfim, é o nosso modo de encarar a destinação final daquilo que não nos serve mais. Quando cachorro virava latas de lixo custávamos a acreditar nas histórias de que no Japão ou nos Estados Unidos podiam ser encontrados aparelhos de TV nas lixeiras. Hoje, nossos coletores de materiais recicláveis andam com os carrinhos contendo de máquina de lavar roupa a computador, tudo funcionando, comprovando que, sim, a nossa classe média teve o poder aquisitivo aumentado na última década. Aprendemos a jogar fora o que não nos serve, porém carecemos de educação sobre o método de descartar. Não raro, vemos de sofás e até geladeiras, pasmem, em margens de rodovias.

Sabemos reclamar e continuamos sem saber o que fazer com o resto de comida que cachorros e gatos, habituados à ração que compramos, não comem para serem poupados de doenças contemporâneas como os diversos tipos de câncer provocados por gordura e óleo que consumimos. Os mesmos cães que, hoje trancados nos quintais como forma de segurança para nossos lares, não saem às calçadas nem para fuçar no lixo que tão mal despejamos. E, que coisa!, o cão evoluiu do vira-latas, ao rasga-sacos e, agora, ao comedor de ração. Já nós... continuamos os mesmos irresponsáveis produtores de lixo orgânico. E ainda por cima, reclamões sem causa palpável.

*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA



Cláudio Messias*

DESENVOLVIMENTO I
O mercado imobiliário de Assis continua aquecido e agitado. Com a inauguração, mês que vem, do WallMart, grandes grupos varejistas continuam de olho em Assis. A região Oeste da cidade é a mais visada pelos empreendedores, uma vez que as áreas loteáveis a Sul, Oeste e Norte praticamente esgotaram-se. Quem vem aí, segure-se, é o grupo Havan, reconhecido como a rede de lojas de departamentos mais completa do país na atualidade.

DESENVOLVIMENTO II
E quem achou loucura a Unimed transferir sua sede para o antigo Hospital de Olhos, no trevo de acesso a Platina, às margens da rodovia Raposo Tavares, agora vê fundamentos na estratégia de aproveitar a tendência de valorização da região Leste. Não por acaso, ali, em frente, pode ser construída a instalação do Rodoserv/Assis, empreendimento que abasteceria a cidade com mais uma opção gastronômica e seria uma alternativa para embarques e desembarques de passageiros da empresa Andorinha. Novidades nesse sentido estão por vir.

DESENVOLVIMENTO III
No conjunto da obra, então, soma-se ao macro-empreendimento um hotel de alto padrão e o tão especulado shopping center de piso térreo, todos na avenida Mario de Vitto, a rodobanha. Quem puxou o cordão do desenvolvimento até lá? Hiper Center Amigão, nove anos atrás.

ANTES
O casamento entre duas mulheres, em Tupã, no final de semana, foi anunciado como sendo o primeiro entre pessoas do mesmo sexo na região. Na região de Tupã, claro, pois em Assis já fora feito registro anterior. Mês passado, meus amigos João Telles e Fernando Teixeira casaram-se, sem badalação, no cartório de registro civil de Assis.

TALENTO
Meu amigo Rodrigo Bertolucci, jornalista formado pela Fema, acaba de assumir função na redação do jornal O Globo, no Rio de Janeiro. Mais uma das tantas atividades que o assisense desempenha na Cidade Maravilhosa, onde é diretor cultural e produtor. Cá sabemos, os amigos, que o rapaz está a um passo de formalizar a carreira de ator. É esperar para ver.

GESTÃO
Outro amigo, Edvaldo Sotana, com quem trabalhei na Uniesp, em Presidente Prudente, destaca-se na vida acadêmica. Formado em História pela Unesp/Assis, onde também fez mestrado e doutorado, Ed está, hoje, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, campus de Aquidauana. Lá, é candidato a diretor do campus e nesse dia 22/05 participa de debate com o outro candidato. Nascido em Maracaí, Edvaldo é irmão do atual prefeito, Tatu.

MATO GROSSO
E já que o assunto é êxito profissional, minha ex-aluna de Jornalismo na Fema, Patrícia Dias, é a mais nova contratada da Rede Record de Televisão. Está em Nova Mutum, Mato Grosso, onde integra a equipe de jornalismo da afiliada local. Patrícia formou uma timaço na TV Fema, atuando com Bruce Monteiro, Alex Caligaris e Ítalo Luis. Pessoa humilde, pontual e extremamente ética, tem muitos voos a alçar nessa carreira que está só começando.

COINCIDÊNCIA?
Com a desconfiguração da programação da Cultura FM para Interativa FM a Jovem Pan FM ganhou espaço em Assis. Da semana passada para cá, aumentou consideravelmente a força do sinal da sintonia 100,9, que corresponde à retransmissora de Marília. A emissora paulistana do empresário Tutinha já pode ser sintonizada, pois, em qualquer bairro da cidade, e com a opção, também, da Jovem Pan Londrina, em 102,9, e Jovem Pan Jacarezinho, em 99,3. Os que têm aversão a sertanejo universitário, pagode, funk e axé agradecem pela opção.

ENXUGANDO
O ex-secretário da Fazenda da prefeitura, Flávio Moretone, está em ritmo de reeducação alimentar e postural. Desde que saiu do paço municipal, no começo do ano, e foi transferido para o setor administrativo do Corpo de Bombeiros, tem sido visto com frequência, à noite, na academia e na piscina aquecida do clube que frequenta. Não entra no detalhe dos quilos perdidos, mas visivelmente está mais magro.

CURIOSIDADE
Tenho acompanhado as obras de duplicação da rodovia Raposo Tavares, trecho entre Maracaí e Taciba, tocada na parceria público privada entre o governo do Estado e a concessionária Cart. Trata-se de uma lacuna no meio de toda a extensão de duplicação que saiu da Castello Branco e foi até Presidente Prudente. Nesse trecho mais velho, feito pelo governo do PSDB, com dinheiro público e mediante licitação, a qualidade da duplicação é péssima, e nem com a gestão privatizada consegue-se dar conta dos problemas que, estruturais, são visíveis e demandam médio e longo prazo para correção. Minha expectativa, pois, fica com a qualidade do serviço que está sendo executado, já sob a gestão privada. Continuarei tocando nesse assunto aqui, nesse espaço.

NADA A VER
Recebi contato, via redes sociais, de agentes relacionados ao Grêmio Prudente e à 9ine, agência de marketing esportivo pertencente ao ex-jogador Ronaldo, esclarecendo que aquele clube de futebol de Presidente Prudente não tem relação comercial, profissional ou esportiva com a empresa de comunicação. Ronaldo e Antônio Carlos são, sim, amigos pessoais, mas não possuem negócios em comum. Antônio Carlos, que foi zagueiro de grandes clubes brasileiros e também da Seleção Brasileira, é de Regente Feijó e administra o Grêmio Prudente, que está no grupo do Clube Atlético Assisense na Segunda Divisão do Campeonato Paulista.


CÁ ENTRE NÓS...
... não passou da hora, vice-prefeita, de construir um pronto-socorro aproveitando a área ociosa pertencente à Santa Casa?


*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Adeus, não. Até breve, Vagner Staut!


20 MAIO 2013


Cláudio Messias*

A alvorada dessa terça-feira, 21 de maio, será a primeira sem o contemplar de Vágner Staut. Um homem que acordava cedo e assim, primeiro, situava-se sobre tudo o que ocorria. Primeiro ao seu redor. Depois, à média distância. E, enfim, no global. Nas primeiras horas dessa terça-feira somente o corpo de Vagner despedir-se-á, rumo a Santo André.

Vágner nos deixou hoje, segunda-feira, 20 de maio, às 12h45. Os amigos sabem, contudo, que ele vinha prenunciando sua partida desde janeiro. Mais precisamente, desde a segunda-feira passada, dia 13, quando seu estado de saúde agravou. Parecia mais uma pegadinha de suas tantas travessuras de linguagem. Partiu à sua característica, sem que a maioria notasse. Sempre fez isso nos churrascos da nossa turma da hidroginástica no clube. De repente, cadê o Vágner? Foi embora de mansinho.

Conheci Vágner nos tempos em que ele era proprietário da loja Pé de Meia. Chegamos a viajar juntos a Londrina, em meus tempos de editor da Gazeta do Vale. Naquela cidade paranaense fui apresentado e entrevistei, na década de 1990, os empreendedores que ressuscitaram o prédio da antiga Riachuelo, em Assis, e transformaram em shopping. Londrina, por sinal, o quintal da casa daquele meu amigo.

Retomei o contato com Vágner há três anos. Foi dele o convite para eu começar a fazer, no clube,  hidromusculação, nome másculo que deu à hidroginástica. Dizia, com o humor que lhe era peculiar, que hidroginástica remetia a algo feminino. Difícil, teorizava, explicar à família e aos amigos mais tradicionais que todos os inícios de noite iria ao clube fazer hidroginástica. Ou hidrogay, como homofobizava em tom de brincadeira.

Na piscina aquecida Vágner era um dos primeiros a chegar. Dava 18h45 e lá estava ele, com sunga e touca, dentro da água. Fiquei três anos ouvindo, dele, que fazia ‘hidro’ havia 14 anos. Seriam hoje, pois, 17 anos. Mas por alguma razão ele parou nos 14. Certo, porém, é que ele ganhava tempo para, antes da ginástica, fazer aquilo que se costuma cumprir logo cedo, nos cafés da vida: prosear e ficar a par de tudo.

Fazendo os exercícios na piscina conversávamos de tudo. Eu tinha de ficar do lado direito dele, pois o ouvido esquerdo, reconhecia, já não captava os sons com a maestria de outros tempos. Naquele trânsito dentro d´água ele dava dicas de culinária, principalmente no preparo de peixes e outros pratos finos. E permanentemente recomendava uma passagem por um restaurante japonês na entrada de Londrina, anexo a um shopping popular de confecções.

Londrina, aliás, era o destino dele às sextas-feiras. Vágner fazia hidro e saía, com sua jaqueta felpuda, direto para a sauna, às segundas e quartas. Às sextas, fazia a barba no vestiário da piscina aquecida mesmo, pois tinha compromisso: pegar a esposa e ir para a cidade paranaense, ao encontro da filha e das netas. Como ele amava as netas!

Bom apreciador da culinária e turista fanático, orgulhava-se de dizer que conhecia praias de praticamente todos os estados brasileiros. Tinha apreço especial por Salvador, pelo Nordeste. E confessou, certa vez, ter colocado os negócios à venda, em Assis, decidido a abrir uma porta de comércio ou em Fortaleza, em Recife, Natal ou Aracaju, suas capitais preferidas.

Quando estive em Portugal e na França, ano passado, recebi orientações antecipadas de Vágner. Queria, ele, que eu alugasse um carro e dirigisse pelo interior da França, para saber, sim, o que é rodovia de qualidade, sem viadutos e, principalmente, buracos. A melhor viagem de sua vida, recorda-se, foi feita a Paris, com passeio pelo interior e extensão a outros países da Europa.

O bom humor era a marca daquele meu amigo. Típico de um senhor de 62 anos, ele contava a mesma piada ao menos uma vez a cada dois meses. E sabia que repetia o repertório. Tanto que perguntava e ao mesmo tempo esculachava: “já contei a piada do japonês? Se contei, você vai ter que ouvir de novo”. E lá ia ele recontar a anedota, dentro da piscina. E o filho-da-mãe contava piada sem rir, o que somado ao fato de sabermos que era a décima, vigésima vez que ele contava a mesma piada, tornava o resultado inevitavelmente risível.

Quando comecei a fazer hidroginástica com aquele grupo do clube comentei com Vágner sobre uma piada relacionada ao “juiz e a mulinha’. Como era uma piada longa e demandava concentração nos detalhes, ele disse que preferia que eu contasse em um dos churrascos ou jantares que realizávamos uma vez ao mês, para comemorar os aniversários do grupo todos juntos. Mas, como nessas festas rolavam conversas diversas e quase nunca os grupos e rodas se repetiam, não surgia a oportunidade de eu contar a tal piada.

Em janeiro deste ano o nosso primeiro jantar foi feito na boatinha do clube. Foram reunidas as famílias, pois os churrascos semanais, no quiosque do mesmo clube, eram reservados somente aos maridos. Vágner havia passado por uma cirurgia na próstata, estava alguns quilos mais magro e apareceu, estiloso, com óculos de jovem. Ainda em recuperação, estava abatido, mas com um semblante saudável. Tirou um tempo, deixou a esposa à mesa e dirigiu-se ao balcão, onde eu reabastecia meu copo com chope. E cobrou que eu contasse a piada da mulinha.

Não havia ambiente para eu contar a piada, que tem teor impróprio e só deve ser contada, defendo, em meio a roda de amigos, e não em ambiente que envolva famílias. Vágner, então, desafiou que eu cumprisse a promessa de fazer “arrumadinho de carne-de-sol” que aprendi a preparar em Campina Grande, na Paraíba, e, cá em casa, contasse a igualmente prometida piada, reunindo nossas famílias. Topei e agendamos o jantar para o mês seguinte.

Passado aquele jantar no clube, Vágner reapareceu, na hidro, algumas vezes. Na última delas, esqueceu-se de levar a touca de natação que eu havia encomendado, uma vez que em sua loja, a Maria G, ele revendia esse tipo de artigo. Não titubeou e, no vestiário, abriu a mochila e deu-me a sua própria touca, de cor preta. E disse: “vai usando essa até que eu traga a nova”.

Vágner não chegou a levar touca nova. Sentindo a ausência de meu amigo de hidro, em março fui à loja Maria G com meus dois filhos, Vítor e Júlio. Os levei para comprar cuecas e, na ocasião, ter notícias sobre a saúde de meu amigo. Soube, pelas funcionárias, que ele havia tido algumas quedas dentro da loja, o que em consulta médica foi diagnosticado como tumor no cérebro. E não era qualquer tumor. Precisava ser retirado, sabendo a família, com antecedência, que haveria sequelas.

Conversei com meu amigo ao telefone e senti sua fala desconexa. A gravidade, eu sabia, correspondia ao semblante das funcionárias da loja, entristecidas com o prenúncio de partida do chefe. Fiz a opção por não visita-lo, sabendo que já estava em cadeira-de-rodas. Queria guardar a imagem de meu amigo saudável. Àquela altura, o médico que faria a cirurgia em sua cabeça pedia exames e mais exames, mas, na realidade, prolongava a vida de meu amigo, dando-lhe a oportunidade de mais alguns dias junto à família.

Na manhã do dia 13 de maio Vágner entrou com vida na sala de cirurgia, em Londrina, para sair dela, hoje, uma semana depois, em forma de um corpo sem alma. Uma alma que, naquele momento, já brilhava na forma de uma estrela. Uma estrela, não. A estrela. Uma enorme estrela, como eu escrevi na minha despedida anunciada no Facebook. Perdemos um grande homem, um grande amigo, um excelente avô, e ganhamos uma estrela brilhante no céu.

A piada da mulinha eu conto a ele no reencontro. Privilegiados são os anjos que, desde ontem, terão de esconder o riso quando Vágner contar repetidas vezes as piadas sobre Deus, o diabo e os reles mortais.

 Atualização  - 20 Maio, 16h32: Recebi a confirmação da morte de Vagner Staut às 16h30 de hoje. Na semana passada, quando escrevi o texto acima, a mesma notícia chegara a toda a cidade de Assis, nos mais variados pontos. Era, contudo, mais uma comprovação sobre o quão forte era Vagner. Lutou pela vida heroicamente, após uma cirurgia em cujos detalhes não entro e deixo a cargo de familiares e amigos mais próximos. O que sei, sim, é que Vagner segurou firme, o quanto deu, em algum ponto fixo aqui da terra, rendendo-se ao eterno mundo celeste, ao lado de Deus, convencido de que sua missão já estivera cumprida.

O danado de meu amigo me fez chorar duas vezes. Senti demais a perda na primeira notícia, que cá chegou na noite da segunda-feira da semana passada. Tive um baque, não consegui dormir à noite e na terça, quando veio a confirmação do equívoco na divulgação que partiu de Londrina, onde ele estava internado, iniciei minha preces a Nossa Senhora de Fátima, de Quem sou devoto, pedindo pelo retorno do meu amigo querido. Agora, claro, as lágrimas são inevitáveis novamente. O que nos conforta é saber que Vágner só foi convencido sobre ir definitivamente embora depois de muita negociação lá na porta do céu. Assim, não sobra dúvidas: ele está bem, ao lado do Pai. Seu legado cá fica, para que eternizemos em forma de ótimas lembranças.

Sarrista que era, Vagner aqui permaneceu para vibrar com a eliminação do Corinthians, na quarta passada, pelo Boca Juniors, na Libertadores. E já tem, a essa altura, uma justificativa para desmerecer o título paulista do arquirrival contra o Santos, ontem. É, meu amigo, será difícil suportar a falta de um interlocutor para os mais variados assuntos dessa vida passageira, de passarinhos.


Foto: Arquivo familiar/Facebook

Vágner e a esposa, Patrícia : tristeza pela perda de um amigo querido, especial



*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Exclusão de postagem - Justificativa

14 MAIO 2013


Em razão da informação de que não há confirmação da morte de meu amigo Vágner Staut, retirei a postagem feita hoje pela manhã em homenagem àquela querida figura, intitulada "Adeus, não. Até breve, Vagner Staut". Fomos todos informados, ontem, do falecimento de Vagner e aguardávamos, inclusive, a triste chegada do corpo para as últimas homenagens e posterior despedida, uma vez que o sepultamento ocorreria em Santo André, na Grande São Paulo. E mantemos, assim, nossas orações para que, em se confirmando o fato como não verídico, sua saúde restabeleça e ele retorne com o vigor de sempre..

*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Justificativa de ausência no Blog

Cláudio Messias

Compromissos profissionais na Universidade Federal da Grande Dourados, durante essa terceira semana de maio, forçam-me a reduzir a incidência de postagens aqui no Blog. Agradeço pela visita dos raros em excetos leitores que aqui entram e têm entrado. Novas postagens e conteúdos, com certeza, eu retomo a partir do domingo, dia 19 de maio. Mantenho, contudo, o compromisso de publicação do texto semanal do Jornal da Segunda Online (www.jornaldasegunda.com.br), de meu amigo Reinaldo Português Nunes.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Madrugada teve 7 graus em Assis, manhã tem ar seco

07 MAIO 2013


Cláudio Messias*

A chegada, ontem, de massa de ar polar vinda da Argentina fez a temperatura despencar em Assis. A estação meteorológica mantida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado na cidade marcou, às 5h00, 7 graus. Foi, portanto, a madrugada mais fria do ano até aqui.

O frio de 7 graus durou quase quatro horas. Até depois das 7h00, agravada pelo registro de vento de 8 km/h, a sensação térmica era de 5 graus. Esse registrou surpreendeu, pois a previsão era de declíneo de até 9 graus nos termômetros.

Das 20 horas de ontem até o início da manhã de hoje a temperatura caiu 17 graus em Assis. Saiu da marca de 24 graus, às 16 horas dessa segunda-feira, e caiu para 7, mas já voltou a subir. Há pouco, às 8h00, a estação meteorológica local já registrava 10 graus. Com a abertura do sol, também, a radiação começa a aumentar, chegando ao fator 124.

O que não está nada animadora é a umidade relativa do ar. Na madrugada o índice máximo estava em 89%. Ontem, durante a tarde, chegou a 37%, abaixo do índice considerado ideal. Não chove, em Assis, desde 16 de abril.

Meia hora atrás (8h30) fiz duas fotos aqui, na vila Santa Cecília. Elas mostram o horizonte a Sudoeste e demonstram o quanto o ar da cidade está seco e sujo. Uma camada de poeira, cinzas de queimada da cana e fumaça paira sobre a região, fazendo lembrar imagens comuns em metrópoles como São Paulo, afetadas pela poluição.


Foto: Blog do Messias
Imagem feita às 8h30, com o Sudoeste ao horizonte: 
céu azul em Assis, com ar seco logo cedo

Foto: Blog do Messias
Imagem aproximada do horizonte mostra camada de poeira e sujeira que se 
forma na atmosfera, mesmo fenômeno de poluição que atinge metrópoles como São Paulo


*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Estatísticas deste Blog em 120 dias

06 MAIO 2013



Completei, nessa semana, 120 dias de reativação do Blog do Messias. Nesses 4 meses atingi os surpreendentes 11 mil acessos, número que, confesso, imaginei marcar somente no final do ano, ou depois. Como deixei claro nas primeiras semanas, escrevo por prazer, mas com responsabilidade sobre os conteúdos. Não faço daqui um espaço para ofensas, mas, também, não abro um arquivo para elogios vagos. Sei muito bem que demagogia e hipocrisia são definições que independem de nossas próprias definições sobre o eu. De minha parte, ao menos, busco fugir dessa qualificação.

O Google Analytics, serviço da incorporadora que hospeda meu Blog e que monitora o tráfego de acesso a esse endereço, mostra que a cobertura sobre a queda de avião em Cândido Mota, em fevereiro, deixou de ser o conteúdo mais lido no Blog. Aquele material constou durante três meses consecutivos como o mais acessado e, inclusive, mais comentado e replicado. Já foi traduzido para seis línguas pelo Google Tradutor e acessado em todos os continentes. Não faltaram, também, comentários de internautas principalmente americanos, dando opinião sobre eventuais causas da queda da aeronave.

Em abril o conteúdo mais acessado do Blog foi, veja só, minha receita sobre como fazer arroz integral soltinho, publicada no dia 11 do mês passado. Segundo o Google Analytcs, essa receita foi acessada em alta demanda devido ao fato de os internautas terem buscado a palavra-chave "como+fazer+arroz+integral+soltinho". Nenhum coimentário, contudo, foi postado, o que abre brecha para dedução de que nem todos aqueles que encontraram a receita tiveram êxito no arroz integral solto e não-papa!

No geral, os acessos do mês de abril tiveram predomínio de tráfego de pesquisa: 46,2%. O tráfego de referência, que é aquele em que o internauta acessa o Blog a partir de postagens de links em outros endereços, correspondeu a 29,5%. Já o tráfego direto, em que o internauta digita o endereço completo, correspondeu a 24,2% do acessos.

O Facebook continua sendo o canal intermediário que mais divulga o Blog. De todas as redes sociais ele corresponde a 99,3% dos meios de acesso. Desse total, 16% dos internautas desistiram, em abril, de continuar lendo os conteúdos, limitando-se somente a abrir a página.

Temperatura cairá 15 graus nas próximas horas

06 MAIO 2013


Cláudio Messias*

A passagem de uma frente, no final de semana, trouxe ventos e umidade para o clima da região, mas abriu as portas para a chegada de uma massa de ar polar, a segunda deste outono. Com isso, a temperatura, que já é mais amena desde ontem, em relação à semana passada, cairá bastante.

No momento (17h30), a temperatura em Assis é de 24 graus. Com os efeitos da massa de ar polar, que chega à região durante a madrugada, os termômetros marcam 9 graus na alvorada dessa terça-feira. Será, portanto, a manhã mais fria do ano. Em fevereiro, atipicamente, os termômetros haviam marcado 10 graus.

Os reflexos da passagem dessa massa de ar polar serão sentidos até sábado, dia 11. Não sem antes haver mais frio. Na madrugada de quarta-feira, por exemplo, a temperatura deve cair para 8 graus. O vento, de 10km/h, aumenta ainda mais a sensação de frio.

 Ar seco  - Com a chegada da massa de ar polar o clima ganha gradativamente cara de outono. Chegamos exatamente à metade da estação, com a umidade relativa do ar caindo a cada semana. Se na semana passada a mínima chegou a 41%, nessa segunda-feira já baixamos para 37%, o que é agravado pelo registro de focos de incêndio.

Não choveu o que os radares meteorológicos haviam suposto na semana passada. Inicialmente, a chuva prevista para ontem, domingo, era de 15 milímetro. Depois, essa previsão passou a ser de uma soma de 9 milímetros. Na realidade, apenas chuviscou em Assis, tipo de precipitação que sequer foi identificado pela estação meteorológica local, mantida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado.

* Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

As cinzas que pairam sobre Assis


06 MAIO 2013


Cláudio Messias*

Dia desses vimos, na tela da TV, a imagem de uma câmera de segurança que mostrou a reação de um policial que, de folga, não consentiu a um assalto a estabelecimento comercial que frequentava. Bala daqui, bala dali e o bandido tombou. Em ocorrências do gênero, ultimamente, além de roubar, provocar o pânico geral, os bandidos ainda têm atirado e matado sem a mínima reação das vítimas.

Também na hegemônica tela das TVs a notícia de um tiroteio, no Rio. Bala daqui, bala dali, um passageiro de automóvel é atingido e agoniza. Uma médica que estava com a família deixa carro e parentes de lado e faz os primeiros-socorros, salvando aquela vida ao estancar o sangramento e reavivar a vítima quando de parada cardiorrespiratória. Normalmente, essa vítima agonizaria até a morte, por falta de socorro especializado enquanto a poeira não baixasse.

O Brasil e o mundo viram as imagens de jovens que, munidos de picaretas e marretas, improvisavam a abertura da espessa parede da boate Kiss, em Santa Maria/RS, acreditando ser possível encontrar vida entre tantos corpos ou, então, abrir uma passagem de ar que garantisse ao menos a esperança de salvar vidas. Aqueles jovens muito provavelmente nunca haviam pego numa marreta na vida, muito menos, trajados com a melhor roupa, saíram de casa para tamanho esforço físico daquela ocasião.

Aqui em Assis, desde a semana passada, paira no ar uma poeira tóxica. Esse tipo de poluente pode ser percebido no ar a partir de abril e estende-se até dezembro. Em meus tempos de redação saía com Dagoberto Nogueira (Gazeta do Vale), Paulo Cuca (Oeste Notícias) e Lúcio Coelho(Voz da Terra) e dava, em circunstância assim, um giro por postos de saúde e pronto socorros. Pauta tipo jabá, pois sabíamos exatamente o que encontraríamos. Filas imensas de mães levando filhos para sessões de inalação ou idosos chegando a ser internados, com dificuldade para respirar.

Aquele policial que reagiu e protegeu, mesmo à paisana, os clientes que estavam no estabelecimento comercial nada pode fazer contra essa poeira tóxica. Aquela médica que deu os primeiros socorros à vítima de bala perdida no trânsito carioca poderia, sim, diagnosticar o problema respiratório provocado por esse tipo de poluição assassina do ar, porém continuaria inerte perante à origem do problema, a causa. Já aqueles jovens de Santa Maria ficariam na dúvida sobre qual ar estaria mais intoxicado.

A qualidade do ar é um patrimônio, mas os fiscais ambientais têm uma práxis que os torna tão frequentes quanto candidatos a deputado e peritos técnicos. Aparecem sazonalmente e, na maioria das vezes, quando um desastre ambiental já fez estragos muitas vezes irreversíveis. Acredito, inclusive, que aqui, no Médio Vale do Paranapanema, não deva residir um fiscal sequer desses, que tenha na prática cotidiana detectar prenúncio de problemas ambientais que afetem diretamente os humanos, que, parece-me, são espécie.

Algum tempo atrás, na Sucupira do Vale, a causa principal dessa nuvem tóxica fazia com que nos sentíssemos no próprio inferno. Refiro-me, raro e exceto leitor, à queimada da cana-de-açúcar. Mais precisamente, dos canaviais. Sim, hoje há incidência menor dessas queimadas. Mas, a prova material de que elas, as queimadas, ainda existem está aí, na sua casa. Por mais que sua empregada, sua esposa, você mesmo ou qualquer outra pessoa tenha lavado seu quintal na tradicional faxina da sexta-feira, hoje, segunda, há cinzas espalhadas por todos os lados. E nem nisso a natureza ajudou, pois a chuva de 9 mm prevista para o domingo resumiu-se a um chuvisco.

A cena, quinze anos atrás, era de um campo que à noite ardia em brasa. E a revolta contra aquilo partia mais das autoridades do que necessariamente da comunidade. Se, por um lado, o Ministério Público cobrava ações das usinas para que as queimadas fossem reduzidas, ao ponto de serem estabelecidos prazos para o gradativo fim dessa prática, por outro, a dependência econômica urbana desse segmento fazia com que a sociedade regional interpretasse o desastre ambiental com o típico “está ruim, mas está bom”. A usina polui o ar e apodrece o corpo, mas dá o emprego que garante o sustento do mesmo corpo.

Trabalhei 3 anos e meio dando aulas em Presidente Prudente, até 2011. Saía de Assis às 17h00 e cá chegava após a meia-noite. Todas as noites, diversos pontos de queimada de canaviais. Atropelei, também, diversos animais silvestres que, desesperados e em fuga das chamas, cruzavam a SP-270. Incêndios assustadores, que consomem em questão de minutos centenas de hectares de cana. Um canavial inteiro queima muito rápido, pois somente as folhas, a palha, entram em combustão. Suficiente, contudo, para dizimar qualquer espécie animal incapaz de competir com a velocidade supersônica com que as chamas avançam.

As cinzas dessas queimadas atingem altitude incrível. Sobem levadas pelo calor das chamas e caem, fragmentadas, dezenas de quilômetro adiante. Subissem e caíssem no próprio canavial e teríamos somente uma parte do problema. A questão é que essa nuvem tóxica vem para a cidade, imunda quintais e, o que é pior, provoca doenças respiratórias em ricos, pobres e miseráveis. Parece-me que fiscais ambientais, prefeitos, vereadores, juízes e promotores fazem parte dessas três classes sociais.

Muito me estranha a ausência de uma parte que já citei ali, alguns parágrafos atrás: o Ministério Público. Fico com a sensação de que promotor público não respira o mesmo ar que eu, tem carro cuja pintura detém um tipo especial de cristalização, capaz de fazer com que a fuligem da cana queimada não acumule e torne-se visível, e, ainda, more em um tipo de residência que não tenha telhado, quintal, janela. Ah, sim, moraria em apartamento. Mas apartamento tem sacada, janela e, pelo que eu saiba, não existe acesso exclusivo do Fórum a nenhum tipo de edifício residencial da cidade.

Tenho poucas críticas ao Ministério Público em Assis. Aliás, caso faça um resgate nos meus registros de cobertura jornalística na região deve dar 10 boas notícias para cada único fato negativo. Mas, no aspecto ambiental, confesso ter certa reticência quando olho para o Médio Vale e vejo a atuação dessa parte do Juduciário.

Cito como um dos exemplos a conturbada fase de retomada e conclusão de construção do complexo hidrelétrico de Canoas, no rio Paranapanema. Os Ministérios Públicos Estadual e Federal, juntos, exigiram o cumprimento de todos os acordos ambientais assumidos antes da construção, tanto do lado paulista quanto do paranaense, diretamente impactados pela obra. Em dada circunstância, estudos mostravam que algumas espécies de peixes seriam prejudicadas pelo fato de, na corrida pela reprodução, durante a piracema, encontrarem nas usinas um obstáculo artificial. Lá estavam o Ministério Público de olho, as usinas na mira.

Estabeleceu-se a implantação de escadas para a transposição de peixes, que, em suma, utilizariam aquele atalho para continuar subindo ou descendo o rio durante a dança do acasalamento. Tive a oportunidade de ver uma dessas escadas, alguns anos atrás. Ou melhor, tentar avistar. Soube que a estratégia artificial não deu certo e que dois fenômenos ocorreram concomitantes. Primeiro, os peixes deram um jeito de continuar a dança do acasalamento sem escada e, assim, as espécies ameaçadas não desapareceram do mapa hidrográfico. O outro fenômeno é que a vegetação gostou, e muito, de alimentar-se da mistura de ferrugem e lodo das escadas, inúteis.

A escada de transposição de peixes dar certo ou não é subjetivo. O importante é que houve intervenção do Ministério Público, um grupo econômico poderoso foi afrontado por esse braço da Justiça que representa os olhos da sociedade como um todo, e tão importante quanto gerar energia elétrica ficou estabelecida uma relação de respeito com a natureza.

Mas, enquanto Ministério Público, governos estaduais, prefeituras e sociedade discutiam as tais obras de compensação ambiental das usinas de Canoas, canaviais eram queimados. E continuam sendo queimados. A diferença é que os peixes encontraram maneiras de adaptarem-se na reprodução, mas crianças, adultos e principalmente idosos continuam enfrentando os mesmos problemas decorrentes de doenças respiratórias. É a cinza que adentra pulmões.

A situação, senhores promotores de Justiça, é seríssima. Não sei dizer pelas narinas dos senhores, mas as nossas, ardem. Os olhos, igualmente, ardem. Sei de casos de pessoas cuja pele de braços e rosto coçam e escamam. E tudo isso ocorre de abril a dezembro. Lavar o carro, o quintal e varrer a casa são ações que com ou sem essa nuvem tóxica precisam ser feitas. Podia, sim, haver essa sujeira seca, negra, dede que os problemas respiratórios não viessem de brinde.

Imagino que o custo dessa chuva seca negra não seja pequeno para os cofres públicos que o próprio Ministério Público zela quando de acesso a pareceres dos Tribunais de Contas. Criticamos tanto a cultura nacional de remediar e não prevenir, mas nada fazemos quando o simples fazer-cumprir da lei é ignorado. Ações coletivas deveriam ser movidas contra as usinas produtoras de açúcar e álcool, responsabilizando-as por esse tipo de farra.

E se estamos falando de lei, vamos a ela. Quando de minha época de redação vigorava um Código Florestal brasileiro “muito novo”. Sim, estou sendo irônico, pois datava de 1965. A Lei 4.771 foi promulgada em um contexto em que a monocultura da cana ainda não reinava hegemônica. Hoje, contudo, temos o vigor da Lei 12.651/12, e o denominado Novo Código Florestal estabelecendo como crime a prática das queimadas no campo, sem restrições.

Pela legislação em vigor, portanto, quando você, raro e exceto leitor, vir um ponto de queimada, à noite, entenda que ali houve um incidente ou acidente, e que aquela imensidão de chamas não estava programada. As cinzas que caem sobre o seu quintal e adentram suas narinas com consequências como as que afetam um paulistano em pleno trânsito na Marginal Tietê terão sido rastreadas e os responsáveis, punidos, assim como está na lei.

E o mais interessante nisso tudo é que na transição entre as versões velha e nova do Código Florestal prevalece uma coincidência. Incrível, mas é fato. É mais fácil encontrar cabeça de bacalhau no lixo de peixaria, ver Roberto Carlos de bermuda e encontrar um chester vivo, do que deparar com queimada de canavial durante o dia, antes das 17h00. A noite cai, o marginal reina e o pulso, ainda pulsa.



*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP e responsável pelo Blog do Messias (www.claudiomessias.blogspot.com.br).


 SEQUÊNCIA INFERNAL  - Fotos feitas em uma noite de setembro de 2010, às margens da SP-270, proximidades de Rancharia/SP. Em menos de 10 minutos o fogo dominou e destruiu tudo, menos a cana-de-açúcar.

Foto: Blog do Messias  
O fogo começa como um foco pequeno, no horizonte

Foto: Blog do Messias
Viatura da Cart chega e fica à margem da rodovia

Foto: Blog do Messias  
O fogo consome todo o canavial, a pouco metros de uma mata densa


Foto: Blog do Messias  
Toda essa fumaça sobe a centenas de metros para, depois,  
fazer cair cinzas sobre nossas casas e intoxicar nossos pulmões


Foto: Blog do Messias  
Estaciono meu carro no acostamento para registrar as
imagens, mas o calor é insuportável, mesmo a 50 metros de distância


Foto: Blog do Messias
Saindo, de carro, percebo o fim da queimada. 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Inflação faz Federação reajustar punição em forma de cesta básica

02 MAIO 2013


Cláudio Messias*

A presidente Dilma Roussef ganhou um adversário de peso na contra-argumentação de que o país não tem risco de inflação elevada: a Federação Paulista de Futebol. Na contra-mão do discurso governamental de que o custo de vida no país está estabilizado, o Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista anunciou a correção dos valores aplicados em forma de multas a jogadores que atuam profissionalmente no estado de São Paulo.

O que tem a ver inflação, custo de vida e punição de jogador de futebol? Eu explico. Quando registrado em súmula por um árbitro, o jogador que atua pelos campeonato organizados pela Federação Paulista de Futebol é submetido a julgamento no TJD. Lá, se punido, além do risco de ficar determinada quantia de jogos fora de atividade, paga multa cujo valor é convertido em cesta básica. É o custo dessa cesta básica que está em questão.

Nessa quinta-feira, 2 de maio, o TJD tornou pública a Resolução nº 03/2013, que remete ao artigo 286-C do CBJD, cuja essência incumbe os Tribunais estaduais a emissão das normas para conversão de penas aplicadas pelos órgãos julgadores. Segundo a resolução, "considerando que o valor mínimo da cesta básica, em razão da alta constante dos preços, está defasado com os custos atuais", fica resolvido fixar o valor mínimo em R$ 70.

A resolução é assinada pelo presidente do TJD, Ronaldo Botelho Piacente. Foi submetida a apreciação pela composição plenária, votada no dia 29 de abril, encaminhada para publicação no dia no dia 30 e entrou em vigor no primeiro dia útil subsequente, também conhecido como hoje, quinta-feira, 2 de maio.

*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

Chuva no domingo acabará com estiagem

02 MAIO 2013


Cláudio Messias*

O tempo seco que predomina na região há três semanas dará lugar, no domingo, a mais uma mudança climática drástica. Volta chover em Assis e, como é característico dessa época do ano, logo em seguida as temperaturas despencam.

A chuva chega no domingo, mas já no sábado o clima muda. Nuvens serão formadas, tornando o final de semana nublado. A temperatura entra em declínio a partir de hoje. Da máxima de 32 graus de ontem os termômetros marcam picos de 31 graus hoje, 30 amanhã e 29 no sábado. A mínima, nesses dias, continua na faixa dos 20 graus, ou seja, as manhãs mantêm-se agradáveis.

De domingo para segunda, contudo, a transformação climática será brusca. Da mínima de 19 graus prevista para o domingo, em questão de 24 horas os termômetros cairão para 11 graus. Essas manhãs frias, com mínimas médias de 12 graus, se estendem até a quinta-feira da semana que vem, quando os dias voltam a ficar mais quentes. Ou menos frios, como é mais conveniente afirmar para a véspera do inverno.


Qualidade do ar - A última chuva registrada em Assis data de 13 de abril. Naquela ocasião foi verificada a chegada da primeira massa de ar polar desse outono, fazendo com que na madrugada do dia 14 a temperatura atingisse 10 graus. 

Em três semanas sem chuvas a qualidade do ar piorou drasticamente na cidade. Sem nuvens, o índice de radiação solar tem ultrapassado o fator 500, considerado extremamente preocupante. Só para se ter uma ideia, agora pela manhã, às 7 horas, logo após a alvorada, esse índice era 4. Uma hora depois, subiu para 112. E às 9 horas já era de 292, suficiente para provocar queimaduras na pele em casos de exposição permanente.

A umidade relativa do ar também tem atingido níveis preocupantes. Com a fase de manejo da terra para o plantio da safra de inverno e o início de registro de focos de incêndio decorrentes da vegetação seca o ar fica, além de carregado por elementos pesados, muito mais seco.

Dados da estação meteorológica mantida em Assis pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado mostram que desde o dia 26 de abril a umidade relativa do ar na cidade tem baixado, à tarde, para 41%. Esse índice é considerado preocupante, porém não crítico. Isso porque os dias têm começado com a umidade em torno de 97%, média mantida durante as noites e madrugadas.



Imagem: Climatempo
Imagem do satélite Goes-12 mostra o início da formação chuvosa
que chega a Assis no domingo, vinda da Amazônia


*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Barcelona, nem tudo termina como começa


01 MAIO 2013


Cláudio Messias*

No dia 2 de outubro do ano passado eu sentei na cadeira 37, fileira 9, do Estádio da Luz, bairro Benfica, em Lisboa, Portugal. Tive o privilégio de ver Benfica 0x2 Barcelona. Apenas ouvi falar, mas não vi Pelé e Eusébio jogarem. Assisti, pela TV, Maradona e Zico. Ao vivo, in loco, contemplei Ronaldo e Rivaldo. Em Lisboa, vi Messi. E só esse último basta. O argentino é fenomenal.

Minha estada em Portugal tinha por objetivo apresentação de trabalho científico no VI Lusocom, evento que reúne pesquisadores de países de língua portuguesa cujas investigações estejam centradas nas Ciências da Comunicação. Soube do jogo através de Sapinho, apelido de Wesley, um garçom brasileiro nascido em Birigui/SP e que há 12 anos ganha a vida em Lisboa.

Comia, eu, um bolinho de bacalhau, tomava uma cerveja, jogava conversa fora com Sapinho e, falando de futebol, fui perguntado se aproveitaria a viagem para ver o Barça. Estava no Belém, bem em frente à tradicional casa que há mais de um século fabrica os pasteizinhos homônimos. Eu e o garçom temos doença em comum: a paixão pelo Corinthians. E descobrimos outra afinidade concomitante: o apreço a Messi.

Recebi de Sapinho a orientação para pegar o ônibus da linha com destino ao shopping Colombo, que fica ao lado do Estádio da Luz. Lá, procurei Soraia, funcionária que atendia na loja oficial do Benfica, no estádio. Segui o trajeto no dia seguinte, entusiasmado e esperançoso, pois era, já, sexta-feira e o jogo ocorreria na terça-feira seguinte. Na boca de todos, não haveria mais ingresso. Soraia, contudo, tinha, sim, 5 últimos ingressos à venda. Paguei os 35 euros estabelecidos no tíquete pela UEFA e garanti meu lugar naquele que seria, até então, o evento esportivo mais importante de minha história de espectador.

Sentei a 10 metros do gol de entrada do estádio. Foi ali, a menos de 15 metros de distância, que Messi foi à linha de fundo e cruzou a bola para o primeiro de dois gols do Barça. Naqueles 90 minutos o time catalão ficou com a bola durante impressionantes 76% do tempo total. A ponto de, no segundo tempo, ter dado, acredite, sono. Bocejei e cheguei a perceber detalhes coadjuvantes ao espetáculo, como, por exemplo, a nuvem de fumaça que cobria o estádio. Fumaça de cigarros, pois português, assim como os europeus como um todo, fumam feito caiporas.

O sistema tático do Barcelona continuava a impressionar o mundo, mesmo após a saída do técnico Pepe Guardiola. Seu sucessor manteve o sistema tático, mas a eficácia, visivelmente, era técnica. Aquele time, muito mais do que depender de Messi, tinha um sistema em que os laterais avançavam e os zagueiros davam cobertura pelas extremidades, ao passo em que dois volantes fixos fechavam pelo meio, cobertos pelos dois meias, pela direita e pela esquerda. Assim, Messi poderia receber a bola tanto de Iniesta quanto de Mascherano, por exemplo, pois o time chegava ao ataque em blocos. Se a bola fosse perdida, imediatamente haveria cobertura do setor em que isso ocorresse, não sobrando opção de passe por parte do jogador adversário com a posse da bola.

Tentei encontrar o sistema tático do Barcelona de Tito Villanova, mas não consegui. Ora era um 4-4-2, ora era um 3-5-2, ora era um surpreendente 3-3-3-1. A inversão de lado dos laterais, assim como dos volantes e dos meias deixava o Benfica perdido, pois seus marcadores eram ou destros, ou canhotos. Só um time de outro mundo tem 10 jogadores ambidestros. O Barcelona tem.

Aquele Barcelona já não estava na final do Mundial de Clube porque ficara na lista de vítimas do Chelsea na mesma UEFA Champions League, temporada 2011/2012. Era prenúncio de que as coisas continuavam dando certo no supérfluo, mas não no bojo. O jogo contra o Benfica era só o primeiro turno da primeira fase da Copa dos Campeões. E mostrava um Messi que deslizava.... quase pairava em campo. Impressionante como aquele baixinho não caía, grudava a bola aos pés e via, pela nuca, seus companheiros de equipe deslocando-se pelo tapete verde.

Hoje, em casa, o Barcelona comprovou que estava tudo errado. Algo aconteceu nos últimos 12 meses, e não foi só agora. E também não foi a saída de Guardiola. Iniesta já não tem o mesmo fôlego, a zaga depende demais da presença, nem que seja psicológica, e não física, de Puyol, e Messi parece ter incorporado a condição de terráqueo. Todos os sistemas táticos e técnicos que vi contra o Benfica não funcionaram frente ao Bayern. Claro, os alemães assistiram detalhe a detalhe todos os jogos da história recente dos espanhóis. E, não tenho dúvidas, o criador revelou a criatura.

Guardiola assume o Bayern terminada a temporada europeia. Ou seja, os alemães, caso cheguem à decisão do Mundial, em dezembro, serão comandados por outro xerife. Assumirá quem criou o maior monstro do futebol contemporâneo. Não tenho dúvidas, pois, que ele mesmo, Guardiola, forneceu o antídoto.

Sapinho é de Birigui e há 12 anos trabalha como garçom no Belém, 
em Lisboa: dica para comprar ingresso veio dele

Messi, nas minhas lentes; pessoalmente, ele é 
mais baixinho do que eu imaginava.

Chegada ao Estádio da Luz e o início de torcida pelo Benfica, 
meu time português do coração

Fiquei a 10 metros do gol de entrada do estádio; ali saiu o primeiro 
gol do Barça, em cruzamento de Messi

Povo português fuma feito caipora; basta ver a 
fumaça na contraluz dos refletores


*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.