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sexta-feira, 12 de abril de 2013

MEDIDA INCERTA - Um ano depois, 8 kg mais magro

12 ABRIL 2013

Cláudio Messias*

Um ano atrás eu decidia pôr fim a um efeito sanfona que vinha incomodando havia 18 anos. Emagrecer e voltar a engordar faz parte da minha rotina desde que casei, em 1994. E engordei muito nessas quase duas décadas, contrariando uma tendência que minha juventude estabelecera.

Quando fiz alistamento militar para o Tiro de Guerra, em 1988, media 1,80m e pesava surpreendentes 76 kg. Em fevereiro de 1989, quando ingressei no serviço militar, pesava 78 kg. Em novembro daquele ano, quando saí do TG, estava pesando 1 kg a menos.

Minha rotina no início da fase adulta era repleta de atividades físicas. Jogava futebol às quartas-feiras e aos sábados e praticava corridas de média distância, herança do Tiro de Guerra. Sozinho ou acompanhado por meu amigo Davi, motorista da Prefeitura, saía da Vila Operária, proximidades da Ceagesp, e avançava pela rua Antônio Zuardi, seguindo pela André Perine>Dom Antônio>Unesp>SP-333>Frigorífico Cabral>Avenida Maracaí (hoje Av. Davi Passarinho)>Ceagesp.

Quando casei, em 1994, pesava 92 kg. Ganhei, em média, 3 kg por ano, resultado de uma rotina burocrática de editor de jornalismo trancafiado a maior parte do dia nas redações e não desperdiçando oportunidades de reunir os amigos de imprensa em encontros mediados por cerveja e carne. Jogava futebol somente aos sábados, em um grupo formado basicamente por adultos mais velhos do que eu.

Dois anos depois de casado, em 1996, vi, pela primeira vez, a balança chegar bem próximo dos 100 kg. Engordei sete quilos e cheguei aos 99 kg na balança. Tomei, então, as primeiras providências para não passar dos 100 kg. Reduzi o intervalo entre as refeições, incluí frutas entre a tríade café da manhã>almoço>jantar e retomei as atividades físicas. Com a necessidade de usar óculos constatada em 1996 tive de parar de jogar futebol, pois simplesmente não enxergava a bola. Sou goleiro.

Fiquei oscilando entre 95 e 99 quilos até 1999. Naquele ano ingressei na função de agente penitenciário na Penitenciária de Marília. O sedentarismo da profissão e o estresse provocado por fatores diversos - viajava todos os dias e, além da penitenciária, trabalhava também no Jornal da Manhã, naquela cidade - resultaram em um desequilíbrio físico e emocional que levou-me a ver, pela primeira vez, a marca de três dígitos na balança. Cheguei a 101 quilos.

Cumprindo pauta pelo jornal na Unimar entrevistei uma nutróloga que falava justamente de qualidade na alimentação. Entre entrevista e diálogo amigo recebi a orientação de adotar uma reeducação alimentar. reeducar no sentido de construir novos hábitos a partir de uma consciência sobre os males que determinados tipos de consumo implicam sobre o organismo. E, claro, retomar as atividades físicas.

Meu café da manhã continha um pão francês, margarina e uma caneca com leite e café. Antes, o consumo de uma fruta, que podia ser uma fatia de melão ou mamão ou então uma maçã ou uma banana. Antes do almoço eu consumia mais uma porção de frutas. E no almoço, comia normal, mas com uma porção menor. Metade do prato era composto por saladas e legumes. A outra metade continha somente arroz e uma carne grelhada, seja de boi ou frango. Como acompanhamento, um suco natural sem açúcar.

Quando entrevistei aquele nutróloga eu havia passado por uma situação de mal súbito que levou-me ao pronto socorro com a pressão arterial em 21/11. Quase enfartei e, desde então, sabia que teria de adotar mudanças radiciais no meu modo de conduzir a vida. Tinha 31 anos de idade, dois filhos pequenos para criar e um juízo suficiente para buscar auxílio de terceiros.

Na já citada reeducação alimentar incluí um precioso ingrediente: as caminhadas matinais. Dia sim, dia não, fazia 6 quilômetros de trajeto que saía das proximidades da antiga rodoviária de Marília, passava pela extensão da Rodovia do Contorno entre o Posto Cooperativa e o Aquárius Shopping e retornava.

Iniciei esse novo modo de vida em setembro de 2001. Em março de 2002 eu estava pesando 88 quilos. Emagreci 12 quilos, sendo forçado a comprar novas calças, camisas e até mesmo cuecas. Em seis meses a transformação visual foi tamanha que em um final de tarde, ao chegar de viagem em casa, em Assis, Neusa, minha vizinha da frente, dirigiu-se a mim e, com o direito de quem me conhecia havia muitos anos, perguntou com delicadeza: "você está com Aids?".

Jogar fora 12 quilos em seis meses significa afinar o rosto e, dado o curto espaço de tempo, ficar com semblante de doente. São 2 kg por mês de emagracimento e, garanto, só o aspecto é de doente. Minha qualidade de vida melhorou muito a partir dali. Regulei o sono, melhorei o senso de humor e administrei com mais zelo minha sobrecarregada vida profissional.

Saí de Marília em 2003, com 93 quilos de peso. Recuperei 5 dos 12 quilos perdidos. Havia exonerado na penitenciária e, então, retornava para Assis todos os dias. Com filhos pequenos, era o responsável por dar a janta a eles. Fazer comida para criança pequena, cheia de proteínas, e não comer é uma tarefa impossível. Está aí a explicação para a recuperação não só desses 5 kg, mas de praticamente todos eles, pois interrompi a reeducação alimentar.

Fiquei novamente vendo a balança quase marcar 100 kg. Até que em 2010, quando completava 40 anos de idade, decidi estabelecer uma meta: chegar aos 45 anos com o peso de 88 kg que cheguei em 2002. É que com esse peso eu saio do patamar de "pesado" definido pelo IMC(Índice de Massa Corpórea).

Continuei tendo como parâmetro as orientações que recebi da nutróloga da Unimar dez anos antes. A vantagem é que adquirimos o título do Assis Tênis Clube e, assim, tenho perto de casa, além do Parque Buracão, uma estrutura para agregar no condicionamento físico.

Procurei o respaldo profissional de um cardiologista. Desde então, faço monitoramento anual da carcaça, com uma vantagem: todos os meus fatores sanguíneos estão bons, sob controle. De triglicérides e colestróis bom e ruim a diabetes, tudo está dentro da normalidade. A pressão arterial, que insistiu em ficar variando entre 12/8, 13/8 e 14/8 vem sendo controlada mediante medicação preventiva, à base de losartana potássica.

Essa situação da pressão convenceu-me, com aval de Marcos Elias Nicolau, cardiologista que conheço desde os anos 1990, a reduzir alguns fatores complicadores da alimentação, como sal, açúcar e gorduras. Em 2010 iniciei a redução do açúcar, uma vez que meu diabetes estava com índices no limite. Adotei o açúcar light no lugar do açúcar comum e um ano depois, em 2011, meu diabetes estava abaixo de 90.

Em 2012 iniciei a redução do sal em nosso cardápio. Na realidade, já havia iniciado essa redução no ano anterior, mas timidamente, para não desagradar o paladar dos filhos, já jovens. No ano passado, radicalizei. Reduzi à metade a quantia de sal e alguns alimentos passaram a ser preparados sem o uso desse tempero. Saladas e legumes, por exemplo. Jamais compramos, desde então, bobagens como miojo, tempero pronto e esses caldos e sopas que têm alto teor de sódio. Estamos, aos poucos, eliminando, também, salgadinhos como Doritos, que há anos acompanham minhas cervejinhas nos jogos de futebol pela TV.

O desafio daqui de casa em 2013 é reduzir a gordura. Desde 2010 já troquei o óleo de soja pelo azeite no preparo do arroz, por exemplo. Frigideiras da Tramontina, totalmente anti-aderentes, permitem fritar um ovo com uma gota de óleo ou azeite. Carne frita não comemos há anos. Se em bife ou picadões, adotamos panelas anti-aderentes e usamos a estratégia de adição de água para cozimento, de maneira que as carnes soltem a gordura própria, a eliminem e sejam fritas na própria.

Nessa nova rotina meu efeito sanfona disparou. O fator estresse gerado pela reforma de nossa casa no período de junho de 2011 a agosto de 2012 provocou tamanho desequilíbrio emocional que vi, nesse período, meu peso voltar a passar a casa dos 100 kg. Quando pesei no consultório de Marcos Elias Nicolau, em janeiro do ano passado, estava com 101 kg. Viagem com a família a Bombinhas, em Santa Catarina, elevou meu peso a 103 kg, resultado de muita cerveja e muitas porções de camarão frito, na praia. 

Retornei a Santa Catarinas em abril do ano passado, para prestar um concurso que depois foi anulado, em Florianópolis. Lá, pesei e vi a balança marcar 104 kg. Estava engordando novamente, sabendo a causa: jantares. Meu deia era composto por refeições que seguia a ordem café da manhã>almoço>café da tarde>jantar.

Marquei nova consulta com Marcos Elias Nicolau e fiz check-up completo. Nada de anormal, a não ser o peso. Havia parado com os jantares e, assim, meu peso estava em 102 kg. Desde então, refiz a programação de minhas atividades físicas diárias, bem como organizei minhas refeições. Nesse período todo o uso do sal, do açúcar e das gorduras estava controlado. O que faltava, mesmo, era fechar a boca e reforçar os exercícios. E, claro, estabelecer uma meta. E ela surgiu: perder 10 kg até abril de 2013.

Desde 2010 faço hidroginástica no clube, aos inícios de noite. Minhas caminhadas no Parque Buracão eram esporádicas, mas quando feitas davam resultados. Como em novembro do ano passado, mês em que meu peso chegou a 96 quilos. Estava firme no propósito de emagrecer 10 quilos até abril. E já havia feito o mais difícil: emagrecer no inverno, período do ano em que praticamente não evitamos comer à noite e, assim, ganhamos quilinhos a mais. Perdi quilos no trânsito outono>inverno>primavera.

Vieram as festas de final de ano, o relaxamento com as férias e os quilos inevitáveis. Quase vi a balança marcar 100 kg de novo. Em janeiro passado, relembrando o que foi, pra mim, perder quilos no frio, e criei vergonha na cara. Terminada a reforma na piscina coberta do clube as aulas de hidroginástica voltaram. Um mês depois eu havia perdido dois quilos e, assim, ganhei estímulo.

No início de abril estabeleci a meta para os próximos 12 meses. Emagreci 8 dos 10 quilos pretendidos. E sei que, a partir de agora, somente reorganizar a alimentação e manter as atividades físicas será insuficiente para obter o resultado procurado. Tenho outros 8 quilos a perder e não quero chegar a isso da noite para  dia. Vou, pois, perder menos de um quilo por mês, cuidando para não perder massa muscular.

Orientado por Paulo, nosso professor de hidroginástica no ATC, acrescentei outras duas atividades físicas em minha rotina. Além de 1 hora diária dos exercícios na piscina ainda faço sessões de natação para fortalecer braços, pernas e abdomem. Comecei essa rotina na primeira semana de abril.

Paulo orientou-me, também, a praticar corrida. Assim, minhas caminhadas no Parque Buracão ganharam a seguinte configuração: 1 volta por fora do parque e duas voltas por dentro. Tudo bem, isso eu sempre fiz, totalizando exatamente uma hora de atividade física, sempre encerrada com sessões de alongamento. Nesta semana, comecei a correr o equivalente a uma volta interna. Digo equivalente porque estou começando com corrida de meia volta na segunda volta e outra meia volta na terceira volta.

Ficarei um mês correndo duas sessões diárias de meia volta. Daqui a um mês, na segunda semana de maio, correi uma volta inteira na segunda volta. Em junho, espero estar correndo uma volta e meia, intercalando uma volta na segunda volta e meia volta na terceira. Dessa forma, até setembro cumprirei a meta de dar uma volta de aquecimento, caminhando, por fora do Parque Buracão e outras duas voltas, correndo, por dentro.

Faço minhas pesagens na sauna do Tênis Clube. Priorizo a precisão de pesar sem estar vestindo qualquer peça de roupa, o que dá um parâmetro regular. Na segunda-feira passada meu peso era de 96,3 kg. Repito a pesagem toda segunda-feira. Aqui, no Blog, farei a divulgação mensal do avanço desse peso, para cima ou para baixo.

E convido você, raro e exceto leitor, a fazer o mesmo. Consulte um cardiologista, veja a situação de seu organismo e inclua a dualidade atividade física/refeições saudáveis em sua rotina. Aqui em casa faço a minha última refeição às 18 horas, uma hora antes de dirigir-me ao clube para a hidroginástica/natação. Quando retorno alimento-me da fruta de época que esteja mais barata no supermercado. No momento, laranja, mexerica e banana. Minha exceção fica para as noites das quartas-feiras, ocasião em que reúno com meus amigos da bocha, no clube, e confraternizamos com jantares.

Abaixo, a tabela que resume minha meta de controle de peso:



*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

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