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quarta-feira, 24 de abril de 2013

EU, DA POLTRONA - Neymar, na Seleção, é o Lewandowski ‘paraguaio’


25 ABRIL 2014


Cláudio Messias*

Duas coisas a considerar nesse amistoso entre Brasil x Chile. Primeiro, nossa torcida é impaciente demais. Segundo, Neymar comprova não ser tudo isso. E eu, cada vez mais, fico livre da camisa-de-força. Não vejo tudo isso de futebol nesse moleque, sustento isso há três anos e sou tachado de louco. Gradativamente reconhece-se minha sanidade.

Felipão, vamos fazer assim: Marin sai da presidência e você volta pra Caxias do Sul. Cuidar de neto é mais importante do que estragar a Seleção. Meu amigo bigodudo, tu é muito ruim de serviço. Como deixa Fernando, volante, no banco? Ralf e Paulinho, juntos, só no Corinthians e na cabeça do Pelé. Na Seleção o vento faz a curva, meu amigo!

Sou da opinião de que aqui, atuando no Brasil, temos uma Seleção que não perde para nenhum dos 5 adversários que Felipão enfrentou. Falta, óbvio, treino. E ritmo. E futebol. Afora isso, somos a melhor Seleção do mundo. Só que nesse detalhe da falta de entrosamento a bola aérea passa pela pequena área e sobra pra o primeiro gol do Chile. E dá-lhe profecia de Galvão cala-boca-Bueno, tentando resgatar que no passado os chilenos abriram o placar e o Brasil virou 2x1.

Poucos jogadores ficaram 90 minutos em campo. Neymar ficou. Fez 1 gol. Aliás, fez ½ gol. A outra metade é de Pato, que, egoísta que não é, tocou-lhe a bola. Fez o que Neymar não fez no primeiro tempo, isolando pra cima do travessão bola que poderia ter compartilhado com o ataque. Não por acaso, ouviu a torcida mineira bradar para que fosse tomar suco de caju.

Não gosto da maneira como Felipão arma a equipe, assim como odeio o conchavo Casagrande/Júnior, na Globo, para que haja coringas na Seleção. Lateral é lateral, atacante é atacante, meia é meia e volante é volante. E isso, desde que uma coisa é uma coisa e outra coisa, é outra coisa. Jean é bom porque joga pela meia, ora pela direita, ora pela esquerda, e ainda faz as vezes de lateral. Pro inferno essa definição tática, pois numa Copa das Confederações haverá covarde dizendo que, numa eventual falha tática, Jean não estava na posição de origem.

Ratifico minha posição de que a Seleção de Mano Menezes ganhava cara, corpo, identidade. Os resultados não vinham, reconheço. Mas, continuam não vindo. Só ganhamos da Bolívia sob o comando de Felipão. E empatamos, em casa, com o Chile, que hoje estaria quase fora da possibilidade de jogar no mesmo Mineirão pela Copa 2014. Para ser sincero, mudasse a Fifa o regulamento e essa Seleção de Felipão nos deixaria, pela primeira vez na história, como país-sede fora da Copa que sedia. Sim, não vejo a mínima possibilidade de Felipão superar Argentina, Equador, Colômbia e o Chile dessa noite de quarta.

Se Felipão vê alguma possibilidade de futebol em Neymar, não poderia deixar Ganso fora dessa convocação para o confronto contra o Chile. Me desculpe, gaúcho turrão, mas Ronaldinho Gaúcho é terceira opção na Seleção. Pode fazer alguma coisa pelo Atlético-MG contra ninguém, mas fala fezes e provoca a ira adversária como fez contra o São Paulo pela Libertadores. Típico de jogador que vive na gandaia, na roda de pagode, e quando entra em campo age como se , em vez de futebol fosse tocar pandeiro. Eu chamaria até Alex, do Coritiba, como opção, mas com certeza preteriria Ronaldinho como titular.

Ouço, estupefato, os comentaristas da Globo, uníssonos, dizerem que somente Jean, dessa Seleção de hoje, garantiu lugar na Seleção que será convocada para a Copa das Confederações. Pasmem. Fernando, volante, entrou e deu estabilidade ao setor defensivo, partindo do meio-campo. Osvaldo tem a velocidade que se espera de um jogador que atua, no ataque, abrindo pelos chamados flancos. Pato, por mais irregular que esteja, deu toque de mestre, de sábio, para que Neymar, desengonçado – confesso que ele achei que ele entraria para o Inacreditável Futebol Clube -, fizesse o segundo gol. Só craques dão aquele tipo de assistência. E, claro, lembrando que no primeiro tempo Neymar deu aquele já citado, aqui, chutão por cima do gol, ignorando a presença, entre outros, de Damião na pequena área.

A Seleção Brasileira é hegemônica, e isso não podemos negar. O patrocinador máster é a Nike, que, óbvio, quer Neymar titular. Assim como quis Ronaldo, antes de ser fenômeno, em 1998, contra a França, naquela final de Copa que tem tantos mistérios quanto a aparição do ET de Varginha/MG. Mas, tem hora que é preciso separar as coisas. Neymar, no Santos, faz milagre, só que contra o Botafogo de Ribeirão Preto, com direito a chapéu (boné, lençol, etc) com a sola da chuteira. Mas, e contra a Rússia, a Inglaterra e a Itália, o que ele fez? Respondo: nada.

Neymar é bom, sim, contra ninguém. Com todo respeito que os pequenos clubes merecem. Não foi nada, ninguém, naqueles 4x0 para o Barcelona, que visivelmente, a pedido de Guardiola, não fez placar histórico. Na Seleção campeão sul-americana sub-20, três anos atrás, quem destacou-se foi Lucas, hoje no Paris Saint-Germain. Neymar não foi nada, ninguém, na principal competição de revelações da América Latina. É, sim, mais propaganda do que jogador. É para a sua geração o mau exemplo que Xuxa foi para os baixinhos quando engravidou, solteira, de Luciano Szafir. Pai solteiro, maior salário do futebol brasileiro e um jogo, real, nada condizente ao status que mais o destrói do que contrói.

Nessa mesma quarta-feira o polonês Lewandowski fez 4 gols nos 4x1 do Borussia Dortmund sobre o Real Madrid. Semanas atrás Neymar fez 4 gols nos 4x0 do Santos sobre o União Barbarense. Naquele jogo pelo Campeonato Paulista Neymar sacramentou o rebaixamento do adversário para a Série A-2. Lewandowski praticamente eliminou o time mais caro da atualidade no futebol universal.

Quatro anos atrás o Chelsea ofereceu 35 milhões de euros por Neymar, que recusou. Lewandowski custou 4 milhões de euros ao Borussia Dortmund. E se na Copa 2014 o Brasil cruzar com a Polônia, tomar um chocolate de 4x0 e for eliminado, não haverá dúvidas que Lewandowski vale mais que Neymar. Simplesmente porque faz gol quando o bicho pega, não é cai-cai, volta para marca e ajuda a zaga e, principalmente, não tem no topete a parte mais importante do corpo. E, claro, por trás de Lewandowski há técnicos que cedem ao futebol, e não ao engodo do apelo mercadológico do jogador-marca.

*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

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